A minha livre associação de temas…

Julho 14, 2008

Nesse mês de JULHO parece que houve um tema da vez, abordado por algumas revistas,  e mesmo que em prismas diferentes, a meu ver trouxe contribuições interessantes para uma reflexão, e eu, como leitora das revistas – “Vida Simples” e “Super Interessante”, resolvi fazer uma livre associação entre as matérias que me chamaram atenção e peço licença para assim o fazer, diante mão desculpem-me caso as minhas ideias não coadunem com as vossas, mas cada um é livre no seu associar.

A começar pela matéria que me chamou atenção na revista “Vida Simples” o tema clama: “Você não é perfeito. Por que desejamos (e raramente conseguimos) ter um corpo irretocável, um casamento de novela e um emprego de sonhos? A resposta pode estar na forma como nos relacionamos com o mundo à nossa volta”.

Nessa minha livre associação de temas, li a revista “Super Interessante” que touxe o seguinte título : “Terapia Funciona?”. Pensei na relação que um tema, efetivamente, tem com o outro, pensei nesses nossos tempos apressados, esse em que o eficientismo absorve a pessoa. A pessoa que só conta enquanto gera lucro e oferece vantagem.Talvez daí a grande necessidade dos nossos tempos em buscar na terapia um modo de cura para as anomalias da vida moderna, das ansiedades criadas pelos nossos desejos de conseguir isso ou aquilo, de ter sucesso frente a nós mesmo e ao outro. São as lacunas que vão eclodindo dentro de cada um e que nos faz cair num grande abismo, que muitas vezes não cuidado, não falado, não resolvido, pode trazer enorme estrago para a vida.

Na matéria da revista “Vida Simples” há uma abordagem muito interessante, trazida pelo educador Rubem Alves que indaga: como nasce a percepção dos nossos defeitos e limitações e o desejo de querer ser e ter mais? No prisma do olharmos para o outro, o educador vê na comparação um exercício dos olhos: “Vejo-me; estou feliz. Vejo o outro. Vejo-me nos olhos do outro. Ele tem mais do que eu. Ele é mais do que eu. Vendo-me nos olhos dos outros eu me sinto humilhado. Tenho menos. Sou menos. Ele mesmo só descobriu que era pobre quando deixou o interior de Minas para morar no Rio e foi parar num colégio de cariocas ricos. Então começou a se sentir diferente, falava com sotaque caipira, não pertencia ao mundo elegante dos colegas, sentiu vergonha da sua pobreza.”.

Bem, é para descobrir essas respostas, ou ao menos chegar num caminho mais próximo de as tê-las que a terapia é uma necessidade que surge como algo emergente dos nossos novos tempos, e com ela o encontro da escuta como um espaço de acolhida, como santuário silencioso e eloqüente. A escuta: uma terapia de cura do espírito e também do corpo!  Ansiosos por encontrar um respaldo para a própria vida acompanha o homem a constante preocupação do bem-estar, a preocupação da cura, a preocupação das doenças.

Diante da terapia o que nos cabe notar é que Freud inaugurou novos tempos: o tempo da palavra como forma de acesso por parte do homem ao desconhecido em si mesmo e o tempo da escuta que ressalta a singularidade de sentidos da palavra enunciada. Ocupou-se, em suas produções teóricas e em seu trabalho clínico, de palavras que desvelam e velam; que produzem primeiro descargas e depois associações. Palavras que evidenciam a existência de um outro-interno, mas que também proporcionam vias de contato com um outro-externo quando qualificado na sua escuta.

Esses tempos em Freud inauguram a singularidade de uma situação de comunicação entre paciente e analista. Um chega com palavras que demandam um desejo de ser compreendido em sua dor, o outro escuta as palavras por ver nestas as vias de acesso ao desconhecido que habita o paciente. A situação analítica é, por excelência, uma situação de comunicação: nela circulam demandas nem sempre lógicas ou de fácil deciframento, mas as quais, em seu cerne, comunicam o desejo e a necessidade de serem escutadas.

A capacidade de ir além da ciência de sua época está intimamente ligada à possibilidade de Freud de buscar nas palavras de seus pacientes e em suas próprias – mais do que padrões de adaptação à moral e costumes vigentes – uma fala atravessada pelo inconsciente e pela sexualidade: mensagens cifradas e enigmáticas que demandaram outra qualidade de escuta para serem compreendidas.

Ao se deparar com o sofrimento histérico, Freud põe-se a escutar um corpo que fala; nos sonhos descobre a capacidade dos elementos se condensarem e se deslocarem, criando uma outra cena; nos lapsos percebe a expressão de algo, via uma inesperada inabilidade na execução de atos ou falas até então exitosas. Ao dar cada vez mais espaço para o que escutava de forma diferente, no contato com seus pacientes, Freud pôde construir “tanto um novo ramo do conhecimento quanto um método terapêutico”.

A psicanálise surge e se desenvolve na escuta. A partir da escuta singular à qual se propõe fica a indagação que insiste e não cala: “A terapia funciona?”  A meu ver não resta dúvida que SIM, que falar é um método de crescer, é o escutar a si mesmo, e quando muitas vezes trazemos à tona o que sozinhos não conseguimos perceber.

Curar é outra face da evolução, que certamente pode ser confirmada, por exemplo, com a cura de pacientes com síndrome de pânico, mas a caminhada em si mesma já é o grande convite feito pela terapia, seja qual o método utilizado, o clássico – psicanalise ou os mais modernos, apontados como existintes em mais de 400 modelos para quem os procura e o alerta  importante não é o tipo de tratamento, mas a vontade do paciente em amadurecer, associado com a habilidade do terapeuta e da relação que será estabelecida entre ambos.

Fica aqui a minha pequena contribuição para a sua semana, a minha associação de temas para aqueles que gostam de divagar no pensamento. Quem sabe pensar como andamos a nos relacionar com o mundo a nossa volta e quais as necessidades que, naturalmente, temos, e quais aquelas que são criadas por nós, apenas por sermos frutos massificados do meio. O mundo não é todo o tempo cor de rosa para mim e nem para você, mas certamente também não o é para a moça e o moço da capa da revista de semblante sempre feliz e ar moderno.

Boa semana para todos!!!

“Travessia é tudo que existe” (Guimarães Rosa)

 

2 Respostas to “A minha livre associação de temas…”

  1. elaine said

    Olá. vim conhecer seu blog.
    beijos

  2. castellan said

    Achei muito boa feliz a associacao da autora!
    Hoje com o explodir da midia eletronica em milhares de lares vem criadno modelos de vida en todas as camandas da sociddade que ao meu ver bem artificiais. Todos queremos tudo muito rapido e perfeito , e esse desejos vem criando em larga escala uma grande ansiedade…podemos perceber, o quando isso nos leva ao abandono do propio “ser viver momento”
    A terapia ao meu ver e’ uma grande ferramneta, uma grande oportuniade de resgate do equilibrio de nosso eu verdadeiro , que so pode ser encontrado quando nos refletimos para dentro de nosso ser..

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