O LIVRO
    Falar sobre o filme Budapeste - roteiro foi idealizado por Rita Buzzar e, por via de consequência, falar de um livro do Chico Buarque, adaptado ao cinema e cuja estréia ocorreu no Brasil no último dia 22, trazendo para as telas o longa luso-húngaro-brasileiro, dirigido por Walter Carvalho, consagrado fotógrafo brasileiro, que assina o seu primeiro trabalho sozinho, talvez seja uma grande ousadia minha, mas tomarei essa liberdade porque, tratando-se de algo que clama por Chico Buarque, também clama por minha atenção, aquela de leitora assídua e expectadora fervorosa da sua poesia e existência.

    Essa é a minha visão apaixonada por um poeta que no meu entender não precisa pedir “licença” aos críticos para escrever, pois, ainda que como escritor, a meu ver, ele seja fragmentado - não produza obras com tamanha fluência poética como as letras das suas músicas - ele já conquistou no mundo o lugar de um imortal, daquele homem único por natureza, cuja a obra vive no hoje e sempre viverá no amanhã porque, simplesmente, tem vida própria, retrata o sentimento do homem: a vida, a prosa, o verso - tudo de uma maneira tal que não é necessário ser um intelectual e/ou poeta para compreendê-la, sentir já é o suficiente, e para mim é mais do que entendê-la - sentimos Chico Buarque!

    Com essa minha declaração de amor por sua obra, creio que posso adentrar, de início, não no filme propriamente dito, que para mim não brilhou nas telas apesar de/e sendo fruto de Chico Buarque, mas no livro..
    É sabido, penso eu, que não é nada fácil narrar como escritor quando se é poeta, pois perde-se muito da narrativa pela visão poética e adentra-se num mundo da imaginação que, possivelmente, o público não consegue captar.
    Talvez o o “pecado” do escritor, no exato momento da ficção, seja trazer à tona o poeta sem descortinar na narrativa a mensagem que deveria chegar ao leitor. Assim, sinto que o Chico escritor não comunica como comunica a sua poesia musical. E o que seria para mim o ato de comunicar? - trazer à tona emoção, a inventividade, que não necessariamente carece ser poética, mas precisamente, clama por ser compreensível - a narração fluente. Os livros do Chico não me comunicam!
    Para mim foi assim com o Estorvo (1991) e Benjamim (1995), e agora, confirmo, sobretudo depois de ver o filme adpatado ao cinema - Budapeste. Nem um bom livro e nem como um bom filme! Essa é a minha opinião, respeitando a todos aqueles que encontrem no grande poeta também um grande escritor, e que eu, confesso, até os invejo por isso, pois do jeito que admiro o Chico, também gostaria de encontrar acolhida nos seus livros.
    O FILME

    Agora, para quem pretende saber um pouco do que há no longa, posso contar que é uma estória que se passa no Rio de Janeiro e em Budapeste, e, usando as declarações do próprio diretor, que foram apenas a respeito da equipe, mas que estendo-as ao próprio filme - “uma verdadeira Torre de Babel". "Torre" ainda mais curiosa quando no emaranhado da sua narrativa, deparamo-nos com uma breve apariação do Chico em cena apenas no final do filme, a falar umas 20 palavras em húngaro, o que não foge da metade do longa - que é falada nesta mesma língua e que, segundo um ditado - é a única língua que até o diabo respeita.

