Talvez alguns de vocês, os que ainda acompanham a FLIP de longe e que nunca estiveram lá, tenham a curiosidade de saber quais as origens da FLIP e qual a relação do evento com a cidade de Paraty.

Então, buscando aqui e ali, descobrimos que Mauro Munhoz, um dos criadores da festa, é arquiteto e urbanista e acompanha a cidade desde pequeno, estando envolvido em um projeto de restauração e requalificação urbana da cidade e um outro voltado para a cultura e a população local e assim ficou resolvido que a literatura seria um foco interessante para essa iniciativa, uma vez que os livros mexem com a imaginação e do mesmo modo os moradores precisariam imaginar e acreditar nas melhorias que viriam com o restauro urbano.

Tais fatores somados a um importante encontro com a editora inglesa Liz Calder, que já promove outros eventos como esse na Europa e caiu de encantos por Paraty, resultaram na FLIP. Assim, a Festa mais importante da cidade passou a constar nos calendários de Paraty desde o ano de 2003, estreando como homenageado o “poetinha camarada” – Vinicius de Moraes.

E para dar início a nosso diário de segundo dia, começamos por entender melhor como estão divididas as programações da FLIP, os espaços em que acontece a festa e qual o foco de cada um deles e descobrimos que enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais.

A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as crianças –a Flipinha -, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Começamos o nosso segundo dia, logo que colocamos os nossos pés na rua, a contemplar a vista estupenda, bucólica, típica de um cartão postal – um mar sereno, tranqüilo, cercado de montanhas e pequenas ilhas na sua baía.

Seguimos, já deslumbrados com Paraty, é certo, para a compra dos nossos ingressos na bilheteria da Tenda dos Autores e logo percebemos, inevitavelmente, que essa tenda é o espaço em que a festa fervilha, as grandes estrelas circulam e vão ao palco para as conferências a expor ali as suas idéias. Para cada mesa há um mediador, responsável pela apresentação e pelas perguntas que são dirigidas aos palestrantes.

Na bilheteria logo se vê uma generosa fila, uma espécie de terreno elegante em que as pessoas carregadas de roupa de frio, vestidas a caráter de inverno, disputam a vez na tentativa de encontrar os ingressos para Tenda dos Autores e já escutamos aí os comentários quanto ás “mesas” mais concorridas, as que estão lotadas, e, para essas resta a esperança diária quanto á abertura da venda de novos ingressos, pois 30 minutos antes da conferência acontecer são liberados os ingressos das mesas anunciadas como lotadas, portanto, com alguma sorte, como a que tivemos nesse segundo dia, os ingressos podem ser lançados no sistema até mesmo antes do lapso de tempo estabelecido oficialmente.

Assim foi, para esse nosso segundo dia conseguimos comprar os ingressos para as mesas mais concorridas, a mesa 4 ás 17:15 e a mesa 5 ás 19:30, respectivamente, “Veias Abertas” – Isabel Allende e “O livro: Capítulo 1” – Peter Burke e Robert Darnton.

As 17:30, atrasados, como se vê, fomos assistir Isabel Allende na mesa 4 da Tenda dos Autores e desse nosso atraso tivemos a grata surpresa de nos encaminharem a sentar no espaço destinado aos convidados, pois a tenda estava lotada e já não havia lugar nas cadeiras comuns e assim foi possível mirar e sentir Isabel Allende mais de perto, absorvendo a emoção das “Veias Abertas”, cujo tema tem referência com o livro do uruguaio Eduardo Galeano.

Allende dispensa comentários, pois desde a Casa dos Espíritos em 1982, que vendeu mais de 56 milhões de cópias, obra traduzida para trinta idiomas, é um dos nomes mais bem sucedidos da literatura latino-americana é um ícone do “realismo mágico”. Na FLILP 8 Isabel também marcou presença lançando o seu novo livro “A ilha sob o mar”.

De fala fluída, extremamente simpática, elegantemente vestida em negro e chale vermelho, lá estava Isabel Allende a falar das suas obras, da sua inspiração para a escrita, da relação com a mãe e a comunicação que se perfaz até hoje entre elas gerando a produção de um lindo material literário – cartas trocadas, escritas a mão, de modo muito cuidadoso, com letras praticamente desenhadas, guardadas em sua casa em um coselt especial para isso, cujo conteúdo, segundo palavras da própria Allende, jamais poderá ser publicado, pois a intimidade contida em tais cartas não é algo que possa vir a ser partilhado com o seu público.

Isabel Allende sempre começa seus livros num dia 8 de janeiro, numa edícula junto à sua casa, onde acende velas e prepara um cerimonial. “Cada novo livro é como entrar em uma caverna escura, de onde precisarei arrancar os personagens e suas histórias. Penso que eles existem de verdade, há uma coisa que não é minha, que vem dos espíritos”, contribuiu a escritora. Mas ela não considera doloroso escrever. “O mais difícil é ficar muito tempo sentada. Me dói todo o corpo”, explicou.

