Este é o dia mais complicado da minha semana. Sem dúvida, que a quarta-feira é contada ao cronometro e uma falha estraga-me os planos.

Mas este é o dia do meu conto no nosso livro, Taxicidade. Como tal, hoje, cabe a mim escrever uma crónica no nosso blog.

 

Este exercício de esticar o tempo, quando ele é apertado deixa-me inquieta.

 Penso sempre no que vem a seguir. Esgueiro-me por entre o ritmo dos ponteiros do relógio no seu compasso, para tentar realizar o que me falta. Ás vezes sem sucesso, ou apenas, parte dele. Sim, porque nestes dias sempre algo de imprevisível acontece.

 

Levantei-me mais cedo e vou escrevinhando num bloco gasto e riscado alguns gatafunhos para este espaço, por entre uns golos no café com leite e mordidelas no pão com manteiga.

Decidi rapidamente sobre o que ia escrever, porque a todos nos toca de perto: uns nos dias, outros noutros.

 

 Apesar do cansaço, roubo ao meu sono o tempo que preciso para as tarefas inacabadas. Faço-o por mim, por uma forma de disciplina. Aprendi que sem método de trabalho, o talento de pouco vale. Sem determinação, força de vontade ou uma rota bem delineada, o querer não tem capacidade suficiente para chegar à meta.

Às vezes, dizem que sou rigorosa demais, que amanhã também é dia. Mas eu sei, que se falhar uma vez é o início de muitas.

Então, nunca falho? Nunca esqueço? Nunca adio? Claro quem sim.

 

Neste amalgama de actividades diárias há sempre alguma que fica para depois. E depois?

Depois….tenho a roupa no estendal uma semana entre chuva e sol, quando vou por ela já tem teias de aranha. Volta para a máquina.

Ando com o pneu suplente na mala do carro, porque anteontem tive um furo na auto-estrada, eram 1 e 30 da madrugada, e se tenho o mesmo azar vou a pé para casa.  

O meu afilhado, Gonçalo, já habituado às minhas hesitações temporais, espera pacientemente que lhe leve a prenda de aniversário desde dia 21.

A minha irmã está sobrecarregada com as minhas faltas.

Ando desencontrada do Paulo.

Nunca mais fui tomar café com o Rui, a Xana, a Nilce, a Tucha, o grupo Taxicidade, faltei aos anos do Carlos. Querem mais?

Até quarta!

Bom fim-de-semana e um excelente feriado. Aproveitem o 1 de Maio para reivindicar e mudar de vida.

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Assistimos em Portugal, há meses atrás, o “Caso Mad”, como protagonista Madeleine MacCann, a garota inglesa, de apenas 4 anos, que, no dia 03 de maio de 2007, estranhamente, desapareceu de um quarto de hotel de luxo num complexo turísitico da Praia da Luz no Algarve, Portugal, quando no momento de seu sumiço, seus pais, os médicos Kate e Gerry MacCann, haviam saído para jantar num restaurante próximo do local. A criança sumiu sem deixar vestígios e a notícia de um sequestro veiculada nos meios de comunicação social foi de comoção mundial, acompanhada por milhões de pessoas em todo mundo.

Muitas buscas, mobilização mundial em torno do caso e notícias diárias na midia possibilitaram que o caso não fosse esquecido, que as investigações avançassem e assim, surpreendentemente, a polícia portuguesa ampliou as investigações e os peritos, após encontrar sangue no quarto do hotel,  passaram a acreditar que a menina pode ter sido morta no local e no decorrer das investigações, as provas apontaram, desde setembro, os pais de Mad, como suspeitos, e após depoimentos exaustivos de mais de oito horas para cada um, foram constituídos arguidos e também entraram na lista de suspeitos pelo desaparecimento.

