Globalização com fronteira

Março 10, 2008

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Imaginem como seria o mundo se as fronteiras fossem abertas. Permissão total para entrar e sair de um país, a liberdade de ir e vir no seu ápice, no seu ar mais livre e compassado. Será que a nossa segurança estaria tão comprometida assim? Podemos levantar essa questão pelo âmbito da GLOBALIZAÇÃO, olhar as mais diversas motivações dos seres humanos para circular.

O meu computador circula, o seu também.O mundo circula, por que o ser humano também não pode circular?

A globalização, se quiseremos, pode ser tomada como marco nos fins do século XV quando portugueses e espanhóis se lançaram “por mares nunca dantes navegados”, enquanto Copérnico e Galileu propunham uma teoria heliocêntrica que confirmava a redondeza da Terra e estendia infinitamente os limites do Universo. Desde então, o processo tem avançado a passos de gigante.

No século XIX 15 milhões de europeus, muitos deles pobres e famintos emigraram para o continente americano, e foram recebidos nos portos aos milhares e a história mostra que nenhum deles portava um passaporte. O controle de fronteiras, os laissez passer (deixar passar) e os pass-ports (passar um porto), apareceram depois da primeira guerra mundial. Os sentinelas e guardas armados de fronteiras mais tarde, a pratica de balear os que tentam entrar também, e esse foi o começo do que se chamou progresso das soberanias dos Estados.

Bem, estou aqui a falar tudo isso por ser algo que sempre me faz refletir quando me vejo indo ao encontro de uma nova fronteira, é certo, mas razão de agora, sem dúvida, foram os fatos registrados nos últimos dias e que foi a notícia da vez « trinta turistas brasileiros “barrados” em Madrid por agentes de imigração da Espanha sem que tenham recebido qualquer informação sobre a recusa de entrada»

Os espanhóis podem fazer isso? Podem. O país é livre na sua soberania, e, inobstante a reciprocidade estabelecida entre os países, no momento de decisão eles não estão atrelados a nada, são livres, podem ter como valor até mesmo uma fobia de proteção ao nacional ou quaisquer razões que queiram estabelecer; a medida que nos cabe é aceitar, indignados ou não, depois restam os protestos envolvendo as autoridades diplomáticas.

Cogitados os motivos, os mais diversos existem, sem dúvida, pode-se falar de preconceito, de racismo, combate a possibilidade de um imigração ilegal, proteção a votação espanhola que estava efervescendo essa semana, em fim, mas podemos aproveitar o momento e avaliar o quanto o mundo ainda é fronteiriço e limitativo, não podemos simplesmente sair por aí, mobilizar a vida, mesmo que seja apenas em férias, pois as regras existem, o ser humano as impõe ainda que não tenhamos criado tudo isso, e a propósito – chegamos pelo Big Beng?

Levaremos mais que pares de anos para descobrir o que nos aguarda nesse mundo, quando e como teremos a liberdade de circular, mas enquanto isso não acontece, quem sabe conseguimos refletir quanto a essa “falsa globalização”, e quem sabe podemos aguçar o nosso pensamento recordando que, no século XIX, Karl Marx, reconheceu a utopia dos processos crescentes de interação e comunicação global, e se horrorizou com a forma brutal de conquista e exploração européia.

Afinal agora pensemos: a globalização encontra fronteiras impostas pelo homem?

6 Respostas to “Globalização com fronteira”

  1. Hilton Meirelles Bernardes said

    Excelente artigo Andréa !!

    Os produtos e mercadorias circulam livremente. O dinheiro galopa as fronteiras internacionais em questão de segundos, graças aos meios eletrônicos. No entanto, a tão defendida liberdade de circulação de homens, ainda é uma falácia. Encontra limites os mais diversos.Análises históricas, econômicas e sociais podem explicar o fenômeno, mais certamente, a incapacidade do ser humano de encarar e digerir o diferente, talvez seja a raiz dos fatos. O tema é instigante e complexo. Chamemos Freud, Lacan ou jung. Será que ajudam ? Talvez a teoria do insconsciente coletivo deste último, onde todos estamos ligados de alguma forma, abrande nossa frustação de renegados do terceiro ou será quarto mundo?? Enfim… Deixo as divagações e volto ao meu objetivo inicial que é te dar os parabéns. Adorei sua forma de escrever e pensar !!!!

