Ei, miúdos, deixem os “profes” em paz!

Março 28, 2008

E pronto. De repente, vivemos num país de vândalos, sendo que os piores exemplares da temida espécie são, precisamente, os mais novos… É a miúda que rebenta com os ouvidos da professora, exigindo-lhe o telemóvel e tratando-a por “tu”, – onde é que já se viu tamanha ousadia, exceptuando a Faculdade de Belas-Artes? – são os bateristas de mesa, herdeiros dos irritantes djambés dos festivais de Verão, ou ainda o miúdo que chama “lésbica” à professora e leva uma “lapada”, “lambada” ou lá qual é o nome que ela lhe deu… Tudo casos condenáveis, sem a mais pequena dúvida. E daí? Qual deles é novidade? Só o é para quem o único tempo que conta é o tempo de antena da televisão.

Primeiro, é preciso entender a natureza de um adolescente. É uma idade complicada, todos sabemos, a diferença é que alguns já se esqueceram de que passaram por ela. Não podemos julgar a miúda que exige o telemóvel como se julga um indivíduo que violou alguém ou os autores de um assalto. Algo vai mal, mas será que a responsabilidade é mesmo dos alunos?

Não foi há muito tempo que deixei de ser estudante. Tenho a memória fresca de casos semelhantes, todos eles condenáveis, faço questão de sublinhar, condenáveis. Todavia, também me vejo obrigado a reflectir acerca da qualidade dos meus professores (aqueles que, de um momento para o outro, são vítimas de toda a gente, da ministra aos alunos). Ainda hoje mantenho uma forte amizade por alguns dos meus educadores, mas esses correspondem a uma minoria muito pequena, que merece todo o meu respeito e admiração. A maioria dos meus professores era totalmente desinteressada, gente que fazia o frete de dar aulas. Alguns eram mal-educados, outros tinham tendências pedófilas (lembro a minha professora de Educação Física que gostava de passar pelos balneários para nos ver no chuveiro; ah, tínhamos 9 anos). Gostaria de ver discutidas não só as situações em que apontam o dedo aos alunos, mas também as outras, do outro lado, onde a adolescência já não serve de desculpa.

2 Respostas to “Ei, miúdos, deixem os “profes” em paz!”

  1. Em determinados momentos de seu texto, pensei estar lendo sobre os problemas que afligem os professores no Brasil. Portanto, posso concluir que, dos dois lados do Atlântico, a problemática é a mesma. Os professores são desvalorizados e têm problemas de formação muito parecidos, tanto no Brasil quanto em Portugal.

  2. Nuno Gomes said

    Quis o destino (e eu também o quis muito) um dia vir a ser Professor…ah, e Formador. Desde os mais pequenos (1º ciclo) aos mais velhos (muitos que nem o 1º ciclo) e alguns anos de experiência que ainda não preenchem os dedos de uma mão. Não sou sindicalizado, nem protestei na rua…mas considero há anos que a educação em Portugal é uma cidadã pobre, muito pobre…e com necessidades especiais.A começar e a terminar nos Professores/Educadores. O que vivemos hoje acredito é fruto de todo um passado não raras vezes irresponsável e incompetente (sem qualquer noção de pedagogia). Nos alunos de hoje? Notam-se facilidades a mais de um fruto desejado (envenedado) pelos pais…liberdade a mais, tv a mais, férias a mais, créditos a mais, divórcios a mais…

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