Parece que o caso anda longe de uma resposta, de uma conclusão e a polícia portuguesa acredita que a essa altura Med talvez já não esteja viva, e é assim que uma suspeita “mostruoso” paira diante dos pais de Mad, uma possibilidade enorme de que tenha sido mais um crime cometido por pais contra uma filha menor, indefesa e sem razões aparentes ou por quês.

Agora é o Brasil que protagoniza uma história “macabra”, digna de filme de suspense tão surrealmente imaginado.

No dia 29 de março último, as 23:30, na cidade de São Paulo, a menina, Isabella Oliveira Nardoni, cai do sexto andar sobre o gramado em frente ao prédio, chega a ser socorrida, mas morre pouco depois. O pai da menina e a mulher (madastra de Isabella) vão à delegacia, onde dizem que alguém jogou Isabella do sexto andar, mas não sabem quem foi.

As investigações começam e os peritos descobrem que a tela que havia na janela do quarto dos irmãos de Isabella foi rompida, não do quarto da menina. Recolhem a tela e alguns utensílios de cozinha que possam ter sido usados para fazer o corte.Também levam amostras do sangue encontrado em vários pontos do apartamento e as roupas da criança, entre elas uma camiseta rasgada nas costas.

Passados sete dias de investigações, depoimentos do pai e da madastra, de testemunhas, laudos periciais, etc, o laudo do Instituto de Criminalística, constata que a menina sofreu um processo de esganadura durante três minutos dentro do apartamento, o que ocasionou uma parada respiratória e em seguida foi jogada da janela do apartamento e a queda ocasionou um politraumatismo, com lesões nos órgãos internos, e mais, segundo a polícia, não havia mesmo uma terceira pessoa no apartamento naquela noite de sábado, 29 de março, assim como foi constatado que a pegada no lençol da menina era do chinelo de Alexandre Nardoni, pai da garota, além das marcas da rede de segurança da janela do quarto que a menina foi lançada encontrar-se na camisa do mesmo, e mais, os laudos apontam ainda que as marcas no pescoço da garota são compatíveis com as das mãos da madrasta, Anna Carolina Jatobá.

Após tais evidências das provas e os depoimentos em que, pai e madastra ficaram por mais de 08 horas a responder as perguntas dos delgados que conduzem o inquérito, o  indiciamento do pai e da madrasta de Isabella Nardoni será por homicídio doloso e encontram-se detidos pela polícia no momento.

Ao narrar todos esses fatos aqui, dou-me conta que, de fato, não estamos diante de um filme, não é ficção, na realidade, estamos a viver mais um momento cuja a questão é: o quanto insignificante é a vida de uma criança?

O tema é preocupante e acredito que a mobilização da sociedade nesse momento, como vem acontecendo aqui no Brasil e como acompanhamos em Portugal, associada  a veiculação exaustiva da comunicação social que divulga os fatos e os propaga pelos canais de emissão, independente das razões que os motivem para isso, são os maiores aliados que podemos contar para que crimes assim não fiquem impunes e a Justiça também sofra pressões suficentes a ponto de comprometer-se com a verdade e a punibilidade dos culpados, pois vidas estão sendo levadas e não há como devolvê-las, apenas a JUSTIÇA pode ser alterada!

 

 

 

 

Para ser original pensei que podia divagar um pouco sobre um tema que quase ninguém se lembra, até chegarmos perto do dia 25 de Abril. Não, não me estou a referir aos peregrinos que começam a encher as bermas das estradas nacionais a caminho do 13 de Maio. Se bem que… fica para outra altura.

Nestes dias todos falam de como foram aqueles tempos, tão longínquos na ideologia mas tão assustadoramente recentes, embora não para todos. “Infelizmente”, talvez esses tempos tenham sido de tal forma absurdos que aqueles que não viveram nesses dias nunca conseguirão ter uma ideia daquilo que (não) se viveu.

