A terceira hora de ponta

Março 20, 2008

rush_hour_3.jpg

O que acontece quando um americano e um chinês vão a Paris?

Apesar das possíveis semelhanças, isto não é uma anedota, por isso, não há galhofa para ninguém… azar!

Ao chegarem a Paris, o americano e o chinês americanizado (e apenas me estou a referir às personagens) interagem com um simpático taxista parisiense, que após a típica pergunta de “Para onde?” responde com um alegre “Ponham-se na alheta!”. Pode parecer estranho, principalmente para um povo de brandos costumes como é o nosso, onde geralmente o transeunte turista é tratado de uma forma diferente. Este acolhimento especial deve-se também ao facto da grande probabilidade do cliente ser trapaceado e, portanto, antes de comer o coelho convém adoçar-lhe a boca (tinha que inserir aqui uma referência qualquer à Páscoa… não arranjei melhor do que isto).

Ora, esta resposta mais agressiva tem a ver com dois factores. Em primeiro lugar, os parisienses não primam pela amabilidade e têm tendência a ser crespos. A verdade é que já é suficiente o facto de ter nacionalidade francesa para uma pessoa ficar irritada. Eu ficaria. O segundo factor é mais nobre e é nesse que devemos centrar a atenção. O taxista argumenta que não gosta de americanos porque são o povo mais violento do mundo, que estão sempre em guerra e a matar pessoas. O franciú parece ter alguma razão. Entretanto, para provar que a América não é violenta, o americano trata de apontar uma arma à cabeça do pobre taxista e obriga-o a cantar o hino americano. Parece-me justo.

No entanto, é difícil para qualquer pessoa não se deixar seduzir por uma boa perseguição pelo meio da cidade, onde a chapa batida e os murros nas trombas reinam enquanto os pneus derrapantes harmonizam a sinfonia. O que acaba por acontecer, claro está, é que passado pouco tempo já está o pobre taxista a lamentar-se por nunca poder vir a ser um americano e a matar pessoas de forma aleatória, enquanto esconde essa mágoa na sombra do seu boné dos Lakers. Como eu o compreendo.

De facto, toda a gente fala à boca cheia que não gosta dos americanos, mas no final de contas, acabam sempre por se deixar seduzir por eles.

É quase como quando as mulheres dizem que não gostariam de agarrar-se a um homem cheio de músculos, que até parecem robôs, que preferem um homem inteligente, e depois desaparecem e deixam o inteligente a fazer cogitações sozinho e esfregam-se no macaco da porta de entrada.

Bem, esta parte já não aparece no filme Rush Hour 3, e só para aclarar as coisas, não é coisa que me tenha acontecido a mim, porque, de qualquer maneira, não correspondo nem ao homem inteligente nem ao macaco. Talvez uma mistura dos dois.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: