De volta ao nosso blog depois dessas duas semanas de férias, retorno aproveitando para cumprir a promessa feita quanto a revelação do filme, fruto da inspiração que me levou ao tema dos “Padrões Sociais”. Trata-se do filme sueco, que aqui no Brasil levou o título “A vida começa aos 40”, cujo título original é “Schwedisch für Fortgeschrittene”, ou aindaHeartbreak Hotel”.

Bem, vindo da Suécia o diretor Colin Nutley pode ser visto como um diretor de inusitada caminhada, pois firma-se como um dos mais importantes realizadores contemporâneos do país escandinavo mesmo sem falar sueco fluente, pois é um britânico radicado na Suécia. Há ainda uma curiosidade maior na técnica adotada por Nutlley, um método de trabalho simples, no qual o elenco só tem conhecimento sobre como será a cena três minutos antes da mesma ser rodada, quando o diretor discute com o elenco como seria a reação deles àquela situação na vida real e todo o restante vai por conta dos atores. Assim, vale observar através desse filme quais são os pontos positivos e negativos do tal método.

No mais, o dito é que Nutley já foi procurado por Hollywood, mas até o momento tem resistido a “venda da sua alma”, já que seu gosto é mesmo  trabalhar na Suécia e fazer os filmes a seu modo, tão peculiar, com pouco de roteiro e muito de improviso e que, a meu ver, faz uma boa diferença quanto ao que estamos mais acostumados a ver nos cinemas.

Gosto, particularmente, desse improviso, que nesse filme, nos rende muitas gargalhadas. Divirtam-se vocês também, não deixem de assistir ao improviso sueco, se assim podemos dizer, que, acredito eu, os levará a pensar nos tais padrões sociais e cada um terá o seu – ponto de vista! Vale a reflexão divertida e emergente, mas valem ainda mais as risadas inesperadas. O filme é, sobretudo, muito divertido!

A estória centra-se numa médica ginecologista  Elisabeth Staf, que indo ao casamento do filho, como se fosse um batizado enfadonho e meramente obrigatório, estaciona o carro as pressas em um local proibido e segue em direção à igreja, mas a pressa não a impede de argumentar com a fiscal de trânsito – Gudrun. para evitar a multa, mas o seu vocabulário com fiscal transforma-se num bate-boca com direito a tapa e xingamentos, e é assim as protagonistas do filme são logo de início apresentadas.

O encontro dessas duas personagens, Elizabeth – a médica, e Gudrun – fiscal de trânsito, que, na verdade, aparentam bem mais que 40 anos, não termina por aí. As duas, de personalidades opostas, se encontram novamente numa consulta ginecológica, situação ainda mais inusitada, que proporciona muitos risos no cinema, e a partir daí a desavença inicial será esquecida em prol de uma amizade avassaladora, totalmente irresistível, do tipo que não acontece muitas vezes, ainda mais para duas mulheres acima dos 40 anos, numa cidade fria como a Suécia. Além da idade, as personagens descobrem muitas coisas em comum, e tudo isso é revelado na animada pista de dança do  Heartbreak Hotel, discoteca que passam a frequentar juntas dissipando a solidão das geladas noites suecas.

O tema não necessita de desenvolvimento mais profundo, pois os diálogos e situações em que as duas se metem mostra com clareza qual a proposta do filme, e vale questionar o padrão social que as duas estão a romper. Vale observar o que seria o nosso conceito do permissível naquela idade e do desejoso, sem que haja uma necesidade de julgamento interno ou permissão para tanto. Fico com a felicidade! Em prol desta, presumo que vale tudo, e o que os outros vão pensar, isso parece sem importância tamanha a grandiosidade do sentimento em questão – a vida clama por ser vivida e para ela não há idade!

Agora corram para assistir e acredito que terão direito a boas risadas!

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A Liberdade

Junho 25, 2008

 

 A Liberdade

De quem está preso à vontade,

De alguém que perdeu a dignidade,

ou espera pela sua verdade.

 

A Liberdade

 

Pode ser uma eternidade

Num segundo, num minuto,

num momento derradeiro

que escapa com intensidade

 

A Liberdade

 

O que é esta palavra?

Ócio? Preguiça? Leviandade?

Para dizer a verdade,

Nem eu sei o que pensar.