A cada ano (destes mais recentes) se repetem os “Capitães de Abril” e outros tantos documentários, que apenas servem para que os mais velhos revivam tempos conturbados. Contudo, esperançosos. Os mais novos, borrifam-se para isso. Não os censuro, apesar de achar que não temos tempo para aprendermos apenas com os nossos erros, sendo importante ir aprendendo com os erros dos outros (infelizes).

No mesmo sentido segue o táxi que hoje apresento: “Olá, este é o Volkswagen e é um táxi anónimo.” (E assim se estraga uma crónica séria.)
Bem, fora as palhaçadas, um táxi em “Adeus, Lenine!” é capaz de assistir, tranquilo, ao momento da revolução que viria a derrubar um muro que dividia duas “Alemanhas”. Amado por uns, odiado por outros, o muro teve o seu fim. (Terá mesmo?)

Anos mais tarde, o mesmo táxi assiste à decadência daquele que um dia transportou, por espaços siderais, as esperanças de um país, enquanto se deixa conduzir por aquelas mãos amarguradas.

Também por cá (Portugal real), existem muitos táxis que continuam a assistir à mesma cena de esperanças que se deixam embalar pelas viagens consecutivas e sem destino certo de um país que um dia soube matar um “bicho ruim e sombrio” com um cravo.

E o cravo também era vermelho.

 

 

 

 

Ficou celebre esta pergunta de Baptista Bastos. Herman José caricaturou vezes sem conta num sketch televisivo.

Agora, nas vésperas da comemoração dos 34 anos do 25 de Abril ou Revolução dos Cravos como também é designada, lembrei-me de perguntar a 3 pré adolescentes de doze anos, colegas do filho de uma amiga minha, seria ridículo fazer a pergunta do Baptista Bastos, mas avancei com a dúvida: O que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974?

 

Dois deles meio esquivos, inventaram desculpas para sair dali. Insisti. Disseram que não eram nascidos, não se lembravam. – Não sei se devo ficar preocupada, tentei o outro.

Mais folgazão, despreocupado, estava entretido a limpar o óleo da bicicleta quando lhe perguntei. Olhou para mim de cima a baixo, com aquele olhar critico típico de adolescente e diz pausadamente:

– Sei que foi uma revolução de uma flor qualquer, mas não me lembro qual. E continuou nos seus afazeres. Eu tive que me segurar para não cair ali. E assim vai Portugal.

 

Eu pela idade que tinha não poderia fazer muita coisa, a não ser observar a agitação ouvia à minha volta.

 Lembro que estávamos no Porto contava 24 dias, ainda nos instalávamos. A minha irmã frequentava já a escola primária no Amial, o processo de transferência estava concluído. Tudo era novo, estranho, os amigos e família tinha ficado para trás, em Lisboa.

A casa era demasiado grande em relação ao que tínhamos deixado. Existiam divisões que teriam que ficar nuas por mais algum tempo.

 

 A rádio transmitia informação sempre actualizada, para mim era uma ladainha incompreensível. Mas minha avó “pregou-se” à telefonia; estava preocupada com os amigos e vizinhos que tinha deixado no Castelo. O cenário agigantava-se perigoso, derradeiro, dantesco, uma guerra, assim era descrito quando telefonámos para a mercearia para saber as boas novas da revolução:

 

– D. Maria José, por aqui os mais velhos não saem de casa nem por um decreto. Sabe-se lá o que estas coisas podem dar. Não. Estamos velhos para “guerras”, queremos é sossego que a vida já nos dá demasiada luta. Os rapazes e raparigas foram todos. Há muito movimento lá para a baixa.

 

– Fazem bem. Só queria saber se estava tudo bem com todos. Sabe como é, agora aqui tão longe. Se houver novidades diga-me.

(Não haviam auto-estradas, para os que não conheceram esta realidade, uma viagem Porto – Lisboa demorava em média 5 horas pela estrada nacional).

