Um pedaço de paraíso…

Março 31, 2008

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Existem lugares aqui no Brasil – inóspitos!! Bem, não sei ao certo se essa é a palavra, porque o que revi foi um pedacinho de paraíso, e se o paraíso é inóspito eu não sei, o que sei é que estive em um lugar, após sete anos que lá fui, cuja a sensação foi de que o tempo parou bem ali para que eu pudesse passar.

O paraíso é em câmara lenta, tudo anda lento, as pessoas andam devagar, falam sem muita pressa, o riso é mais sentido e escutam sem muito pesar, vivem como se estivessem numa paisagem pintada em tinta a óleo, como se o mundo estivesse em pausas constantes para elas passarem.

Lugares assim ainda são possíveis, mesmo em meio a toda a nossa globalização, aquela que  tanto já discutimos por aqui, eu e meus colegas de blog, de vidas atribuladas,  sempre a indagar  – como poderemos fabricar mais tempo?

Acho que nesse mês descobri  esse lugar – MANGUE SECO!!  Para chegar atravessamos o Rio Real e vamos sentindo que o tempo será nosso aliado, então só nos cabe ser amigo dele. É lugar onde rio abraça mar, daí a formação também de mangue. 

Esse paraíso está a extremo norte do litoral da Bahia, em fronteira com o estado de Sergipe. Suas  imensas dunas constrastam como o infinito azul do céu. O infinito também é de areia e coqueiros, vegetação exôtica aos olhos de quem contempla e a certeza que uma força maior passou por ali e criou aquilo tudo, que alguém pintou aquele cenário para que um dia os homens se pussem, como eu, a admirar e pensar que ali habita 30 quilomêtros de praia deserta a perder-se de vista e ser humano é o de mais raro que há na paisagem.

A estória de Jorge Amado anda por lá, ainda aos quatro cantos daquela pequena vila de pescadores, com não mais que 200 habitantes, perdido em busca da sua Tieta do Agreste, entre mar e mato, entre cabras, ovelhas e vacas a passear no fim de tarde na praia.

Acho que o vi por lá a imaginar as peripécias que ofereceria a sua TIETA. No “Recanto da Sula”, também encontramos a  sua memória, uma casa cheia de varandas a beira rio, aonde esperamos  o café e o pão de queijo quentinho, como na casa da avó, sempre sem pressa, pois quando D. Ana Flora está sozinha na cozinha até a pizza pode demorar mais que uma hora e meia a chegar. A casa é da família da D.Sula, é o cantinho aonde foram realizadas as cenas de “Tieta do Agreste”,  talvez ainda hoje Jorge Amado viva por lá cercado dos cuidados da D. Ana Flora, aquela que mantém a memória viva do lugar.

A vida em Mangue Seco parece que fica assim, meio sem  direção, meio sem razão, pois o próprio “estar”, o acordar, o caminhar, tudo vai além da singularidade tão normal dessas tarefas diárias. O dia parece sem fim.

É lugar aonde “douuuuuuuutor” é nome próprio, aliás o que não é nada raro aqui no Brasil em lugar de pessoas tão simples, como esse. Todo turista nacional ou estrangeiro é um ser estranho por lá, alguém que traz notícias de um além que habita na fantasia de quem ali vive. Somos sonoridade de novidade, somos a promessa de futuro, hoje e sempre, seres de mundo que a eles só chegam pela televisão, e mesmo assim não há muito tempo, pois a tecnolgia não é algo que caminhe muito rapidamente para lá, até ela chegou aos pouquinhos.

Vamos lá, no dia em que imaginarem que precisam encontrar um lugar em que o tempo passe bem devagar – corram, aliás, corram não, entrem no ritmo do destino, lentamente, percorram, se sairem de Salvador, 242 Km pela Linha Verde, chegando aí, guardem o carro, há estacionamentos suficientes para isso, com muita sombra das palmeiras para acalentar o seu carro. Peguem um barco, levando a brisa do rio como companheira e o riso do moço do barco como estágio de alma do lugar e depois de 20 minutos – pisem em Mangue Seco!

Só não esqueçam duas coisas:um bom protetor solar e um livro, quem sabe o “Taxicidade”, que contrastará com toda a calmaria que insiste em permanecer por lá.  

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E pronto. De repente, vivemos num país de vândalos, sendo que os piores exemplares da temida espécie são, precisamente, os mais novos… É a miúda que rebenta com os ouvidos da professora, exigindo-lhe o telemóvel e tratando-a por “tu”, – onde é que já se viu tamanha ousadia, exceptuando a Faculdade de Belas-Artes? – são os bateristas de mesa, herdeiros dos irritantes djambés dos festivais de Verão, ou ainda o miúdo que chama “lésbica” à professora e leva uma “lapada”, “lambada” ou lá qual é o nome que ela lhe deu… Tudo casos condenáveis, sem a mais pequena dúvida. E daí? Qual deles é novidade? Só o é para quem o único tempo que conta é o tempo de antena da televisão.