    A idéia central do filme, em torno do seu protagonista principal, vivido no filme pelo ator Leonardo Medeiros - é a vida do “gost-writer”, ou seja, um especialista em escrever livros para terceiros; aquele que vive entre duas cidades, duas mulheres e múltiplos conflitos internos – viver a sombra, como autor anônimo ou revelar-se para o mundo como o autor principal que assume as suas obras como tal? Mas toda a sua “complicação pessoal” vai muito além de tudo isso, o conflito é interno, é moral, é unipessoal.
    Boa parte da história é falada em húngaro e, por curiosidade, em uma das entrevistas do ator (que faz o papel do José Costa) quando indagado de como fez para dominar a língua, disse de modo sincero: "eu não dominei". "Com duas semanas de aula, vi que seria impossível aprender. O jeito foi mergulhar nas falas do meu personagem".
    Bem, podemos dizer que, no mínimo, foi uma direção de bravura - gravar entre o Rio e Budapeste, diante de uma língua jamais dominada e uma equipe tão eclética, que buscava a própria arte de comunicar para fazer chegar as telas algo comunicável – não foi tarefa fácil!
    E contando uma curiosidae, uma das cenas que levou um ponto alto das filmagens, e, sobretudo da emoção do Chico, que encantou-se com o que viu (segundo fala do autor em entrevistas), é a cena da gigantesca estátua do Lenin - pai da Revolução Russa, desmontada, descendo o Danúbio em cima de um barco ( que levou um dia inteiro a ser filmada) e mais, custou a pequena fábula de 26 mil euros. A sensação que a cena nos deixa, ao menos que senti, foi de uma cidade “libertada” do regime comunista, do Lenin gigantesco, atravessando o Danúbio, como em marcha do passado que bateu em retirada para deixar passar o presente.
    Para concluir, penso que talvez o que viveu Chico na sua imaginação para criar a “Budapeste” que vemos no filme, seja algo que a nossa percepção, de meros espectadores, não consiga alcançar, mas posso dizer, sem sombra de dúvida, que a curiosidade de muitos ele continuará a atrair porque o seu nome - Chico Buarque de Holanda, é um daqueles raros, que apenas por existir e presentear ao mundo a sua arte, não necessita de muito mais para seguir sendo, pois ele, de fato - já é!
    Ainda que não produza mais a sua música, que resolva emaranhar-se no caminho obscuro do mundo dos livros, jamais deixará de ser, pois o seu legado é o retrato€ da existência de um homem único, e assim, pelo sim e pelo não - vi Budapeste, em referência ao poeta, sem pensar no que lá encontraria do escritor e recomendo a todos o mesmo.
    Caso vejam o filme, sugiro que assistam com generosidade, sem guardar maiores expectativas, com a mesma generosidade que me peguei praticando quando me pus a “criticar” por aqui e por aí o Budapeste.
    De melhor, fiquemos com a cidade que é tão linda e nem parece que foi destruída sucessivas vezes durante sua história e reconstruída na Idade Média com o nome de Peste, que em eslavo significa “ruína” e que com o tempo, em virtude de uma outra cidade que surgiu ao redor do castelo e que foi chamada de Buda, ou “forte”, na língua eslava, as duas cidades se uniram e formaram - Budapeste.

    Eis o que tenho de melhor a lhes contar sobre o livro: aguçou a minha curiosidade sobre a cidade e sobre a razão de ser desse nome tão sonoro: BUDAPESTE!

Essa semana começo aqui lembrando de um assunto que sempre trocávamos, eu e uma querida amiga – Angela (daquelas que para ser irmã restam apenas ausentes os laços de sangue) e  fazia parte das nossas conversas, digamos, “filosóficas”, naquela atmosfera tal do ser e do existir, que levavamos a cabo através da necessidade de compreensão, ao menos para nós – uma  reflexão que versava sobre qual o nosso lugar nesse largo mundo.

Falávamos, claro, sem desejar que isso fosse a nossa realidade, numa ironia que, em verdade, buscava  compreensão – do nosso desejo de ser uma “igual”, sair da rota da sensação “estrangeira”. Calma, eu explico melhor!

Sabe quando você não se enquadra em nenhum daqueles estereótipos da sua cidade, do seu país, talvez até mais, daquela maioria que habita o planeta chamado Terra? – Será que já deu para entender até aqui? Pois é! Ainda peço calma, pois também não somos alienígenas tipo saídas do filme “The War of the Worlds”, não descemos de nenhum disco voador para atuar como humanas aqui na terra. Ainda não!

A questão era falar como nos sentiamos  a fim de,  ao menos nos percebermos, como estrangeiras de uma mesma região. Sentir que não estávamos sozinhas, afinal de contas,  não é de hoje que já sabemos que todo ser humano necessita “pertencer”, e assim, trocando as nossas inebriantes confissões, nos sentiamos pertencentes a um mesmo mundo e nos riamos com isso.