 

 No Porto também o movimento era intenso, lembro-me ainda que vagamente a minha mãe dizer que tinham tomado de assalto o aeroporto, a RTP e a Rádio Clube Português. Rapidamente o povo saiu à rua, nem todo, muitas pessoas tinham medo do que aquele movimento libertador poderia dar, a ditadura deixa as suas marcas colectivas.

A revolução dos cravos não foi só naquele dia, houve consequências próprias de um país em convulsão que tenta encontrar o seu caminho. Aí sim, a minha mãe tornou-se uma activista. Mas essa história fica para outra altura.

O dia da Terra

Abril 22, 2008

Planeta Terra

Hoje, 22 de Abril, é dia da Terra. É o dia temático que nos lembra deste gigantesco sistema que dá suporte à existência do fabuloso mundo vivo que nos envolve, e que está bem por baixo dos nossos pés.

Os dias temáticos têm dois propósitos: ou servem para chamar a atenção, ou servem para celebrar. Eu entendo que o dia da Terra deveria ser um dia de celebração. Vendo bem as coisas, se não existisse Terra era bem mais complicado que eu estivesse aqui a escrever esta entrada e que estivesse aí a lê-la. Mas, para grande pena minha, o dia da Terra serve para nos alertar do mal que estamos a inflingir ao equilibrado e intrincado ecossistema, construído ao longo de milhares de anos de evolução.

Os seres humanos são como que uns filhos mal-educados e mimados, com um umbigo maior que o da própria Terra, que não se importa muito em cuspir no prato em que comeu desde que esteja bem no momento. Ao contrário dos restantes animais, o respeito que mantêm pelo ecossistema e pelo equilibrio é inversamente proporcional à sua definição de bem-estar pessoal. Assim, contaminam-se rios e mares, abatem-se árvores de forma desmesurada, poluem-se os ares e contribui-se sempre que se pode para aumentar o efeito de estufa, tudo no bom nome do conforto e da qualidade de vida.

Acontece que se fizermos pender a balança do ecossitema que deu origem à vida para um dos lados, a última preocupação do ser-humano será a de ter o soalho em madeiras exóticas, coberto por uma espessa pele de urso pardo. Com temperaturas elevadas, sem água para beber e com pouco ou nenhum oxigénio para respirar, pode-se afirmar que o conforto não será de modo algum comparável com um hotel de 5 estrelas.

Mas para quê estarmo-nos a preocupar para já? Os cientistas, esses gajos que gastam o nosso dinheiro dos impostos em sei-lá-o-quê, dizem que a colapsar, sim, porque tanto estudam e não são capazes de dar uma resposta definitiva, é só daqui a uns 50 a 100 anos. Ora, nessa altura nem eu, nem o leitor cá estaremos, por isso o importante é consumir! A próxima geração que se desenrasque com o que sobrar! Se não sobrar nada, paciência. Foi bom enquanto durou, não foi?

O MODO LATINO DE SER…

Abril 21, 2008

Por que somos tão latinos? E qual seria o sentido da palavra “latino” que pretendo vos expor aqui? Poderia até seguir uma linha de raciocínio exposta por Néstor García Canclini no seu livro “Latino-americanos à procura de um lugar nesse século”, que ganhou o prêmio da Fundação Cardoza y Aragon em 2001,  mas o que pretendo dizer aqui é da latinidade no sentido mais comportamental da palavra, digamos, naquele sentido do que captamos quando percebemos o modo de ser e agir que ditam as veias latinas.

 A latinidade nasceu do Império Romano, conquistou a Grécia Antiga e depois vários outros povos. Evoluiu por meio da diversidade, da mistura de povos, raças e culturas. Por meio das conquistas, assimilavam-se e fundiam-se culturas diversas. A variedade, a diversidade e a tolerância são traços marcantes da latinidade, preservadas até hoje.