Primeiro, é preciso entender a natureza de um adolescente. É uma idade complicada, todos sabemos, a diferença é que alguns já se esqueceram de que passaram por ela. Não podemos julgar a miúda que exige o telemóvel como se julga um indivíduo que violou alguém ou os autores de um assalto. Algo vai mal, mas será que a responsabilidade é mesmo dos alunos?

Não foi há muito tempo que deixei de ser estudante. Tenho a memória fresca de casos semelhantes, todos eles condenáveis, faço questão de sublinhar, condenáveis. Todavia, também me vejo obrigado a reflectir acerca da qualidade dos meus professores (aqueles que, de um momento para o outro, são vítimas de toda a gente, da ministra aos alunos). Ainda hoje mantenho uma forte amizade por alguns dos meus educadores, mas esses correspondem a uma minoria muito pequena, que merece todo o meu respeito e admiração. A maioria dos meus professores era totalmente desinteressada, gente que fazia o frete de dar aulas. Alguns eram mal-educados, outros tinham tendências pedófilas (lembro a minha professora de Educação Física que gostava de passar pelos balneários para nos ver no chuveiro; ah, tínhamos 9 anos). Gostaria de ver discutidas não só as situações em que apontam o dedo aos alunos, mas também as outras, do outro lado, onde a adolescência já não serve de desculpa.

Favores em cadeia

Março 27, 2008

E que tal encarar uma utopia como possível?

Esta foi a premissa usada por uma criança para mudar o mundo à sua volta.

Apesar dos esforços deste rapaz, tudo parece correr da pior forma e as suas tentativas parecem sempre ficar aquém do planeado. No entanto, através dos esforços que desenvolve para aproximar a sua mãe do seu professor favorito, a sua visão consegue evoluir e chegar onde nunca ninguém teria acreditado. E para que isso tenha acontecido, num momento fundamental, surge um táxi à porta de casa, contactado previamente para que a sua ocupada mãe chegue a tempo do encontro decisivo com a sua nova paixão, que faz despoletar toda uma sequência de Favores em cadeia.

Este talvez seja um pequeno exemplo para todos nós. Mesmo que saibamos à partida que será muito difícil ou que aparentemente nunca se conseguirá atingir os objectivos com que sonhamos, pelo menos devemos tentar. Devemos isso a nós próprios e ao mundo.

Genialmente loucos

Março 26, 2008

  Será a genialidade sinónimo de loucura? A criatividade será um estádio de “alucinação”, ou ao contrário, uma personalidade com traços patológicos desencadeia uma imaginação genial.Ao longo da nossa história, escritores, pintores, pensadores e artistas notáveis foram considerados “loucos” na sua época e internados em unidades de psiquiatria. Hoje, são reconhecidos como uns supra – sumo. Mas afinal, o que se separa a loucura da normalidade?  

Antonin Artaud, conhecido escritor e dramaturgo, influência correntes do pensamento critico e criadores da área teatral, programas experimentais, poesia, linguística, cultura e contracultura. Reconhecido como criador genial, iluminado e saudavelmente louco. Passou os seus últimos dias no no manicómio, este é um trecho da carta enviada do artista aos médicos do hospital psiquiátrico onde se encontrava.

  ‘‘Os loucos são as vítimas individuais por excelência da ditadura social; em nome dessa individualidade intrínseca ao homem, exigimos que sejam soltos esses encarcerados da sensibilidade, pois não está ao alcance das leis prender todos os homens que pensam e agem. Sem insistir no carácter perfeitamente genial das manifestações de certos loucos, na medida da nossa capacidade de avaliá-las, afirmamos a legitimidade absoluta de sua concepção de realidade e de todos os actos que dela decorrem. Que tudo isso seja lembrado amanhã pela manhã, na hora da visita, quando tentarem conversar sem dicionário com esses homens sobre os quais, reconheçam, os senhores só têm a superioridade da força.”          

  Que conceito é este de ser normal, já que esta ideia é unicamente social. Este, o louco, pode ser aquele que foge às regras de conduta comuns, do estereótipo, tem um comportamento sem limitações, longe dos padrões ditos normais. Qual é a ténue fronteira que delimita os dois estados?  