Depois desse deleite que foi para nós escutar Isabel Allende na Tenda dos Autores nos restou uma pequena pausa para um café na área lateral da Tenda do Autores, com vista para o rio. Ainda foi possível circular pela FLIP 8, esticar um pouco as pernas, mirar o ambiente palpitante, colorido, contagiante, repleto de pessoas que se espalhavam por ali, inclusive a ler o jornal Folha de São Paulo, cujos exemplares poderiam ser adiquiridos gratuitamente num outro café charmoso, montado pela própria Folha de São Paulo, cercado de estantes cheias de livros.

Já as 19:30 estávamos nós, mais uma vez sentados na Tenda do Autores, prontos para a mesa 5 – mediação de Lilian Schwarcz, responsável pelo departamento de Antropologia da USP e aí testemunhamos uma interessante discussão entre Peter Burker e Robert Darnton, ambos especialistas em história da leitura e da mídia, que falaram sobre o destino do livro, o seu percurso ao longo dos tempos, e como essa discussão remonta aos primórdios da era moderna e está longe de ser resumir a Ipads, Kindles e outras novidades tecnológicas.

Para Burke, o papel do livro – seja impresso ou virtual – diminuirá de forma progressiva, com a redução de sua importância perante outros meios e um “enxugamento, este literal”, que vai gerar narrativas mais curtas. “Não imagino alguém lendo as mil páginas de “Guerra e Paz” no Kindle”, exemplificou. “Semi-pessimista”, como ele mesmo se classificou, Burke revelou o temor de que as gerações futuras percam a capacidade de ler lentamente. “E a leitura lenta, assim como a cozinha lenta, é importante para a civilização”, concluiu, sob aplausos do público.

Terminamos nosso segundo dia extremamente satisfeitos com a nossa presença nessa grande festa literária e com sensação perene de que a viagem para Paraty estava valendo a pena, pois aí nos foi possível conhecer a verdadeira diferença entre uma festa e uma feira literária. A FLIP é FESTA LITERÁRIA pela celebração da palavra como arte, como expressão, de tudo aquilo que o homem, com a sua inventividade, com o seu poder mágico de criação, deixa como legado pela vida afora. Celebra-se em Paraty a vida dos livros, verdadeiramente, o que vai muito além do que se poderia chamar de uma mera FEIRA LITERÁRIA, cuja a preocupação, na maioria das vezes, reduz-se a venda, ao sentido comercial que essa vida dos livros também oferece e é amplamente explorado. A sensação ao final desse dia é que muito mais ainda nos esperava no decorrer dos dias vindouros e assim foi…

Dezembro 17, 2008

É dia de dizer que ( apesar de também já está quase a fazer dois meses que estou ausente do nosso blog,  e portanto, quase um “aniversário” da minha ausência, que suprirei em breve quando tiver início as minhas tão esperadas férias)nesse momento a minha chegada até aqui é para CELEBRAR com vocês o nosso PRIMEIRO ANO de Aniversário do TAXICIDADE – sim, sim!!!

Foi no ano passada, proximamente a essa hora, na cidade do PORTO, que estavámos em preparativos para a primeira sessão de lançamento do Taxicidade…ainda com o coração aos saltos, preparando nas nossas mentes o que dizer ao nosso querido público que nos aguardava no espaço  “ERA UMA VEZ”.

Hoje estamos aqui para celebrar esse dia com vocês, aqueles que acompanharam o nosso projeto, que participaram dele de alguma meneira, que nos presentearam com palavras de incentivo e apreço, o nosso  – MUITO OBRIGADO!

Por certo a jornada prossegue para cada um de nós, e, sem dúvida, depois dessa nobre vivência –  de uma outra maneira vemos a vida, por sobre um taxi! lol

…Era uma vez cinco jovens companheiros de jornada na escrita criativa. Aventuraram-se pelas ruas do Porto, viajaram na imensidão inventiva das suas mentes criativas, e assim, entre o lúdico e  a fantasia, criaram as suas estórias. Ficções repletas de diversidades, mas, sobretudo, a vontade e o desejo de que essas “estórias”  um dia pudessem ser contadas,  quiça em algum dos quatro cantos desse nosso planeta… Ainda não sabemos mensurar o quanto os “nossos táxis” viajaram, mas de uma coisa tenho certeza – nosso táxi percorreu  bons quilomêtros, estes rodados na nossa imaginação para então chegar até vocês!

Um grande abraço a todos e em breve pretendo retornar ao blog!

Andréa Menezes