Queríamos, quer dizer, aliás, no fundo não queriamos, mas pensávamos – como seria mais fácil viver enquadrada num mesmo “padrão da igualdade”, queriamos gostar das mesmas músicas da maioria, dos mesmos lugares da maioria, gastar o nosso “rico dinheirinho” como a maioria, dando o céu para ir a um show daquelas festas “casadinhas” da moda, me desculpem os que gostam, mas poderia ser algo como Ivete Sangalo e Jamil. Dar o reino por uma daquelas bandinhas da moda, flutuando num prazer quase delirante por frequentar o ” barzinho da moda” e lá exibir os nossos corpinhos sarados, claro,  sendo sempre da moda. Queríamos falar “ninguém merece” na língua da moda, com as expressões que me fogem agora!

Será que assim já começa a fazer sentido aonde queríamos chegar?

Não, não é nada fácil não pertencer, não entregar o reino por uma festinha da moda, não vibrar pela maioria das coisas que a maioria da pessoas ao seu redor estão vibrando, não é fácil não falar a mesma língua, não é fácil não desejar as mesmas coisas, não ir aos mesmos lugares, não participar das mesmas programações e não saber cantar a música da moda.

Quem disse que é fácil ser estrangeiro?

Calma, também não disse que somos melhores ou piores por isso, apenas quero dizer que aquela reflexão faz parte de um passado, que, permanece no nosso presente, porque não ser uma “IGUAL” é fazer parte de um mundo quase altista, em que poucos falam a sua língua, que poucos te entendem ou deixam espaço para que você, simplesmente – também seja!

Porque em meio a essa sensação, somos vistos, as vezes pelos nossos próprios amigos –  os que são da moda (claro que também tenho um amigo ou amiga da moda), como estranhos, como seres que estão concorrendo ao cargo de superior, quando na verdade, indago-me: é perciso haver alguém em condição superior?

Em verdade, o ser estrangeiro não busca nada disso, ao menos na compreensão que fazíamos, talvez tenha apenas a consciência solitária de que não deseja as mesmas coisas e que tem anseios outros pela vida, e que, simplesmente, são diferentes, e na maioria das vezes, para muitos – fora da moda!

 A questão posta não é quem tá certo ou errado, mas o divisor de águas que tudo isso gera dentro de uma coletividade – como conviver com as diferenças sem sentir-se “ESTRANGEIRO” e sem ser taxado como tal?

Não falo a sua língua, não faço parte do sua tribo, não gosto do que a maioria gosta, não leio as revistas que a maioria gasta o tempo passando as sua páginas –  trocamos Caras por Caros Amigos. Lemos do Eça de Queiroz ao Onfray, e daí? Um imenso abismo nessas diferenças?

Não vibro com a música da moda, não quero ser igual aquela moça da passarela, com as mesmas roupas e o mesmo brilho que ela, não assisto Faustão aos domingos e nem sei o que acontece e nem conheço os participantes do Big Brother, e quando encontrar essa maioria – será que eu vou ter assunto pra conversar?

Quero ser estrangeira sem parecer enfadonha, quero ser estrangeira sem ter que ser vista como superior ou alenígena, quero viver o meu mundo desigual, mas para tudo isso não quero divisores de águas, não pretendo pôr o outro à margem, porque com um “igual”, na sua condição de ser humano, e como tal – único, talvez também tenha o que trocar com ele, e como farei se ele também me põe distante do seu mundo?

A questão parece simples – mas não é! A filosofia continuará a circular nos seus inúmeros “por quês”, continuarei dando voltas pelo buraco profundo de Perséfone nos seus seis meses que contempla a vida no modo obscuro embaixo da terra.

Em verdade, esse assunto me veio, a propósito, depois da lembrança de um encontro que tive com a minha amiga Angela,  e veio para fomentar com vocês um debate, para trazer de volta essa nossa questão do passado, para talvez fazer com que você sinta que também pertence a um espaço, que pode ser ou não um estrangeiro, mas que de um ciclo ou outro, pode-se trocar, acima de tudo – idéias!