Muitos vivem sem ela,

Outros nem nunca ouviram falar.

Poucos têm e não aproveitam

Outros procuram e hão-de achar.

 

A Liberdade

 

Eu tenha-a no pensamento

e invento formas de estar,

sem ela se tenho medo,

com ela para arriscar.

 

A Liberdade

 

Para escrever o que quiser

Sem me preocupar,

com análises estudiosas,

com as rimas emparelhadas,

com estrofes milagrosas,

com críticos sapientes.

Apenas, porque a liberdade

é aquilo que eu quiser,

sem nada para me ditar,

regras, normas em questão.

Escrever porque tenho vontade,

e se me dão permissão…

mostro aqui  o que faço,

não aguardo opinião,

mas se quiserem, porque não?

 

 

Feira do livro

Junho 12, 2008

Interrompemos a emissão para o convidar a passar no próximo Sábado, dia 14 de Junho, na feira do livro em Lisboa para um sessão de autógrafos com os autores do livro. A sessão terá lugar às 17:00 no pavilhão n.º 121 da Contra Margem.

Um pouco de poesia…

Junho 8, 2008

 

[tempo.jpg]

O TEMPO

Ah o tempo!

O tempo, maior aliado e escudo do meu momento,a intersecção que corta tudo, as velas que se atiro ao vento. Sigo sem pressa no meu vão momento…

Ah o tempo!

Me perco e me busco no meu próprio contentamento.
Os receios impediram e paralisaram muito do meu
tempo, mas no instante o reencontro no meu novo momento…

Ah o tempo!

Senhor dos senhores, muitas vezes traz de novo tudo aquilo que quase já não me lembro, promessa de um novo caminhar. Cicatriza tudo, como unguento refaz tudo de novo…

Ah o tempo!

Agora o tempo revela o quanto mais posso ser do
meu novo saber, do meu novo mundo, aquele que me faz encontrar aqui, agora, parte do meu TEMPO em um novo e sagaz momento…

Ah o tempo!

Anunciador de boas novas, que varre o velho e traz o novo com promessa e anunciação de novidade…o tempo lúcido, o tempo real, o tempo que não conto, que não contamos, o tempo que perde-se por momentos, é o tempo sempre a contar a favor…

Ah o tempo!

E passam os segundos, os minutos, as horas, nada será igual, nada será parecido com o que já foi, a leitura do tempo não poderemos fazer, não poderemos contar, mas uma coisa é teremos sempre como certo, em fração de segundos tudo será passado e a vida trará mais um novo momento…

Ah o tempo!

 

Os Padrões Sociais…

Junho 3, 2008

A vida é vista no cinema. Encantador o papel que um filme pode ter em nossas vidas, nos faz pensar, repensar, mergulhar com os nossos “botões”, criticar em nossa mente, aceitar, transporta-nos para aquela vida que nos é apresentada a sacudir algo em nós. É o que acontece comigo e, acredito eu, com muitas das pessoas que conheço, que também dizem sair do cinema assim, digamos com aquela vontade de filosofar sobre a vida consigo mesmas ou com o outro, ou de quem sabe tentar entendê-la ou melhor vivê-la…

Dessa vez ainda não lhes vou revelar o nome do filme que me traz aqui a escrever por esse tema, até porque, com a correria típica da segunda-feira, quase não conseguia chegar a tempo de trazer algo para o nosso blog, mas é certo que o tal filme me trouxe um tema vasto Padrões Socias, aqueles esperados senão por todos, mas pela maioria da sociedade.

Será que a maioria das pessoas, como eu, questiona até onde são livres? Será que somos livres? Apesar de sabermos que temos o livre arbítrio para decidir sobre tudo aquilo que queremos fazer, acredito que nem sempre ele atua livre para o nosso desejo, porque vivemos em um mundo onde é necessário obedecer às regras, os padrões sociais que surgiram sabe-se lá a partir de quando e parecem terem sido criados para domar a liberdade do homem e muitas vezes frustra-lo pelas eminentes diferenças.

Somos submissos aos padrões sociais?