O modo latino pensado aqui encontra lugar comum no comportamento das pessoas, objetivando o poder na conquista das coisas. É no TER que resume-se o SER. O carro que aparece primeiro que a pessoa, e quantos carros importados há na garagem? Na marca de roupa que vestem, na quantidade de equipamentos eletrônicos que portam e no quanto raytec se consegue ser – Do you Know? E como há “brinquedinhos” materiais a disposição do “ser latino”.

Somos sociedades estratificadas, de desenvolvimento desigual, com pobreza e riqueza convivendo juntas, sendo esse um dos grandes fatores de propulsão do modo de ser latino. A forma com que a América Latina foi colonizada e as interferências de uma infinidade de elementos culturais importados desde os planos políticos institucionais até os planos dos objetos e imagens da cultura migrante, trazidas das mais diversas civilizações e misturados aos elementos naturais da América do Sul, trouxe-nos uma “salada de confluências”.

 

O choque cultural traduz a alta complexidade com que se constituíram os sistemas sociais e também os sistemas de comunicações, influenciados, sobretudo, pelo calor cultural decorrente da confluência de elementos, que particularizam o Brasil em comparação a outros países que não tiveram em sua história estas características de organização.

 

Brasil deixará de ser conhecido apenas como exportador de commodities? Será? O Brasil não sabe vender. Só sabe ser comprado. Os nossos empresários nunca tiveram a necessidade de sair para vender, e retrato disto reflete-se no nosso povo e na  maneira pela qual somos vistos lá fora.

 

O modo latino avoluma-se em restaurantes caros, manobristas a porta, lojas de grifes, atendimento personalizado, sessões de massagem, muitos empregados a carregar as malas, muitas pessoas a servir. É para esse grand conforto que trabalha o povo, para conseguir o seu lugar ao sol, digo, o seu lugar aos topos do cômodo, do súperfluo e daí pode surgir uma pergunta: O que desejo é o que necessito?

 

Será que um dia seremos open mind, a exemplo dos holandeses? Será que um dia esqueceremos os importados na garagem de casa e iremos de bicicleta ao trabalho, porque, no caso do Brasil, também haverá um dia segurança suficiente no país? Será que deixaremos os manobristas a ver navios e os empregados domésticos a buscarem melhores trabalhos? Se tudo isso acontecer, será que haverá necessidade desse falso poder que os latinos compram com o suado dinheiro?

 

Um dia a latinidade deixará de precisar viver de fachada, e desculpe-me o trocadilho para aqueles que levam “FACHADA” como nome de família, mas o ar latino no seu ápice preza pela fachada, pelo modelo completo do que seria sobressair-se em meio a tantos que ainda não chegaram lá, nesse vasto mundo do TER, nesse vasto mundo do poder para SER, e nessa roda viva dos aprisionamentos materiais, não se pode dizer que Portugal esteja de fora, ao contrário, creio que anda de mãos dadas com o Brasil, afinal, tudo começou com os lusos em terras brasilis a explorar o material que lhes mostrava força e poder, o aprendizado então foi bem rico, e o pior, o Brasil não esqueceu do que serviu de exemplo, e com o passar dos anos aprendeu bem aprimorar – e como sabe bem pôr em prática!!

 

Depois do assunto preencher as páginas dos jornais, ecoar nas rádios e se difundir pelas televisões nacionais. Decidi debruçar-me sobre este tema: pais que agridem professores, professores que batem em alunos, estudantes que se espancam entre si e por ultimo, alunos que batem nos professores. Tudo isto tem o seu epicentro nos estudantes, são eles a causa desta luta de facções.

E afinal, quem está errado? Talvez todos, mas cada um “briga” pela sua opinião. Eu tenho a minha.

E o que está mal? Muita coisa. Todos falham: pais, professores e alunos.

Eu tenho a solução.

Depois de pensar elaboradamente no assunto. Finalmente, conclui um manual precioso destinado a todos que queiram ser pais exemplares.

