“Um dia”

Julho 23, 2010

A vida segue insistindo em ser “um dia”…

…Um dia que encontremos coragem para fazer algo que faz parte daquela nossa “listinha” de coisas, como listinha de livros que ainda não lemos ou lugares que ainda não tivemos a chance de ir visitar. Um dia que teremos coragem de mudar algo em nossa vida que nos paralisa e impede de caminhar. Um dia em que as nossas metas e sonhos passarão para o plano da realidade.

Quero fazer dessa minha listinha um campo de possibilidades e não um campo de probabilidades, pois no provável, a meu ver, não saímos da imaginação, do que anotamos em um papel.

No futuro não pretendo me tornar aquela velinha saudosa, que fica sentada no extremo da casa ou debruçada na janela a lembrar do que poderia ter sido e não foi, como num daqueles personagens lindos de Eça de Queiroz. Esse deve ser o mais triste dos sentimentos, deve ser o mais infeliz dos instantes de um dia.

Sempre tenho essa sensação quando escuto alguém falar de um modo extremamente saudoso sobre aquilo que sonha fazer e não tem como algo realizável, mas não o tem, não porque não queira, mas porque ainda não despertou para o fato de que a intenção é um campo de possibilidades concretas, audíveis e realizáveis, que só depende de um único ser – nós mesmos!

Claro, tudo isso também se submete ao imponderável da vida, a todas aquelas coisas que já falei por aqui, que nos invade, escolhe pelo nosso dia, cujo controle não é nosso, pois há uma força divina, uma força motriz que dá conta de “deliberar” sobre tudo que se move dentro da gravidade do mundo.

E como não poderia deixar de ser, recordo-me da fala do filósofo Platão quando disse: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”…

Mas também não questione demais, apenas se mantenha “acordado” para os dias, como diria minha amiga Aline – “keeping walking”, mantenha-se assim, caminhando, pois se questionar demais correrá o risco de viver de menos.

Ás vezes o questionar nos tira da intenção, da sensação leve e gostosa de, simplesmente, aproveitar os momentos que a vida nos contempla e nos inunda pelo seu PRESENTE, aquele que pode, de fato, nos trazer a chance de esvaziar a mente e aproveitar plenamente cada coisa.

É tão curioso, mas ás vezes o momento presente passa por nós e apenas lá na frente nos damos conta de apreciá-lo, quando ele já se tornou passado, quando já se foi, quando aquela cena, lugar, pessoa, aroma, sons e cores, todo esse conjunto sinestésico de vida já estão no longínquo passado e não nos retorna mais.

Clamo pela coragem de perseguir esses dias, a intenção consciente e plena do que me faz bem, do que acredito que posso ter no hoje, que não adiarei para um futuro e que também não me lançará de volta ao passado, sobretudo porque “o momento presente é uma dádiva“.

Façamos a despedida de todo o “lixo” que nos toma a mente – arrumemos a casa e vistamos a nossa melhor roupa. Escutemos a melhor música. Façamos o melhor ambiente. Bailemos nessa valsa da vida, nessa dança que nos convida a existência bem vivida, a troca, ao amor, aquele amor que não vem apenas do outro, mas que carregamos no nosso próprio peito como garantia de que estamos vivos, pulsantes, reluzentes de intenção e vontade.

…Ontem a alma se abriu por inteiro
O vento fez passagem
Carregou o espírito por inteiro,
Do ser, não há nada
Apenas a dança da madrugada
Uma pequena lâmpada se acendeu
Um pequeno instante: a vida e eu
!

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Tentei não falar sobre esse assunto, mas como poderia não fazê-lo quando, irritantemente, a cada vez que ligo o meu televisor e deve acontecer o mesmo quando liga o seu e a perseguição da noticia é sempre a mesma – O CASO DO GOLEIRO BRUNO!!! E olha que foi parar até nos tablóides internacionais.

Sim, sim, o “CASO BRUNO”. Não me diga que você ainda não ouviu falar? Sim, o caso que conta com mais tempo nas informações do que o próprio Big Brother, o caso que vem sendo mais acompanhado que novela das oito.

Aquele caso dentre tantos outros que já foi a bola da vez e que também já foi esquecido, como o caso daquela jovem paulista que matou os pais para ficar com a herança (lembra o nome dela? também não me recordo!), como aquele do namorado de Guarulhos que manteve a namorada no cárcere privado porque não aceitava o fim da relação (lembra o nome dele? também não me recordo!). Sim, é mais um caso que a mídia sensacionalista, vazia de notícias aproveita á hora e a vez para expor á luz dos seus holofotes o famoso goleiro do Flamengo – o Bruno!

