“My Blueberry Nights”

Maio 26, 2008

 

Um dos diretores mais festejados da atualidade, Wong Kar-Wai, que vem acontecendo nas estréias esperadas no Festival de Cannes, em “My Blueberry Nights”, no Brasil com o título de “Um Beijo Roubado”, não deixa de seguir a regra, e mesmo não arrebatando os corações dos seus espectadores como em “Felizes Juntos”, “Amor a Flor da Pele” e ainda “2046”, sempre é clara a sua opção pelo amor como tema, em um tom extremamente sensorial, com contrastes marcantes, feitos de sons e cores fortes e realçadas em “My Blueberry Nights” com letras das vitrines de um bar e os reflexos nos capôs de carros, parece a sua versão ocidental do retrô ao modo chinês, no seu primeiro longa falado todo em inglês.

 

Por ser um diretor estrangeiro, sem interferências de Hollywood, traça um verdadeiro balé de imagens, valendo-se ainda da bela trilha sonora do habitual colaborador de Win Wenders, Ry Cooder. O estilo de  Wai é  próprio em audio e movimentos marcados de imagem refuscantes, que nesse filme encontra nas janelas, vidros e nos neons da Grande Maçã um correlato perfeito para sua idéia.

 

Em My Blueberry Nights vemos uma entrega melancólica que nasce de um desamor, no qual a personagem Elizabeth (Norah Jones – que nos prova que é bem melhor continuar na música do que nas telas de cinema) é uma jovem que após o término de um caso de amor, onde ela parece ser a única machucada, procura abrigo onde possa ancorar suas mágoas deixando a chave da casa, que marca o “luto” desse amor no bar de Jeremy (Jude Law), que “coleciona” tantas outras chaves em sigificados diversos como aquela, também é um solitário que recebe a dor abstrata de Elizabeth e desse encontro, em contra-partida, fica um sabor da torta de mirtilo (a ‘blueberry’ do título original) especialidade de Jeremy.  

 

O filme vai percorrendo a trajetória de Elizabeth que pefere sumir pelo mundo, partindo de New York, cujos dias e os milhares de quilomêtros percorridos são marcados pelo filme a fim de retratar a busca de si mesma, aquela que ela julgava perdida com o fim da relação.

 

No elenco, no desenrolar dessa viagem aparecem atores do nível de David Strathairn, Rachel Weisz  e Natalie Portman em interpretações que valem a nossa atenção. Fica claro com o trabalho de  Wai que ele é um cineasta de obsessões e assim, transfere essa paixão aos seus personagens, apresentando tipos incorrigíveis, condenados a amar, e no desenvolver do enredo é assim que Elizabeth aparece, com o seu próprio desamor refletido em estórias de outras pessoas e ela passa a ser mera coadjuvante daqueles quadros pintados por Wai, em dialogos que sugerem possibilidades diversas de visão do seu público.

  

Para alguns pode ser que não estejam diante de um dos grandes filmes do ano, mas a meu ver não é por isso que podemos deixar de conferi-lo,  pois apesar da falta de carisma e talento de Norah Jones, como já dito, que não se comunica com o seu público, vale a doçura do beijo para o final do filme, e se contei muito por aqui, permitam-me, não encontrei outra forma de os fazer perceber que Wong Kar-Wai, apesar de ainda “estreante”, é talentoso e consegue comunicar o tal beijo com pano para muitas interpretações e para quem gosta de uma carga dramática ao amor, na atualidade, ele consegue passar o seu peso…

 

 

Ah, já estava a esquecer de algo, o beijo é o melhor dos sabores que saímos do cinema, e não digam que Wai não conseguiu arrancar um forte desejo na platéia – qual será? rss  Até a próxima segunda, ou quem sabe, antes disso! See you!

 

 

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