 

             Manual Para Pais Exemplares

 

 1       Deixe que o seu filho desde do berço mande em si: que lhe imponha as horas em que o deve alimentar, de dormir, de diversão, entre outras. Quem sabe estará aqui um grande líder mundial

 

2       Já maiorzinho deixe ser ele a ditar as regras, não lhe imponha limites: dê-lhe tudo o que lhe pedir, mesmo tudo. Se não tiver dinheiro para isso, arranje. Assim nasce um sonhador: Pensa, logo existe!

 

 3       Em relação à alimentação; a criança é que sabe o que lhe apetece.

Deseja batatas fritas, come só duas e não quer mais. Não faz mal, é sinal está a tentar encontrar o seu próprio caminho, mesmo que seja o de frustrado. Não se deve bloquear as emoções de um ser em crescimento.

 

4       Arrume tudo o que seu filho desarrumar, desculpabilize todas as suas asneiras, culpe os outros por elas. Todos os pais sensatos fazem o mesmo, dá muito menos trabalho. Assim, ele crescerá com a noção de que é único no mundo e estamos aqui todos para o servir.

 

5       Nunca, mesmo nunca, se atreva a defender um colega da escola, um professor, um adulto, o seu marido em desfavor do seu filho. Uma criança desautorizada será um adulto inseguro. Incentivo-o contra as regras, viva a anarquia. Estudos científicos provam que estimula a criatividade.

 

 6       Quando discutir com o seu companheiro (a) faça-o à frente dos filhos, se não estiverem presentes chame-os ou aguarde a sua chegada. E ai sim, inicie uma discussão acesa de preferência com palavrões e assuntos íntimos. Para dar mais realismo, poderá existir agressões físicas de ambos os lados, as crianças adoram interagir com os pais e actualmente passam tão pouco tempo juntos. Será uma boa forma de fazer actividades em família.

 

      7 Nunca dê ordens ao seu filho, isso é para militares em tempo de ditadura. Candidamente sugira-lhe, pergunte-lhe o que acha, ausculte o que pensa.

Mesmo que tenha 3,4,5 anos, não faz mal, é sinal que já tem uma forte personalidade… Se a criança disser não, sorria e faça você.

 

8  Ensine ao seu filho desde de cedo, o significado da palavra “meu”. A avó e dele, o avô é dele, o cão é dele, o pai a mãe também. É tudo dele. Pode fazer o que lhe apetecer, o resto não interessa. Sentir-se-á amado.  🙂

 

Este pa�s não é para velhos

“Este país não é para velhos” (“No Country for old men“, no original), não é um filme para todos. Tendo sido o grande vencedor dos Óscares deste ano, este brilhante filme dos irmãos Cohen transporta-nos para um jogo de gato e rato em passo lento, mas que nos cola ao ecrã sem vontade de pestanejar.

Javier Bardem, vencedor do Óscar para melhor actor secundário, faz o papel do caçador com fortes problemas mentais, ou, pelo menos, com escolhas morais que não encaixam muito bem nos normais conceitos de vivência em sociedade. As suas atitudes, de uma naturalidade e calma sobre-humanas, deixam o espectador num limbo de incerteza inquietante, e perante as quais dificilmente alguém ficará indiferente.

O papel de rato é interpretado por Josh Brolin, que tem a (in)felicidade de encontrar uma mala cheia de dinheiro durante o que aparentava ser um normal dia de caça. Até onde é que ele será capaz de ir para proteger o seu achado, e como é que ele se irá safar, são as perguntas que nos assolam a cabeça desde o início.

Sem meios a medir, o nosso caçador vai deixando um longo rastro de sangue que vai sendo seguido pelo xerife de serviço, interpretado por Tommy Lee Jones. Velho e cansado, o xerife vê o mundo a que estava habituado transforma-se num pandemónio do qual já não sabe se quer fazer parte, ou se tem forças sequer para o combater.

Para “alegrar” ainda mais a caçada, aparecem os “amigos” mexicanos que trazem um pouco mais de cor (vermelha) ao enredo.

