Feira do livro

Junho 12, 2008

Interrompemos a emissão para o convidar a passar no próximo Sábado, dia 14 de Junho, na feira do livro em Lisboa para um sessão de autógrafos com os autores do livro. A sessão terá lugar às 17:00 no pavilhão n.º 121 da Contra Margem.

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Para quem não tem a possibilidade de ouvir o programa no horário de transmissão, aqui fica a ligação à página do podcast, no sítio da RTP.

O programa “À volta dos livros” anunciado ontem foi adiado para amanhã no mesmo horário, por motivos de transmissão do debate parlamentar.

“À volta dos livros”

Março 18, 2008

Interrompemos a emissão para anunciar que o livro e os seus autores estarão amanhã dia 19 de Março no programa “À volta dos livros” da Antena 1. Poderão ouvir o programa às 16:47, 21:45 e 04:20.

Para mais informações sobre o livro, para além da informação disponível neste blog, poderá consultar a página do livro na editora aqui, ou descarregar este documento anexo. A editora convida-o também a consultar a sua página na internet disponível aqui.

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Imaginem como seria o mundo se as fronteiras fossem abertas. Permissão total para entrar e sair de um país, a liberdade de ir e vir no seu ápice, no seu ar mais livre e compassado. Será que a nossa segurança estaria tão comprometida assim? Podemos levantar essa questão pelo âmbito da GLOBALIZAÇÃO, olhar as mais diversas motivações dos seres humanos para circular.

O meu computador circula, o seu também.O mundo circula, por que o ser humano também não pode circular?

A globalização, se quiseremos, pode ser tomada como marco nos fins do século XV quando portugueses e espanhóis se lançaram “por mares nunca dantes navegados”, enquanto Copérnico e Galileu propunham uma teoria heliocêntrica que confirmava a redondeza da Terra e estendia infinitamente os limites do Universo. Desde então, o processo tem avançado a passos de gigante.

No século XIX 15 milhões de europeus, muitos deles pobres e famintos emigraram para o continente americano, e foram recebidos nos portos aos milhares e a história mostra que nenhum deles portava um passaporte. O controle de fronteiras, os laissez passer (deixar passar) e os pass-ports (passar um porto), apareceram depois da primeira guerra mundial. Os sentinelas e guardas armados de fronteiras mais tarde, a pratica de balear os que tentam entrar também, e esse foi o começo do que se chamou progresso das soberanias dos Estados.

Bem, estou aqui a falar tudo isso por ser algo que sempre me faz refletir quando me vejo indo ao encontro de uma nova fronteira, é certo, mas razão de agora, sem dúvida, foram os fatos registrados nos últimos dias e que foi a notícia da vez « trinta turistas brasileiros “barrados” em Madrid por agentes de imigração da Espanha sem que tenham recebido qualquer informação sobre a recusa de entrada»

Os espanhóis podem fazer isso? Podem. O país é livre na sua soberania, e, inobstante a reciprocidade estabelecida entre os países, no momento de decisão eles não estão atrelados a nada, são livres, podem ter como valor até mesmo uma fobia de proteção ao nacional ou quaisquer razões que queiram estabelecer; a medida que nos cabe é aceitar, indignados ou não, depois restam os protestos envolvendo as autoridades diplomáticas.

Cogitados os motivos, os mais diversos existem, sem dúvida, pode-se falar de preconceito, de racismo, combate a possibilidade de um imigração ilegal, proteção a votação espanhola que estava efervescendo essa semana, em fim, mas podemos aproveitar o momento e avaliar o quanto o mundo ainda é fronteiriço e limitativo, não podemos simplesmente sair por aí, mobilizar a vida, mesmo que seja apenas em férias, pois as regras existem, o ser humano as impõe ainda que não tenhamos criado tudo isso, e a propósito – chegamos pelo Big Beng?

Levaremos mais que pares de anos para descobrir o que nos aguarda nesse mundo, quando e como teremos a liberdade de circular, mas enquanto isso não acontece, quem sabe conseguimos refletir quanto a essa “falsa globalização”, e quem sabe podemos aguçar o nosso pensamento recordando que, no século XIX, Karl Marx, reconheceu a utopia dos processos crescentes de interação e comunicação global, e se horrorizou com a forma brutal de conquista e exploração européia.

Afinal agora pensemos: a globalização encontra fronteiras impostas pelo homem?

E fomos nós, logo cedo, rompendo aquela manhã fria de sábado, a grande capital. No início, sem imaginar ao certo o que seria a “viagem” rumo a mais uma apresentação do nosso livro, mas aos poucos a sentir que na verdade não era mais uma, mas sim – a apresentação! Afinal, não é todos os dias que a aclamada Lisboa se põe a ser espectadora de cinco olhares pela janela do mesmo táxi.

E foi mesmo assim, uma sensação de rumo ao desconhecido, mesmo que naquela tarde já conhecessemos, depois do que sentimos na nossa primeira sessão de lançamento no Porto, o que era “dar a luz a um primeiro filho”.

Aquele era o novo momento de, mais uma vez, mostrarmos a nossa estória, falar delas, apresenta-las, uma a uma, ao novo público lisboeta, que entre rostos conhecidos e desconhecidos, parecia nos lembrar que éramos, de verdade, os novos escritores criativos que há mais de um ano atrás sonharam, imaginaram suas estórias e que agora, por fim, elas percorrem a curiosidade de Portugal.