Seja no seu mundo ou no meu, continuaremos seguindo em busca de respostas, e se não for assim não tem muita graça, pois dizem que Deus gastou os 07 dias dele para fazer o mundo, e porque nós não podemos usar mais que sete vidas  para descobrir as nossas estranhezas dentro desse mundo?

Vamos todos (sejam os estrangeiros, sejam os iguais) marcar uma festinha que entre na moda? rssssss

Dedico esse texto com um abraço forte aos meus amigos, aqueles que são “estrangeiros” e aqueles que são “iguais” – e viva as diferenças porque elas estão cada vez mais na moda!

 

O amor quase perfeito bateu-lhe a porta

O homem quase pronto não permitiu a sua entrada

Esse homem  cultiva a solidão

Penetra na sombra da sua razão pela estrada do seu quase querer

 

O amor quase perfeito busca sua compreensão

Quase aceita, quase compreende, quase sempre

No seu mundo sem ar, de quase em sempre – escapa

Quase tudo, quase nada, quase é madrugada

 

O amor quase perfeito debruçou-se sobre o seu olhar

A visão quase era turva, mas  se via o mar…

Por sobre os seus olhos quase a névoa brusca da arrebentação

Quase tempestade, quase destempero, quase solidão

 

O amor quase perfeito não sabe como prosseguir

Ele quer seguir, mas não no quase, na plenitude

Mas o homem, quase perfeito,  não se deixa possuir

Tem a sua razão,  a sua quase companheira

 

O amor quase perfeito partiu sem dizer adeus

Mas foi só quase,  pois olhou para ele, fez um sinal

Na quase  fresta do seu olhar fez eco

E quase em silêncio saiu pela porta que estava  aberta

 

O amor quase perfeito deixou uma carta

O homem  sorriu e, em silêncio,  quase a abriu

No quase e sempre lhe faltou coragem – amassou-a

Foi melhor assim  – QUASE nunca saber se perfeito haveria de ser.

 

O amor prosseguiu e foi QUASE PERFEITO!

A própria Filosofia, vista como algo que tem como ponto de partida a vida, tal e qual ela é sentida e interpretada por cada um nós, nos últimos dias me remeteu a “impermanência” do nosso tempo, aquele que nos chega de modo ciclíco, sazional, apresentando-nos a vida de muitas e muitas maneiras…

Ao relacionar o tempo com a filosofia, recordei-me de Kant, filosófo que explicava que o espaço e o tempo pertenciam à condição humana sendo propriedades da consciência, e não atributos do mundo físico. Será mesmo assim? Será que fomos nós, simples mortais, que o criamos como modo de seguirmos uma rotação da vida? Platão a falar sobre o tempo, ainda a.C, nos disse que: “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel”. Já os físicos insistem em afirmar que o tempo não flui; ele simplesmente é. Shakespeare referiu-se ao tempo como “a ciranda do tempo”. E como esquecer de Santo Agostinho e a sua reflexão auto-biográfica sobre o tempo, expressa no Livro XI da obra “Confissões“ (recomendo a leitura) , lá os questionamentos dele, tão atuais quanto se hoje estivesse vivo, nos conduz a ver que o tempo nos escapa, que não podemos apreendê-lo, não há como medi-lo e nem mesmo como decifra-lo.

Nessa ciranda, apesar do tempo ser algo tão comum a nossa experiência de mundo físico, como pode ser ele algo tão difícil de definir?

Esses dias, em menos de 24 horas, vivenciei essa consciência do tempo, o tempo de chegar em uma cidade, realizar o trabalho que lá tinha por fazer, partir e chegar em outra cidade e, simplesmente, vivê-la na sua mobilidade. Isso trouxe-me a reflexão desse tal TEMPO – grande enigma da vida, horas é o nosso melhor amigo e horas é o nosso pior inimigo.

Quando estou em aeroportos não raro me vem essa reflexão, pois em um dado momento, quando seguimos como viajantes, a percorrer algumas cidades, por vezes chegando a cruzar outros continentes, perdemos um pouco a identidade desse tempo e de quem somos frente a ele, a noção flutua no senso de espaço e sentido, e flutuantes somos todos nós, ali, por entre as nuvens que vemos do avião.