  2. Andréa Menezes said

    Agradeço o comentário, é sempre um incentivo para continuar expondo por aqui a nossa visão de mundo,o intuito é prestar a minha colaboração para uma reflexão mais pontual, já que a correria do dia a dia as vezes nos rouba tempo até mesmo de pensar sobre o que acontece a nossa volta…
    Seja bem vindo ao nosso blog e aguardamos sempre a sua visita!
    Um abraço!

  3. Adriana Silva Couto said

    Adorei o texto!
    Mas abrir as fronteiras seria uma involução.
    Vamos delirar um pouco: Já pensou se nos tempos dos descobrimentos os índios tivessem um controle de entrada dos imigrantes?
    Com certeza, não teria ocorrido a carnificina que se deu no Brasil.
    Os bárbaros seriam filtrados. E em sua minoria não teriam força para dominar os nativos.
    O controle de fronteiras é o sinal da preocupação do homem em proteger a sua terra de um possível invasor, ou de um que possa ser a laranja podre do cesto a contaminar todos os demais.
    O que é fato é que o controle muitas vezes é exagerado e preconceituoso. E ao invés de refletir uma proteção à pátria, reflete um preconceito puro em detrimento de um ser mais frágil.
    Mas isso seria assunto pra livros e não para um comentário. E também não seria eu a escrevê-lo, por certo.
    Sua inteligência é exposta claramente na sua forma de escrever.
    Muito sucesso pra você, porque tenho certeza de que é merecedora.

  4. Andréa Menezes said

    Adriana, obrigado pelo seu elogio a crônica e muito pertinente a sua colocação!!
    Sim,é mais um aspecto a refletir. Concordo contigo que é inerente ao homem a proteção a sua terra, e com isso existem também, claro, aspectos positivos nesse controle, apenas acredito que da maneira como estamos crescendo, “globalizando” de modo tão amplo, torna-se um grande paradoxo analisar esse controle frente a uma globalização tão galopante, e exatamente por isso, questões tão pontuais como essa do controle de fronteiras, deve ser algo a ser avaliado com maior preocupação, a estabelecer métodos e procedimentos menos discriminatórios e não apenas um canal de demonstração de poder, aquele que o homem, ao fim e ao cabo, tem sempre a necessidade de sobrepor.

    A história nos mostra, sem dúvida, o aspecto importante de “proteger” um território, mas nos mostra também grandes crescimentos com chegada de muitos dos povos que circularam pelo mundo, portanto,tudo isso as vezes pode ser visto como um grande paradoxo, mas que por certo faz-se necessário encontrar uma solução, porque enquanto a solução não é buscada outros princípios e valores vão sendo atacados, como a DIGNIDADE da PESSOA HUMANA.
    Vale sempre a reflexão e é esse o meu convite – pensemos e assim vamos mobilizando, com as nossas reflexões, quem sabe, o mundo!

  5. Débora Carolina Ribeiro said

    Adorei o texto, muito bem escrito por sinal. Gostaria apenas de deixar um raciocínio sobre a importância das fronteiras.
    Uma fronteira nada mais é que um limite e limites são necessários. A forma como se expressam é que são o problema. Não é justo exarcerbar sentimentos como preconceito, racismo e coisas do gênero para se defender do mundo lá fora, porém é necessário possuir sua própria fronteira, apesar da constante globalização.
    A fronteira significa a manutenção da individualidade de cada um. Por meio delas somos singulares em pensamento e prática e não seria de todo bom que o rompimento destas fronteiras ocorressem. Por outro lado, a fronteira representa a insegurança do homem perante ao desconhecido, e talvez em alguns casos sejam necessárias serem rompidas. O mínimo que podemos fazer é tentar evoluir com o respeito às fronteiras vizinhas. Procurar entendê-las e nunca censurá-las. Talvez assim, possamos viver de maneira mais igualitária. Talvez assim, a globalização finalmente possa fazer parte integral de nossas vidas.
    Volto a dizer… ADOREI seu texto!
    Abraços!

  6. Nhaca, Fernando said

    o texto elucidativo de o mundo, todos nos estamos conectados
    Fernando, Moz

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