Uma pausa para celebrar o Capão

Março 5, 2009

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Faz algum tempo que algo em mim clamava por conhecer uma vilazinha situada num vale, precisamente no coração do parque nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, a 445 Km da capital, cercada de montanhas, que tem um poder, diria que mágico diante das pessoas, um lugarzinho como uma espécie de portal e que abriga comunidades alternativas de ideologia natural para se viver, um pouco do que retrata essa linda foto, e que talvez Cazuza, se lá estivesse, sem dúvida, abrigaria a sua ideologia, aquela da aclamada poesia em forma de canção “ideologia, eu quero uma pra viver”, mas o meu momento de Capão, durante anos e anos, não  aconteceu… enquanto isso eu vivia em outros vales e tempos, talvez sem saber, fosse a minha preparação para, no momento certo, lá chegar  – o momento chegou!

Foi então nesse feriado de Carnaval que ele me aconteceu – bateu-me a porta – o Capão, uma resposta que veio assim, meio que sem esperar e que me fez sentir algo como «é isso, é esse o lugar para respirar e sentir o agora»

Penso que os lugares, assim como os acontecimentos em nossas vidas, eles só nos surgem no momento do tempo, aquele instante que nos chega como o ”ideal”, que muito certamente – acredito, não é escolhido nem por mim e nem por ti, mas por um relógio da vida que anda no seu compasso, num ritmo certo e que nos aponta a hora da chegada.

Aqui escrevendo, fico a imaginar que cada um que já esteve nesse lugar mágico, cada qual com a sua pequena singularidade, quem sabe lembrará ou saberá dizer, talvez com um breve riso no rosto, o que foi  vivenciar a energia dessa fonte, pois esse é um daqueles poucos lugares de encontro em nós, aquele em que jamais esquecemos, porque lá a natureza fala conosco, ela fala porque lá descobrimos que pertencemos ao todo o qual ela faz parte – não pense que é loucura, acontece mesmo!

Assim, falar aqui desse meu momento mágico de estada no Capão, que poderá identificar algo em ti ou em qualquer outra pessoa, ou quem sabe não, é para mim apenas uma forma de celebrar o “pequeno-grande” lugar, que não é nem meu, nem seu e nem de ninguém, mas do universo, que nos presenteia com fontes assim, catalizadoras de bons fluídos, que emana vida e irradia luz para cada ser que com ele se conecta.

Posso declarar que diante desse encontro muito pessoal, as vezes acontece, como senti em algumas pessoas, advir uma pergunta, porque o mental vem dar o seu alerta, tornando-se  improvável passar incólume a esse lugar sem pensar no que lá nos tornamos  – capônicos?

Muitos que retornam desse lugar sagrado, que chegam da sua “vivência” pessoal e das sensações que lá passam, seja pelo simples caminhar por uma trilha, a experiência de um trabalho terapêutico, um banho de cachoeira ou o ficar quieto, talvez chegue nessa ponto de questionamento pessoal, que, a meu ver, não tem uma única resposta –  O que é ser capônico?

Nós, humanos, precisamos sempre de um enquadramento – que necessidade profundamente humana essa nossa!  Mas se precisamos disso, e aqui, em alguns momentos posso me incluir, nessa humana necessidade, venho partilhar com vocês o que, a meu ver é  ser capônico.

Talvez seja apenas um estágio de abertura, talvez experimentar dentro de si algo que até então estivesse adormecido, mas calma, não é nada apoteótico, até porque, se isso não te acontecer não me culpe, eu não disse que teria uma outra conotação que não,  simplesmente, a descoberta que ser capônico é = ESTAR CONSIGO!

O ser capônico percorre as batidas de um coração, percorre o silenciar, o calar, o sorrir com leveza, o despredimento sem abnegação, a despedida de julgamentos, pois o lugar te toma e te chega assim, em forma de uma energia que não há como relatar com precisão o que é – sente-se!

Por fim vivi o Capão e se for necessário, para partilhar das histórias com aqueles que lá foram e ainda pretendem muitas vezes lá ir, posso dizer que me sinto capônica, que muitas vezes terei de retornar, pois esse lugar pode nos acompanhar pela vida afora, e um dia, quando eu não estiver mais aqui, ainda assim, recordarei com um riso no rosto – com um ar de brisa leve, que na Bahia, não tão distante do mundo dito civilizado, há um lugar de contemplação, de leveza, de paz, de encontrar amigos afins; há um lugar para caminhar sem pressa, para amar, com pausas para respirar, de espaços encantados de acolhimento – Lothlorien, com algo a integrar em nós, com o silêncio a falar por nós, que permanece vivo a espera do nosso retorno, que podemos ir sem necessidade de bater a porta, por uma única razão – a porta no Capão permanece sempre aberta, basta querer entrar!

Obrigado pelo acolhimento queridos capônicos! Obrigado ao Lothlorien pela modo dedicado e feliz como recebem! A minha criança segue em festa e agradece essa descoberta.

Agora, peço que olhem para essa vista como uma porta de entrada, pois o vale tá aí, aberto para quem quiser nele entrar, e para os que ainda não viveram essa experiência de vida – visitem esse lugar!!

 

3 Respostas to “Uma pausa para celebrar o Capão”

  1. Sonia said

    Andréa,
    Lindo o seu texto.
    Concordo absolutamente com você, este lugar é especial.
    Mas sou muito suspeita para dizer, não achas?
    Muita Luz para todos.

  2. Claudia Sisan said

    Adoreiiiiiiii !!!!!!
    como vc consegue expressar em poucas linhas esta experiência do “ser” capônico. Falou do tempo, na sua soberania e como vc acredita nele…me fez lembrar..

    ” O último dia do ano não é o último dia do tempo.Outros dias virão , e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida…”” Drummond de Andrade

    esse poema parece você…
    Expectativas, desejos, saudades, esperanças e generosidade tudo isto contido nesta tua crônica.
    Bjss

  3. castellan said

    Gostei muito de como falou desse lugar magico…
    Me trasportei e me coloquei no tempo e no espaco num estado caponico…
    Estarei quem dera , a contemplar estas lindas paisagens.
    OBRIGADO.

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