4POR4 – DEBORA COLKER

Abril 6, 2010

Talvez essa seja a maneira mais ativa que tenha encontrado para retornar a minha escrita aqui no blog, pois a vida é assim mesmo, como tantas vezes ouvimos dizer – “a vida é como uma gangorra”.

Por certo, horas ela nos apresenta inspiração, horas quase nenhuma, horas exalando felicidade e horas a procura de uma. E não é assim que vão os nossos dias? Todos exercitando a tal humanidade, buscando o melhor, acertar, ser feliz e viver ao sabor da tal felicidade, que completa, que preenche e ocupa as arestas do ser.

Assim, realizando aqui o meu retorno a escrita criativa, depois de um longo período de “férias”, que foi além das minhas próprias férias, eu pego carona no mês intitulado como “da mulher” com data estabelecida no 08 de março, festejado como dia internacional da mulher e venho falar do espetáculo – 4 POR 4, que aconteceu no último domingo no TCA, produzido, obviamente, por uma grande mulher, a coreografa brasileira DÉBORAH COLKER, aquela que dentre tantas outras facetas, as quais citaremos logo abaixo, em 2009 criou e dirigiu o novo espetáculo do Cirque Du Soleil.

A sua marca registrada é a diversidade, superação dos obstáculos e movimentos do corpo, traço comprovado nas suas escolhas, pois cursou Psicologia, foi jogadora de vôlei e estudou piano durante dez anos. A partir de 1980, dançou, coreografou e deu aulas durante oito anos no grupo Coringa, sob a direção de Graciela Figueroa.

Em 1984, convidada por Dina Sfat para coreografar os movimentos da peça “A Irresistível Aventura”, com direção de Domingos de Oliveira, Deborah deu início ao que seria a vertente mais importante de sua carreira nos dez anos seguintes: diretora de movimento, uma expressão sugerida por Ulisses Cruz para definir seu trabalho. Como diretora de movimento, trabalhou com os principais diretores e atores do país em espetáculos como “Escola de Bufões” de Moacyr Góes, “Macbeth” de Ulysses Cruz com Antônio Fagundes, “Sonhos de Uma Noite de Verão” de Werner Herzog, “A Serpente” de Antônio Abujamra e “Uma Noite na Lua” de João Falcão com Marco Nanini.

O momento de fundar a Companhia de Dança Deborah Colker chegou em 1994, quando Monique Gardemberg assistiu a uma performance de seus alunos no Panorama da Dança RJ.

Em 1993, nasce nos salões do clube Casa do Minho, no Rio de Janeiro, onde Deborah dava aulas, o embrião do que seria a Companhia de Dança Deborah Colker, entrando em cena no projeto O Globo em Movimento no qual a Companhia estreou em 1994 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em programa duplo com o Grupo Momix.

Em 1995, devido à repercussão de seu trabalho, a Companhia conquistou o patrocínio exclusivo da Petrobrás, o que lhe tem possibilitado alçar grandes vôos e se firmar no panorama da dança mundial. Nesse espaço de tempo, a companhia se apresentou no Reino Unido, França, Alemanha, Áustria, Chile, Colômbia, Portugal, Argentina, Canadá, Estados Unidos, Holanda, Cingapura, Nova Zelândia, Macau, Irlanda, Japão e Uruguai, conquistando os muitos prêmios, dentre eles citamos o Prêmio Ministério da Cultura com Troféu Mambembe de 1997 – Rota e Laurence Olivier Awards – 2001 (Grã-Bretanha) Coreografia do espetáculo – MIX.

E é com toda essa bagagem cultural e artística que sentimos a maturidade da Deborah Colker, exposta no espetáculo 4POR4 e a sensação que permanece, e que partilho aqui com vocês, é de um riso nos lábios e o corpo em festa, pois assim é a dança, poderosa na sua arte de comunicar e a prova viva dessa comunicação é o espetáculo 4POR4 – comunicar nas nossas mentes as inúmeras possibilidades do corpo que interage com a arte!

Expressões do corpo que refletem o interior; movimentos perfeitos em harmonia com obras de arte que fazem parte do cenário e criam uma sintonia tal com o corpo que é impossível não emocionar. Obras de artistas plásticos brasileiros de diferentes épocas e focos são transformadas em danças: “Cantos”, baseado em Cildo Meireles; “Mesa”, em Chelpa Ferro; “Povinho” em Victor Arruda; e “Vasos”, em Gringo Cardia, e como se não bastasse a música é outra alta surpresa do espetáculo, que traz Deborah Colker ao piano interpretando uma sonata de Mozart para quatro bailarinas que dançam na abertura de “Vasos” a coreografia intitulada “As meninas”.

4POR4 é um presente que deveria ser oferecido a todos os brasileiros, aqueles que entendem das artes ou não (afinal o que seria entendê-la?) aqueles que gostam de um espetáculo de dança ou não, aquele que é negro, pardo, branco, mulato, rico ou pobre, culto ou inculto – não importa! Como disse Oscar Wilde “A arte é a forma mais intensa de individualismo que o mundo conhece”.

Celebremos a dança como a mais pura forma de arte e celebremos essa brasileira que faz bonito aqui e em qualquer parte do mundo, levando a nossa nacionalidade aos patamares que sempre almejamos – ao alto!

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