 A “loucura” é um tipo de comportamento, uma alteração mental passageira, geralmente reactiva, que pode estar presente em diversas situações.  As designadas doenças mentais são transtornos de saúde que podem afectar sentimentos, pensamentos e comportamentos.  A noção de “loucura”pode ser em um indivíduo dito “normal” a intensificação máxima das emoções. Muitas vezes estes dois estados se interligam, mas nunca actuam simultaneamente. 

“Um ser humano considerado normal, diante de um estado de tensão ou pressão profissional ou social pode transitar rapidamente para um estado considerado como “loucura”, já que a linha limítrofe entre os dois estados é algo muito ténue e pode romper-se subjectivamente, fugindo ao controlo daquele ser humano. Retirado esse estímulo forte que causa tensão, o ser humano pode voltar ao estado anterior”. 

Sendo assim, as fronteiras entre a sanidade e insanidade mental estão mais esbatidas. É comum passarmos por situações de perturbação que nos incapacitam ou nos motivam à criação. Grandes vultos, génios, tiveram comportamentos que apelidamos de “loucos”. De qualquer forma, são reconhecidos como homens e mulheres inteligentíssimos e precursores para o seu tempo.  Genialidade? Loucura? Criação? Quem sabe….

 

A dádiva envenenada

Março 25, 2008

Ah! A internet! Dádiva dos deuses americanos, habitantes do departamento de defesa, a internet veio revolucionar a forma como comunicamos, aprendemos e, mais relevante ainda, como perdemos o tempo a ver um sem número de hiper-ligações que em nada vão contribuir para a nossa educação, mas que são “interessantes”

Contra mim falo, claro. Eu sou viciado em e-mail, feeds de rss, lolcats, youtube, e nas mais maléficas criações deste mundo digital que me suga o tempo, sem me dar conta, muitas vezes, que assim é.

Para além de criarem défices de atenção, a busca constante por mais uma ligação afecta a produtividade. Todo sumado, o tempo gasto em “coisas-que-podem-vir-um-dia-a-ser-precisas” ou “isto-até-parece-interessante” dava para aplicar em tarefas mais productivas, como por exemplo, escrever um livro, talvez.

O facto de a internet estar, nos dias de hoje, sempre ali ao premir de um botão, cria-nos uma porta sempre aberta para a terra do tempo que não volta. E mesmo que não se perca tempo em navegações sem sentido, é o aviso de um novo email, é o amigo ou amiga no messenger, é o “deixa cá ver que eu acho que ainda não sei tudo o que há a saber sobre este tema”.

Este último argumento é ainda usado como desculpa para muitas vezes não avançarmos com o trabalho que tem que ser feito, mas que o subconsciente teima em nos fazer resistir. É uma falácia, meu amigo. Você não precisa de saber tudo o que há sobre determinado assunto antes de trabalhar sobre ele. O email que acabou de chegar não é assim tão importante que tenha de ser respondido já. O seu amigo ou amigo não vai deixar de lhe falar se não lhe responder, ou até se tiver o messenger desligado.

A internet é uma dádiva, sim, mas também pode ser uma perdição. Usada de forma comedida, é das melhores ferramentas que o cérebro humano foi capaz de criar, que pode ser usada como veículo de aprendizagem, dinamizador de negócios e como entertenimento também. Mas pode, também, levar à perda irremediável de tempo se não for correctamente doseada.

Experimente: desligue a internet por 45 minutos e tente trabalhar sem essa ligação ao mundo e veja como se sente. Se começar a se sentir stressado, pode ser um sinal que já não é você que controla a internet, mas que é a internet que o controla a si. Recupere o seu tempo agora, enquanto pode.

Vou acabar por aqui porque há um novo clip muito engraçado no youtube que me parece que me vai dar uma ideia para uma nova história.

The Bucket List

Março 24, 2008

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Esse é o longa de roteiro simples, sem maiores furos, mas que nos oferece uma forte carga dramática e irreverente através da associação perfeita de interpretação entre Jack Nicholson e Morgan Freeman, “parceiros” que nos faz repensar a vida, que nos deixa interrogações sublimes, as quais aparecem logo nos primeiros minutos de filme nos levando a pensar a respeito da morte -qual a lembrança que deixaremos na memória das pessoas? 

O filme trata de dois homens idosos, de mundos totalmente adversos, personagens opostos, que passam a ter em comunhão uma doença terminal que nos leva a olhar a vida de muitos ângulos. 

Decidem, depois do convívio no mesmo quarto de hospital, em que ambos podem dar início a uma leitura pessoal sobre o outro, realizar uma lista de desejos antes de morrerem, e boa parte da realização dessa lista é possível graças ao milionário Edward Cole, personagem vivido por Jack Nicholson, que proporcionará a si próprio e ao seu parceiro Carter Chambers, interpretado por Morgan Freeman, uma viagem rumo a muitas emoções e trocas. 