Pensei sobre os ponteiros de um relógio que se segue a cada fração de segundo, levando consigo o nosso estado de ser, levando consigo cenas e situações que nos diz que nada poderá ser igual ao que vivemos minutos atrás, mesmo que venhamos a resconstituir a cena com o máximo de fildelidade ao quanto vivido no tempo anterior, nada poderá ser igual, simplesmente porque jamais estaremos iguais, nos também mudamos de muitas maneiras nesse TEMPO.

O nosso estado de ser, as nossas sensaçõesn- elas mudam de modo sublime, tão sublime quanto a vida, quanto toda a sua essência, que não raramente clamamos por respostas.

Mudamos em nossos estados de alegria e de tristeza, de buscas, de anseios, elegemos algo e depois, a seguir, já deixamos de o eleger, e tudo isso é belo, tão belo como saber que daqui a poucas horas, depois que tenha escrito aqui para vocês e que vocês me tenham lido, tantas e tantas outras coisas poderão acontecer a ponto de nem mesmo lembrarmos como estavámos nos tais minutos atrás desse tempo da leitura.

Já pensaram nisso? Pensaram como a impermanência da vida é algo belo e muitas vezes difícil de aceitarmos? Pensando sobre isso, para completar os cenários que vivenciei na minha imaginação de viagem através do tempo, uma música me chegou aos ouvidos – “The Scientist”, veio naquele instante em que refletia, através de um voz que gosto muito que é dos Coldply e nela um intrigante clamor: “Let´s go Back to the Start” e daí pensei – como seria voltar no tempo, como voltar ao início de algo? E na mesma música, mais a diante, há uma afirmação – “Nobody said it was easy”, não, não é mesmo fácil! O clipe dessa música é finalizado com um carro em marcha ré, o carro se desloca para o tempo passado como se fosse possível retornar a ele sob o ângulo em câmara lenta.

Como seria manusear o tempo, assim como fazemos quando acertamos um relógio? E vejam que mesmo nesse ato simples de acertar o nosso relógio, não podemos, simplesmente, registrar nele o nosso tempo, aquele que queremos – o que apenas podemos fazer é apontar o tempo cronológico da vida, aquele que nos faz mais velhos a cada aniversário.

Em meio a todas essas reflexões recordei-me da complexa e linda letra do Cateano Veloso – “Oração ao tempo”, a música é uma bela referência ao “Deus Kronos”, e para aqueles que não lembram, deixo aqui uma das minhas estrofes preferidas que diz:
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

O que seremos no amanhã desse tempo que já não terá sido? Realizaremos o “milagre” de segurar o tempo ou o tempo já nos terá tragado no que haveria de ter sido?

As reflexões do tempo, essas eu sei que sempre retornarão a memória do meu tempo, vez por outra me virá a chance de pensar melhor sobre ele, nem que seja apenas quando me perceba sentada no saguão de um aeroporto a espera de mais um vôo, na iminência de dentro de algumas horas me ver em outra cidade e perceber que o tempo passou tão rápido que não pude segurá-lo, mas na memória do tempo eu tudo terei sido e feito.

Finalizo então com a fala de Albert Einstein quando escreveu para um amigo e veio a expressar essa questão dizendo: “O passado, o presente e o futuro são apenas ilusões, ainda que tenazes”.

Agora, façamos o melhor do nosso tempo, pois ele não retorna as nossas mãos e não podemos segurá-lo, e nem guarda-lo numa caixinha, como possivelmente gostaríamos, assim como podemos, fisicamente, segurar os ponteiros de um relógio, então, para ele, nos cabe uma vida bem vivida, com o desejo e o comprometimento de sermos felizes; o fluxo pulsante realizará o melhor desse tempo, as vezes atentos a cada momento e as vezes relaxados, apenas sentindo-o passar e sabendo que, sem dúvida, ele nos trará e nos levará muito, mas, sobretudo, nos resta sempre a possibilidade de ser, ainda que não naquele tempo que gostaríamos que tenha sido…