Primeiro dia de FLIP – Quarta, 04 de agosto

Agosto 12, 2010

Desde as primeiras horas do dia 04 de agosto estávamos nós, cruzando os céus do Brasil – entre Salvador e Rio, para então, de lá, depois de 04 horas e meia de viagem chegar a Paraty. Como podem concluir, chegar a Paraty não é assim tão fácil quando o destino de origem é Salvador, mas quando se tem a FLIP pela frente reune-se as forças necessárias, esquece-se o cansaço, pois mais vale o ponto de chegada, que minimiza as dificuldades do caminho e como isso a peregrinação da viagem até Paraty ficou mais suave, sobretudo quando logo nos demos conta da beleza da cidade, do movimento palpitante das tendas, das pessoas caminhando pelas ruas, do frio que se fazia presente e que anunciava um “que” todo especial da estação FLIP.

A conferência de abertura da FLIP aconteceu às 19:30 na Tenda dos Autores (tenda principal), localizada as margens do rio Parequê-açu, com a participação tanto polêmica do Fernando Henrique Cardoso, que, começou agradecendo o convite da FLIP e disse ter ficado surpreso com tal convite, afirmando que o seu conhecimento da obra de Gilberto Freyre é relativamente limitado, mas o interesse é enorme e disse que também não era a primeira vez a ser convidado a falar sobre o Freyre e escreveu o prefácio da edição de 2003 de Casa Grande & Senzala, segiu extremamente à vontade com o público e conversou sobre tal livro de maior projeção de Gilberto Freyre. A exposição foi marcada com bom humor e clareza, retratando a clareza e as contradições expressas na obra de Gilberto Freyre.

Da clareza elogiou o estilo e a qualidade da escrita, avessa ao estilo formal da academia, e próxima da literatura, assim como a gigantesca erudição misturada a doses de intuição e das contradições comentou sobre a ideia central de “equilíbrio dos contrários”, que considera não fundamentada, e de eventuais afirmações racistas que destoam dos elogios à miscigenação que tornaram Freyre conhecido. Num dos momentos brincou com o público e disse “tomem cuidado, que eu dou bis e repito tudo”.

A presença do Fernando Henrique mobilizou a cidade, pois antes do início da conferência o curioso é que um grupo de moradores de Paraty foi protestar, na entrada da Tenda dos Autores (essa que podem conferir na foto acima postada), contra a presença de FHC na festa.

Uma apresentação musical sucedeu a conferência de abertura, levando ao palco Edu Lobo, Renata Rosa e o quarteto de cordas da Osesp e nesse mesmo instante tudo acontecia na noite do centro histórico de Paraty, com muitas pessoas que se movimentavam de um lado a outro, um colorido com cara de festa, uma movimentação na qual podíamos sorver também da boa música que era tocada em alguns dos muitos bares que compõem o cenário noturno da cidade, e isso foi só começo do nascer da FLIP 08!

O que preciso contar é que não estivemos na conferência de abertura porque chegamos depois das 21:30 em Paraty, mas, em contra-partida, logo tomamos conhecimento de todos os comentários dessa conferência e sentimos o burburinho que já havia quanto as críticas ao Fernando Henrique, então, leia-se: estivemos na conferência de abertura da FLIP! rs…

Logo de início aprende-se com a FLIP, o que não poderia deixar de ser, dada a dimensão do evento, que há um grande bastidor de críticos e fofoqueiros de plantão, aqueles que fomentam um grande material que vai desde as fofocas da coluna da Mônica Bergamo para a Folha de São Paulo até as críticas de porte literário.

Nessa atmosfera é permitido conhecer tanto das frivolidades que também caminham pela festa, quanto das excentricidades dos autores participantes. Nada passa despercebido, nem mesmo o suspiro da Isabel Allende pelo Manoel Bandeiras; tudo nos leva a concluir que conhecer das críticas envolvidas nessa esfera de diversidade literária é algo possível, basta ter ouvidos e olhos atentos para então conhecer essa espécie de submundo da FLIP.

Terminamos a nossa noite no Sarau Paraty, bar e restaurante de um francês, muito amável por sinal, algo não tão esperado dos franceses, rs que nos indicou um bom vinho, acompanhado de uma boa comida e aí o cenário FLIP esteve completo quando os nossos ouvidos foram embalados por um trio de músicos: um violão, uma bateria e um saxsofone (esse tocado lindamente por uma mulher, que, inclusive, toca com a Marisa Monte) e toda o mundo artístico e cultural que fomenta a FLIP estava formado diante dos nossos olhos e nos fez concluir que o melhor de tudo, apesar do cansaço, foi a intensidade com que vivemos essa chegada e sentimos que a vida é mesmo assim, feita de momentos que podem alimentar a um só tempo o corpo e a alma!

Aguardem o dia seguinte!

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