Segue a mídia roendo o osso, até o caroço, como abutres, como canibais frente a uma vasta presa e tudo isso propagado como notícia em destaque : Goleiro suspenso do Flamengo. É suspeito de ser o mandante do crime e ter presenciado a morte de Eliza. No Rio, foi indiciado por sequestro e lesão corporal em 2009. Em Minas, pode ser indiciado por sequestro, homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver (fonte: Folha.com)

A notícia perde o foco, a importância perde o corpo da razão e não temos tempo de refletir sobre a informação, não resta tempo para sensibilizarmo-nos porque tudo é banalizado, porque tudo é posto e reposto apenas sob a ótica dos olhos de quem faz a notícia.

Parece que todos esqueceram que somos seres capazes de interpretar, feitos de razão e emoção a compreender uma situação, um crime, uma catástrofe, mas não nos é dada essa oportunidade e nos põem como “marionetes”, aquelas que precisam ser conduzidas – pobres interlocutores!

Pobre de mim, de você, de todos que somos público alvo, pois não há como abrir um jornal, um site, seja que meio pretenda para está informado do que acontece aqui ou no mundo, que a perseguição permanece – O caso Bruno!

O verdadeiro bombardeamento da mídia decorre da obsessão que a “grande massa” possui pela miséria. Vive-se cercada por ela, basta olhar para o lado quando passamos de carro, do ônibus ou qualquer outro meio, simplesmente andando a pé pelas ruas do nosso país para constatar que – convivemos com a miséria lado a lado, mas essa miséria que vem da rua parece não mais interessar, não sensibiliza. Essa miséria não é dos
famosos, essa miséria parece não despertar a curiosidade, o interesse, e com ela convive-se de mãos dadas.

Claro que o caso Bruno desperta maior interesse porque nele se vê a miséria da alma, do indivíduo que, aparentemente normal, num instante da vida, deixa vir á tona a sua anomalia, e descobre-se como tal.
Nesse momento é importante saber – estamos diante de um psicopata? O conceito de Psicopata, Personalidade Psicopática e, mais recentemente, Sociopata é um tema que vem preocupando a psiquiatria, a justiça, a antropologia, a sociologia e a filosofia desde a antigüidade e esse tema seguirá sempre como pauta da vez porque sempre houve e haverá personalidades anormais como parte da população geral.(leiam: http://super.abril.com.br/ciencia/mente-mata-442855.shtml)

Platão, citado por Freud, na sua obra “A Interpretação dos Sonhos – Obras Completas de S. Freud – vol. V – Rio – Imago – 1972 – p.658, diz que o homem virtuoso se contenta em sonhar aquilo que o homem perverso realmente executa. Ou seja, os desejos inconscientes comuns a todos estão repletos de fantasias de assassinato e incesto, como se evidenciam, por exemplo, no complexo de Édipo.

A grande diferença entre o “homem virtuoso” e o “homem perverso” é que no primeiro tais desejos são reprimidos pelo superego e sublimados seguindo as exigências do ideal do ego, coisa que não acontece no segundo, cujo aparelho psiquico apresenta falhas nestas duas instâncias, devido a graves distúrbios no relacionamento com as figuras primárias.

Daí o verdadeiro show que fizeram dessa notícia. O povo precisa saber se o goleiro Bruno é o homem perverso ou o homem virtuoso. Apesar de até então parecer um ser normal, possui os seus desvios de conduta, a tal ponto de cometer um crime e agora vir a ser enquadrado como um psicopata e essa notícia é posta como algo que pode mudar a vida das pessoas – e pergunto: o que muda na vida das pessoas? Nada!

Insanos são todos os que, como verdadeiros abutres sobrevoam essas notícias e alimentam-se dela! Insanos são os que precisam manter essa informação como se fosse algo vital para se viver.

É preciso acordar para o presente, é preciso sair desse adormecimento coletivo, dessa cegueira coletiva do não pensar, do contentamento da notícia pronta.

O mundo clama por autodeterminação, clama por pessoas pensantes, por pessoas que abandonem o bizarro e lembrem de viver. O contexto não será mudado, o Bruno não voltará no tempo para desfazer o seu mal feito, e se pudesse nem sabemos se o faria, mas a mídia sim, essa seguirá sempre a mesma – ávida por suas cruéis obsessões, e nós, ocuparemos que lugar diante de tudo isso? Seguiremos nos contentando em ser marionetes dessas informações?

Vamos desenvolver o nosso senso crítico, vamos acordar para essa cegueira que diariamente nos convidam a participar porque se nos determinarmos assim, ainda confio que notícias como as do Bruno não serão tão importantes como insistem que sejam.

Passada a participação do Brasil na copa, o luto, as lágrimas e com elas a agonizante vibração brasileira na torcida pelo sexto título – tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Nada mudou! A esperança prossegue – olha o brasileiro pensando em 2014 e já prontinho para tocar pandeiro!

Não ficamos mais pobres, não ficamos mais ricos, não tiraram o feijão da mesa brasileira e nem a cerveja acabou. O país não prosperou e nem regrediu no seu desenvolvimento.O Brasil continua a ser notícia, ainda que pelo anuncio de ter postegardo o seu título para 2014. Sim, o Brasil já não está mais na copa, as malas foram feitas e os televisores já se apagaram!…Sim, a minha vida também prossegue!

Os jogadores não ganharam os louros da fama, mas também não perderam as verdadeiras fortunas que auferem mês a mês – as contas continuam gordas, apesar das vuvuzelas que de tão gastas não tocam mais para eles – murcharam de tristeza! De mudança, apenas o Dunga deixou a seleção e agora com tempo para cuidar das suas roupas, quem sabe passa a escolher melhor as suas vestes para pousar de técnico na tv, ahararrrrrrra.

Impressionante acompanhar a movimentação que o brasileiro bem sabe fazer em dia de jogo. Futebol, suor, cerveja, samba, alegria – todos os ingredientes que nos “vendem” lá para fora e estiveram presentes nos dias de jogo.

E como não poderia ser? Tudo isso é pela copa! Tudo isso é o gostinho de ser brasileiro – sim, brasileiros, aqueles que nunca desistem! Aqueles que nunca perdem o rebolado, aqueles do rebolationnnnnnnnnn!

Será que o brasileiro não desiste mesmo? Tenho cá minhas dúvidas! Ponho aqui expor uns tais poréns!…
O brasileiro não desiste do que? O brasileiro não desiste da imagem de ser o povo mais alegre do mundo, aqueles que desfrutam do título de melhores anfitriões – tão amáveis com os que chegam de fora e anunciam bem o seu carnaval?

Na terra brasilis já temos motivos demais paras sofrer: tem “mensalão”, tem desvio de dinheiro milhonário da previdência, tem dinheiro flutuando pelas cuecas do planalto, e são tantos os golpes que se o brasileiro fosse desistir deitaria na sua própria cova, bem funda, para despedir do seu samba e do seu carnaval. Talvez o que o brasileiro venha desistindo é de ser honesto, pois os exemplos de desonestidade são sempre tantos e constante que aqui vale mais a máxima de agir como o homem produto do meio.

Talvez seja hora de pensar que em matéria de futebol tudo é possível, assim como no Brasil, nos restando cantarolar o grandioso Chico Buarque no “apesar de você amanhã há de ser outro dia…” Apesar do futebol, apesar da nossa degradante política, dos nossos vergonhosos políticos, pensemos que sempre podemos ter e fazer outro dia. Em 2014 poderemos fazer outros dias de copa!

A propósito de outro dia, seguimos agora na persistência, vamos enfrentar as eleições, e aí sim, urge a hora de não desistir, porque mais uma vez não temos muita saída e tá na hora de colocar a prova a nossa persistência – Dilma Lula ou Serra Tucana?

Ahararrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaaaaaaa, passaremos por mais um carnaval, estaremos na festa do “colégio eleitoral”, e, como no futebol, lidamos com o provável e o possível, melhor presumir que ainda haveremos de assistir outros e melhores dias, pois ainda não será dessa que o Brasil terá algo de louvável para escolher.

E no mais, é isso aí, acabou a copa para os brasileiros, mas tá chegando o ritmo de festa para as eleições e queira o divino tenhamos motivos para comemorar. Se não houver motivos, haveremos de encontrar algum e que fique a certeza de que brasileiro ou não – nunca se pode desistir!

E viva a esperança de 2014 para o povo brasileiro!