Onde estava no 25 de Abril?

Abril 23, 2008

 

 

 

 

Ficou celebre esta pergunta de Baptista Bastos. Herman José caricaturou vezes sem conta num sketch televisivo.

Agora, nas vésperas da comemoração dos 34 anos do 25 de Abril ou Revolução dos Cravos como também é designada, lembrei-me de perguntar a 3 pré adolescentes de doze anos, colegas do filho de uma amiga minha, seria ridículo fazer a pergunta do Baptista Bastos, mas avancei com a dúvida: O que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974?

 

Dois deles meio esquivos, inventaram desculpas para sair dali. Insisti. Disseram que não eram nascidos, não se lembravam. – Não sei se devo ficar preocupada, tentei o outro.

Mais folgazão, despreocupado, estava entretido a limpar o óleo da bicicleta quando lhe perguntei. Olhou para mim de cima a baixo, com aquele olhar critico típico de adolescente e diz pausadamente:

– Sei que foi uma revolução de uma flor qualquer, mas não me lembro qual. E continuou nos seus afazeres. Eu tive que me segurar para não cair ali. E assim vai Portugal.

 

Eu pela idade que tinha não poderia fazer muita coisa, a não ser observar a agitação ouvia à minha volta.

 Lembro que estávamos no Porto contava 24 dias, ainda nos instalávamos. A minha irmã frequentava já a escola primária no Amial, o processo de transferência estava concluído. Tudo era novo, estranho, os amigos e família tinha ficado para trás, em Lisboa.

A casa era demasiado grande em relação ao que tínhamos deixado. Existiam divisões que teriam que ficar nuas por mais algum tempo.

 

 A rádio transmitia informação sempre actualizada, para mim era uma ladainha incompreensível. Mas minha avó “pregou-se” à telefonia; estava preocupada com os amigos e vizinhos que tinha deixado no Castelo. O cenário agigantava-se perigoso, derradeiro, dantesco, uma guerra, assim era descrito quando telefonámos para a mercearia para saber as boas novas da revolução:

 

– D. Maria José, por aqui os mais velhos não saem de casa nem por um decreto. Sabe-se lá o que estas coisas podem dar. Não. Estamos velhos para “guerras”, queremos é sossego que a vida já nos dá demasiada luta. Os rapazes e raparigas foram todos. Há muito movimento lá para a baixa.

 

– Fazem bem. Só queria saber se estava tudo bem com todos. Sabe como é, agora aqui tão longe. Se houver novidades diga-me.

(Não haviam auto-estradas, para os que não conheceram esta realidade, uma viagem Porto – Lisboa demorava em média 5 horas pela estrada nacional).

 

 No Porto também o movimento era intenso, lembro-me ainda que vagamente a minha mãe dizer que tinham tomado de assalto o aeroporto, a RTP e a Rádio Clube Português. Rapidamente o povo saiu à rua, nem todo, muitas pessoas tinham medo do que aquele movimento libertador poderia dar, a ditadura deixa as suas marcas colectivas.

A revolução dos cravos não foi só naquele dia, houve consequências próprias de um país em convulsão que tenta encontrar o seu caminho. Aí sim, a minha mãe tornou-se uma activista. Mas essa história fica para outra altura.

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