Argumentos

Março 4, 2008

A capacidade argumentativa do ser-humano não deixa de me surpreender. Direito consagrado à nascença, o uso das faculdades intelectuais do ser-humano para convencer o seu semelhante é uma poderosa arma que, como todas as outras, pode ser usada para o bem e para o mal. O ser-humano é capaz de arquitectar os argumentos mais estapafúrdios, de forma a fazer passar a sua ideia, ou escamotear uma situação condenável. Vejamos o mais recente exemplo dessa bela máquina chamada de mente humana.

Um grupo norueguês trouxe a público um estudo em que mostra que consumir carne de baleia polui menos que o consumo de gado bovino e gado suíno. Até aqui tudo bem, tirando o facto de que a Noruega, juntamente com o Japão, serem os principais consumidores mundiais de carne de baleia, e que só ainda não levaram a espécie à extinção por existirem pressões por parte da comunidade internacional para que o consumo desta carne seja regrado. Argumentos como este, que se tornam bastante ardilosos quando se trata do bem estar do outro cérebro humano, o estômago, podem, com relativa facilidade, enganar o mais incauto receptor, pois, estando tão na moda o “planeta verde”, é fácil deduzir que comer carne de baleia é a via para um melhor ambiente. O facto de que o animal está em vias de extinção é apenas um pormenor sem grande relevância para o caso.

Apesar de ser um defensor da liberdade de expressão, argumentos como este assustam-me, porque tenho a perfeita consciência de que alguns deles acabam por vingar por falta de informação por parte de quem recebe a mensagem. A atitude passiva do ser-humano face à busca pela informação, e, mais importante, por ambos os lados da questão, leva a que os argumentos melhor publicitados acabem por ganhar mais peso entre a opinião pública, e a uma adesão em massa à causa.

Com a quantidade de informação disponível nos dias de hoje, e pela facilidade de acesso, já não há razão para que isto aconteça. Não lhe digo que não ouça, que não discute; argumente, discurse, fale, converse, mas mantenha sempre uma atitude crítica em relação ao argumento, e procure sempre o melhor conhecimento sobre o assunto em questão. Quando isso acontecer, tome a sua decisão, por si.

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