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Faz algum tempo que algo em mim clamava por conhecer uma vilazinha situada num vale, precisamente no coração do parque nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, a 445 Km da capital, cercada de montanhas, que tem um poder, diria que mágico diante das pessoas, um lugarzinho como uma espécie de portal e que abriga comunidades alternativas de ideologia natural para se viver, um pouco do que retrata essa linda foto, e que talvez Cazuza, se lá estivesse, sem dúvida, abrigaria a sua ideologia, aquela da aclamada poesia em forma de canção “ideologia, eu quero uma pra viver”, mas o meu momento de Capão, durante anos e anos, não  aconteceu… enquanto isso eu vivia em outros vales e tempos, talvez sem saber, fosse a minha preparação para, no momento certo, lá chegar  – o momento chegou!

Foi então nesse feriado de Carnaval que ele me aconteceu – bateu-me a porta – o Capão, uma resposta que veio assim, meio que sem esperar e que me fez sentir algo como «é isso, é esse o lugar para respirar e sentir o agora»

Penso que os lugares, assim como os acontecimentos em nossas vidas, eles só nos surgem no momento do tempo, aquele instante que nos chega como o ”ideal”, que muito certamente – acredito, não é escolhido nem por mim e nem por ti, mas por um relógio da vida que anda no seu compasso, num ritmo certo e que nos aponta a hora da chegada.

Aqui escrevendo, fico a imaginar que cada um que já esteve nesse lugar mágico, cada qual com a sua pequena singularidade, quem sabe lembrará ou saberá dizer, talvez com um breve riso no rosto, o que foi  vivenciar a energia dessa fonte, pois esse é um daqueles poucos lugares de encontro em nós, aquele em que jamais esquecemos, porque lá a natureza fala conosco, ela fala porque lá descobrimos que pertencemos ao todo o qual ela faz parte – não pense que é loucura, acontece mesmo!

Assim, falar aqui desse meu momento mágico de estada no Capão, que poderá identificar algo em ti ou em qualquer outra pessoa, ou quem sabe não, é para mim apenas uma forma de celebrar o “pequeno-grande” lugar, que não é nem meu, nem seu e nem de ninguém, mas do universo, que nos presenteia com fontes assim, catalizadoras de bons fluídos, que emana vida e irradia luz para cada ser que com ele se conecta.

Posso declarar que diante desse encontro muito pessoal, as vezes acontece, como senti em algumas pessoas, advir uma pergunta, porque o mental vem dar o seu alerta, tornando-se  improvável passar incólume a esse lugar sem pensar no que lá nos tornamos  – capônicos?

Muitos que retornam desse lugar sagrado, que chegam da sua “vivência” pessoal e das sensações que lá passam, seja pelo simples caminhar por uma trilha, a experiência de um trabalho terapêutico, um banho de cachoeira ou o ficar quieto, talvez chegue nessa ponto de questionamento pessoal, que, a meu ver, não tem uma única resposta –  O que é ser capônico?

Nós, humanos, precisamos sempre de um enquadramento – que necessidade profundamente humana essa nossa!  Mas se precisamos disso, e aqui, em alguns momentos posso me incluir, nessa humana necessidade, venho partilhar com vocês o que, a meu ver é  ser capônico.

Talvez seja apenas um estágio de abertura, talvez experimentar dentro de si algo que até então estivesse adormecido, mas calma, não é nada apoteótico, até porque, se isso não te acontecer não me culpe, eu não disse que teria uma outra conotação que não,  simplesmente, a descoberta que ser capônico é = ESTAR CONSIGO!

O ser capônico percorre as batidas de um coração, percorre o silenciar, o calar, o sorrir com leveza, o despredimento sem abnegação, a despedida de julgamentos, pois o lugar te toma e te chega assim, em forma de uma energia que não há como relatar com precisão o que é – sente-se!

Por fim vivi o Capão e se for necessário, para partilhar das histórias com aqueles que lá foram e ainda pretendem muitas vezes lá ir, posso dizer que me sinto capônica, que muitas vezes terei de retornar, pois esse lugar pode nos acompanhar pela vida afora, e um dia, quando eu não estiver mais aqui, ainda assim, recordarei com um riso no rosto – com um ar de brisa leve, que na Bahia, não tão distante do mundo dito civilizado, há um lugar de contemplação, de leveza, de paz, de encontrar amigos afins; há um lugar para caminhar sem pressa, para amar, com pausas para respirar, de espaços encantados de acolhimento – Lothlorien, com algo a integrar em nós, com o silêncio a falar por nós, que permanece vivo a espera do nosso retorno, que podemos ir sem necessidade de bater a porta, por uma única razão – a porta no Capão permanece sempre aberta, basta querer entrar!

Obrigado pelo acolhimento queridos capônicos! Obrigado ao Lothlorien pela modo dedicado e feliz como recebem! A minha criança segue em festa e agradece essa descoberta.

Agora, peço que olhem para essa vista como uma porta de entrada, pois o vale tá aí, aberto para quem quiser nele entrar, e para os que ainda não viveram essa experiência de vida – visitem esse lugar!!

 

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