A sociedade espera que todos tenham filhos, constituam famílias, comprem a sua primeira casa e quem sabe acumulem o seu primeiro milhão. E se o indivíduo for feliz optando por não ter uma família, e se o casal não quiser filhos? Tudo isso pode ser muito bom, pode ser necessário para muitos dos humanos, mas não para todos – já pensaram nisso? Já pensaram numa publicidade que não mostra a família feliz ao redor da mesa a descobrir a margarina perfeita e ao invés disso anuncia um quarentão feliz, sozinho, tomando o seu café da manhã com um pão quentinho repleto da tal margarina, lendo o seu jornal na mesma mesa? Será que a apelação do padrão resiste a isso? rss

E se o casal padrão por acaso resolver tirar férias em separado? Talvez cada qual resolva aproveitar ao menos uma, dentre tantas férias que já tiveram juntos, para acompanhar um grande amigo ou amiga que há muito recorre aquela proposta de uma viagem cúmplice apenas entre amigos. 

E se a aquela mulher resolve sair para dançar sozinha?  E se aquele homem, num domingo qualquer, resolve ir ao cinema sozinho? E se um “senhor” ou “senhora”, acima dos 40 e poucos resolve mostrar as suas habilidades numa pista de dança? Será que tudo isso chegará a sociedade beirando o ridículo?

Aos 30 anos todos já devem ter uma família constituída, uma posição profissional de destaque, uma relação marital sólida e, talvez, dois lindos filhos concebidos?  Eu sou eu e minhas necessidades? Ou eu sou eu, as minhas necessidades e aquelas que todos esperam que sejam as minhas necessidades?

As vezes nos surge o renascer para um novo desejo, o da identidade de nós  mesmo, e nesse ciclo surge-nos o desejo de corresponder à imagem do “homem de bem” e da “mulher de bem”, aquelas imagens criadas na nossa sociedade, para que a rejeição não ocorra, e nasce junto aquele medo de não ser como os outros, o medo de não parecer de acordo com o que é considerado “bem” dentro dos padrões sociais esperados e essa apelação em nós em tão forte.

O medo da rejeição pelo grupo, do ostracismo,  da rejeição da sociedade por não seguir aquele padrão social esperarado, e surge o nosso conflito maior, pois muitas das vezes o homem se vê impelido á uma ação que não é propriamente a que queria, mas aquela que todos esperavam dele.

Hoje, para completar as idéias que me surgiram quanto ao padrão social  um amigo telefonou, contou-me do seu conflito ao decidir que vai separar e confessou que casou para cumprir um padrão social, quando a chegada dos 30 era iminente e com ela as cobranças de todos: família, amigos, todos esperavam dele o padrão do “homem de bem” e ele seguiu exatamente o padrão, casou-se com o padrão, mas não com a mulher que amava, atendeu o clamor social e seguiu o roteiro esperado, agora a separação é o caminho a ser perseguido, a condução  para a libertação daquilo que ele não desejou á época, mas o padrão foi cumprido.

De todo modo, mais uma vez ele disse: “sabe, até que não estou tão fora do padrão, pois agora a sociedade também anda a espera que o casamento não dê certo e as pessoas se separem” Será que com essa nova idéia estamos a construir um novo padrão social? Ainda disse-me ele: “serei eu o antônimo do padrão do bem ou a versão moderna de um antigo padrão social? rss”

De minha parte, continuarei a pensar sobre isso, quem sabe descobrir quais os padrões socias que almejo, sim, porque não estou aqui a dizer que eles nos sejam apenas daninhos – não! O que estou aqui a pôr em reflexão é o quanto a escravidão pelos padrões sociais pode ser negativa para um vida, pois se o roteiro da vida não seguir o padrão, homens e mulheres, todos terão mais uma razão para frustrar-se.

Nunca é tarde para descobrir qual é mesmo aquela escolha que estamos perseguindo, afinal, não há uma vida para ensaiar e outro para viver, há a vida de agora, aquela que clama por ser vivida.

Abaixo o padrão social! Será? Seremos mais livres assim? Seremos mais felizes? E se não, e se tudo que quisermos for mesmo seguir ou experimentar um padrão social? Se for isso – ótimo, ao menos a resposta terá sido encontrada, se não for, descobriremos em nós qual o próprio padrão, aquele que nos conduzirá por uma vida bem vivida…

A propósito, em breve virei aqui a revelar o filme que me deixou um par de horas a pensar no tal padrão social, acho que devo dividir isso com vocês – aguardem! rs 🙂