O que sentir? É mesmo algo único, é um estágio entre a euforia e a serenidade de quem pode descansar tranquilo porque a sua ficção pode ecoar em muitas e muitas mentes, deixar um rastro, um efeito, seja ele qual for, não importa. É, por fim, um registro literário, uma obra editada, aquela que foi concebida com muito cuidado por aqueles que não intencioram fazer número nas prateleiras das livrarias, mas sim ter um livro a partilhar idéias, dividir a criatividade de cinco mentes imaginativas que trazem a luz do dia ficcção que se vai pelo tempo…

Esse dia consolidou em mim a ideia, o sentimento, de que não importa o quanto nos pareça distante um sonho, não importa os percalços que, inevitavelmente, apareçam no caminho, pois haverá o momento em que o mundo acorda e recebe o CONTO, ainda que aumente um PONTO.

Naquela segunda sessão de lançamento em Lisboa, aquela que outrora foi chamada de “cidade luz”, senti que fomos recebidos, senti que cada ponto de cada um dos nossos contos poderá alimentar a imaginação de todos aqueles que venham os ter nas mãos. Parte da nossa estrada foi cumprida e voltei para casa a recordar esse momento com a certeza de que essa estrada é apenas o nosso começo, pois novos caminhos estão a nossa espera..

Taxicidade no RCP

Janeiro 22, 2008

No passado dia 15 de Janeiro, 3 dos autores do livro deram um entrevista para o Rádio Clube Português. Aqui fica a entrevista na intrega, para quem não ouviu ou queira ouvir outra vez.

É já no próximo dia 12 de Janeiro que se dará a apresentação do livro em Lisboa, no espaço Magnólia Simple – Saldanha Residence, pelas 16:00. Durante a apresentação terão a oportunidade de ouvir excertos de cada um dos contos, encenados por um grupo de actores.

O Magnólia Simple – Saldanha Residence fica no C.C. Saldanha Residence Loja 0.06, Av. Fontes Pereira de Melo, nº 42E.

Dezembro 31, 2007

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A primeira vez. Aquela que define que, a partir de agora, podemos olhar-nos ao espelho e dizer, com alguma confiança, “eh pá, sou escritor”, seguido de “caraças”, “puxávida” ou outra qualquer expressão essencial como complemento ao “!”. A noite da passada quinta-feira, no Era uma vez no Porto, foi esperada meses – anos, por alguns, como eu, cujo desejo de publicar nada tem a ver com a recente moda de escrever livros. Como disse, na altura do meu direito de antena, foram muitos os ensaios desde que, há 12 anos, comecei a achar que era mesmo isto que eu queria. Numa cave, com um público restrito, brinquei com a coisa séria que é a vontade de pegar em palavras e atirá-las como berlindes para cima de um papel.

Quis o destino, a sorte – ou Deus ou Alá ou Anthímio de Azevedo – que o frio me pregasse uma partida concedendo-me a sensualidade de uma voz rouca e o estilo radiofónico anos 30 de uma voz anasalada. Talvez por isso, ou porque os nervos enchem a barriga, comi a lasanha de uma assentada, sem lhe sentir sabor nem odor. Bem-acompanhado pelos colegas Bruno e Elsa e pelos fantásticos abrilhantadores do lançamento, João Pedro e Vânia, sempre fui tentanto espirrar-lhes o nervosismo para cima para que não ficasse tudo para mim – sou muito generoso, o que querem?…

Quando chegámos ao Era uma vez, aguardavam-nos aquelas caras bonitas que sabem sempre bem em momentos destes – não, não me estou a referir a nenhum serviço de acompanhantes ou escort girls (como lhes chamam em homenagem àquele Ford dos anos 70 e 80), isso foi só dep… – estou mesmo a referir-me aos amigos. Os meus pais, em particular, nunca estiveram tão próximos. Literalmente. Se gesticulasse demasiado, era capaz de partir o nariz ao meu pai…

Após a apresentação do nosso editor, Rui Grácio, aquelas palavras que servem para nos sentirmos os maiores por uns minutos, cada um disse o que pôde e o que quis – e porventura, o que sabia – acerca de si e do seu conto. Fomos sendo generosamente interrompidos pelos nossos actores acima citados que, de uma forma imaginativa, interpretaram à sua maneira os excertos da obra de cada um de nós.

Confesso que só ficámos a saber o quanto custa verdadeiramente ser famoso na hora de inventar uma dedicatória para cada um dos milhares – centenas? Pronto, dezenas – de pessoas que esperavam a nossa valiosa assinatura (a longo prazo) na loja Gira-Discos, no andar de baixo do Era uma vez.

E pronto. Fomos para casa com a sensação de um parto difícil mas que valeu a pena. Afinal, não é todos os dias que cinco pessoas fazem um filho. E vá, não pensem coisas porcas de nós, que nós somos pessoas civilizadas. Fizemo-lo à distância, de forma limpinha – não venha a ASAE atrás de nós. Fomos embora com aquele bocadinho no bolso e a certeza de um pouco mais de realização pessoal. Esperemos que o nosso “miúdo” vos divirta.