Os sentimentos de urgência, demência e incapacidade estão muito bem retratados neste filme, que apenas aconselho a quem tenha estômago e coração resistente. Mas se for esse o caso, é um filme a não perder.

Sexo, amor e traição

Abril 10, 2008

Destes três termos, poucas serão as pessoas que se contentam com apenas um deles. A maior parte, talvez se contente com uma combinação de dois, sejam eles quais forem.

Há ainda quem apenas alcance a própria felicidade se juntar no mesmo saco estas três condições. Por vezes nem assim a conseguem.

Mas quando as três palavras se juntam a uma tripla de homens e outra de mulheres, envoltos nas mais diversas situações de vida amorosa, a narrativa começa a ganhar contornos nem sempre fáceis de imaginar. Acima de tudo, divertimento e acção não escasseiam, bem pelo contrário.

No calor das brigas e confusões, um táxi atravessa-se no caminho e ajuda ao escabeche. O ultrapassado ditado (ou será apenas antigo?) advoga que entre marido e mulher não se mete a colher… mas o táxi era espectador passivo, coitado, invadido e abandonado em apenas 5 segundos, num vendaval de impropérios e ofensas em plena rua, sem vergonhas.

E que tal experimentar? Sexo, amor e traição… para alguns talvez seja melhor ficarem-se apenas pelo filme. Já será uma boa experiência.

Lojas do Mundo

Abril 9, 2008

 

 

Defender uma economia mais justa, que respeite os direitos humanos, salvaguardando o meio ambiente e aposte na solidariedade, estes são os critérios do comércio justo. Diminuir as diferenças entre os grandes e os pequenos produtores

 

O que se pode encontrar nas “Lojas do Mundo”?

Café, cacau, massa, biscoitos, especiarias, mel, arroz como bens alimentares. Bijutaria, objectos decorativos de fabrico artesanal e têxteis. As lojas do mundo estão presentes em toda a Europa. Estes são espaços de venda de produtos oriundos de áreas geográficas sensíveis, onde as condições de vida dos trabalhadores e artesãos são deficitárias, do ponto de vista, ambiental, social e económico.

 

 

As populações nativas são, frequentemente, exploradas por grandes empresas internacionais, que rentabilizam os seus lucros, optando por localizar estrategicamente, pontos de actividade fabril em países onde há mão-de-obra barata e as condições económicas são mais vantajosas.

 A intenção é diminuir as desigualdades socio-económicas entre o Norte e o Sul do mundo, através de uma economia alternativa (de parceria entre consumidores e produtores) justa para todos.

 

 

O processo é simples: os produtores determinam um valor justo pelo seu trabalho, que englobe a mão-de-obra e a matéria-prima utilizada. Neste processo, há relações directas e contínuas entre quem produz e as organizações importadoras (na sua maioria, Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento – ONGD), evitando assim, os intermediários.

 

Entre estes dois grupos estabelecem-se laços de cooperação, que resulta em programas de desenvolvimento por parte dos produtores, e na divulgação dos produtos efectuado pelos importadores. Os bens chegam aos consumidores através das Lojas do Mundo, que normalmente são geridas por organizações, sem fins lucrativos e a sua finalidade é difundir os princípios do comércio justo.

Em Portugal, existem nove lojas: Barcelos, Braga, Amarante, Porto, Lisboa, Almada e Faro.

 

 

Segundo os critérios do comércio justo é importante um consumo consciente, as pessoas tem sempre a última palavra, o poder de escolha no acto da compra. É essa arma definitiva, que dita o resultado de todo o procedimento. As organizações que defendem um comércio alternativo ao “tradicional”, tentam incrementar uma mudança de atitude na sociedade e elucidar sobre os efeitos negativos que o mercado internacional tem sobre os pequenos produtores. E como todos nós podemos exercer uma opção de um modo criterioso.

 

Para mais informações sobre o Comércio Justo, reviravolta.comercio-justo.org