DIÁRIO DA 8ª FLIP – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY

Agosto 11, 2010

APRESENTAÇÃO

Falar sobre a experiência ímpar que foi para nós viver a FLIP em Paraty na sua 8ª edição é, inicialmente, falar da emoção que palpita no peito diante da festividade que as palavras podem causar em nós, mas, sobretudo, é falar sobre a celebração do encontro de ideias, do conhecimento, do encontro do homem consigo mesmo quando identifica em si o que há de particular em obras grandiosas como aquelas deixadas por Gilberto Freyre, principal homenageado desta 8ª edição e tantos outros.

O grande homenageado dessa FLIP – GILBERTO FREYRE, apontado como o mais literário dos pensadores sociais brasileiros, declarou certa vez que: “A escrita é meu veículo. Vaidosamente ou não, considero-me um escritor literário, com uma forma literária de expressão”.

O livro de apresentação da FLIP pontua quanto a escolha desse homenageado que: “era preciso escolher um escritor que tivesse feito da reflexão sobre o país a razão de ser da sua obra. Nesse contexto há poucos como Gilberto Freyre”. Assim, não resta dúvida que a 8ª edição da FLIP, elaborada pela professora Maria Lúcia Pallares-Burke, diante do homenageado escolhido e dos polêmicos participantes que lá estiveram, entre eles Robert Crumb e o ácido Terry Eagleton, foi vista como mais literária que as anteriores.

Mas a FLIP também foi palco para outros grandes autores que passaram por nós, como o saudoso poeta Carlos Drummond de Andrade, que ganhou voz na mesa 13, tendo Chacal, Antônio Cícero, Ferreira Gullar e Eucanaã Ferraz, como leitores de todas as poesias postas na sua primeira obra de poesia intitulada “Alguma Poesia” e autores que ainda estão entre nós, a exemplo da Isabel Allende e do Ferreira Gullar, que foram presenças marcantes na FLIP e ponto alto em suas apresentações e que tivemos a oportunidade de assistir na mesa 04 e mesa 13, respectivamente.

Ainda na Casa da Cultura – espaço paralelo à FLIP, aconteciam tantos outros debates e lançamentos de livros de diversos autores, mas o destaque principal foi a exibição do documentário Gilberto Freyre, o Cabral moderno, de Nelson Pereira dos Santos; Peter Burke, Joaquim Falcão e Rosa Maria Araújo falando sobre os livros Ingleses no Brasil e o Imperador das Idéias e ainda o ator Dan Stulbach lendo trechos do livro De menino a homem, o inédito livro de memórias de Freyre.

E para deixá-los com mais gostinho de FLIP, para aqueles que não tiveram a oportunidade de participar dessa 8ª edição, vale lembrar o que Liz Calder, presidente da FLIP, apresenta no livro da programação e que deixo aqui como prévia desse diário de bordo FLIP:

“O que acontece em Paraty em Agosto? Será que é algo que você já ouviu falar, que muda o seu modo de pensar e que pode até mudar sua vida, que o deixa acordado a noite inteira, algo que você sempre suspeitou mas que nunca quis perguntar, que o seduz, que choca, que explica, que faz você rir bem alto, que provoca, que conta um história e pode nunca mais acontecer, que lhe dá esperança, que o apavora, que faz seu coração bater mais forte, que o enche em compaixão, que lhe dá vontade de dançar, que mexe em suas mais caras convicções, que desperta a fantasia, que traz lágrimas aos olhos, que lhe mostra o futuro, que acaba com a sua paciência, que o deixa com calos nos pés? Será que é tudo isso e mais uma porção de coisas?…”

Não posso deixar de mencionar outro ponto alto da FLIP – Paraty! Um encanto de cidade, fundada em 1600, mas a ganhar sua maior importância apenas no século XIX, por servir de porto a levar o ouro de Minas Gerais a Portugal, quando passou a ser o segundo porto mais importante do Brasil, e quando o ciclo do ouro teve o seu fim Paraty passou a se dedicar a produção de cachaça.

Paraty, cidade charmosa marcada pelo seu centro histórico de muitas ruas que se entrecruzam e nos faz pensar que estamos num labirinto, ruas calçadas com pedras grandes que nos faz andar em S, sempre mirando o chão para não ir ao encontro dele e que encaminha os olhos a milhares de restaurantes charmosos, de decoração das mais variadas, bares, lojinhas de artesanato e decoração o que nos deixa quase zonzos quando se tem que decidir – o que fazer em Paraty?

Paraty é por si só pura beleza natural: uma linda baía de águas tranqüilas, cercada por pequenas ilhotas e montanhas, tendo como pano de fundo a vista da Serra do Mar – precisa dizer mais? Esse é o encanto de cidade que faz a FLIP ainda mais charmosa, que inspira aqueles que passam por lá, nem que seja por um breve instante, a escrever ou simplesmente a namorar a sua paisagem e acompanhar tudo que acontece nela, como até mesmo os meninos que brincam na beira do mar.

Paraty também é passeio de barco, e assim, numa fugida rápida, entre uma programação e outra, encontramos um tempo para contemplar o mar mais de perto – um breve passeio pela ilhas que circundam Paraty, em um daqueles tantos barcos de pescadores que ficam à margem do canal do rio à espera de mais um passageiro lá estivemos nós, por uma hora, a testemunhar o abraço do rio Perequê-açu com o mar, tendo como testemunha a Serra do Mar, que estende-se naquele longa margem e torna a paisagem ainda mais bela, contemplativa e muito misteriosa. Ahhhhh, Paraty é algo que faz qualquer um sonhar!

A seguir postaremos nossas experiências em cada um dos dias da FLIP!

Andréa Menezes e Jovino Pereira

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