Assim, Edward – com o seu estado de urgência de vida, o que nos impressiona a todo momento, convence Carter, que deixa de lado a sua postura sempre firme e racional, a partir do hospital onde recebiam tratamento, abrindo mão de seguir como os tratamentos experimentais de pesquisa,  a embarcar rumo a uma viagem que os levará a muitas aventuras que vão desde a corrida de alta velocidade, visitas a lugares únicos a partidas de pôquer e horas de avião a contemplar a vida. 

A idéia da produção surgiu de Freeman, que sugeriu o filme após ler o roteiro, escrito por Justin Zackham (’Calouros em Apuros’). 

Não esqueçamos ainda que Antes de Partir, título recebido no Brasil, lembra-nos a todo momento a situação pela qual os personagens estão a passar, não nos deixando esquecer o quão dramático é o momento de ambos, o que inviabiliza o chamado estilo água-com-açucar, pois são apenas as palavras que denunciam a carga dramática, mas visualmente, sente-se o quanto duro e irreversível o quadro de uma doença terminal. 

O filme nos prova que simplicidade, uma boa dose de criatividade, bom humor extremamente inteligente e uma carga dramática elevada, associada a interpretação de dois grandes nomes do cinema, são receitas infalíveis para o público rir, chorar, pensar e sair do cinema, talvez, com a nítida  sensação de que, ao fim e ao cabo, precisamos de muito pouco para atingir a tal felicidade, mas não vivemos atentos para esse fato. 

Se vale a pena passar 97 minutos sentados a frente da tela a ocupar o seu tempo com esse filme – não tenha dúvida que sim! Jack Nicholson e Morgan Freeman são homens opostos que se completam numa “mistura” improvável de erro. Para os mais emotivos, vale levar um lenço de papel e esquecer por esses minutos que estamos diante de um filme e seguir a emoção, afinal, a arte imita a vida. 

A terceira hora de ponta

Março 20, 2008

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O que acontece quando um americano e um chinês vão a Paris?

Apesar das possíveis semelhanças, isto não é uma anedota, por isso, não há galhofa para ninguém… azar!

Ao chegarem a Paris, o americano e o chinês americanizado (e apenas me estou a referir às personagens) interagem com um simpático taxista parisiense, que após a típica pergunta de “Para onde?” responde com um alegre “Ponham-se na alheta!”. Pode parecer estranho, principalmente para um povo de brandos costumes como é o nosso, onde geralmente o transeunte turista é tratado de uma forma diferente. Este acolhimento especial deve-se também ao facto da grande probabilidade do cliente ser trapaceado e, portanto, antes de comer o coelho convém adoçar-lhe a boca (tinha que inserir aqui uma referência qualquer à Páscoa… não arranjei melhor do que isto).

Ora, esta resposta mais agressiva tem a ver com dois factores. Em primeiro lugar, os parisienses não primam pela amabilidade e têm tendência a ser crespos. A verdade é que já é suficiente o facto de ter nacionalidade francesa para uma pessoa ficar irritada. Eu ficaria. O segundo factor é mais nobre e é nesse que devemos centrar a atenção. O taxista argumenta que não gosta de americanos porque são o povo mais violento do mundo, que estão sempre em guerra e a matar pessoas. O franciú parece ter alguma razão. Entretanto, para provar que a América não é violenta, o americano trata de apontar uma arma à cabeça do pobre taxista e obriga-o a cantar o hino americano. Parece-me justo.

No entanto, é difícil para qualquer pessoa não se deixar seduzir por uma boa perseguição pelo meio da cidade, onde a chapa batida e os murros nas trombas reinam enquanto os pneus derrapantes harmonizam a sinfonia. O que acaba por acontecer, claro está, é que passado pouco tempo já está o pobre taxista a lamentar-se por nunca poder vir a ser um americano e a matar pessoas de forma aleatória, enquanto esconde essa mágoa na sombra do seu boné dos Lakers. Como eu o compreendo.

De facto, toda a gente fala à boca cheia que não gosta dos americanos, mas no final de contas, acabam sempre por se deixar seduzir por eles.

É quase como quando as mulheres dizem que não gostariam de agarrar-se a um homem cheio de músculos, que até parecem robôs, que preferem um homem inteligente, e depois desaparecem e deixam o inteligente a fazer cogitações sozinho e esfregam-se no macaco da porta de entrada.

Bem, esta parte já não aparece no filme Rush Hour 3, e só para aclarar as coisas, não é coisa que me tenha acontecido a mim, porque, de qualquer maneira, não correspondo nem ao homem inteligente nem ao macaco. Talvez uma mistura dos dois.

Para quem não tem a possibilidade de ouvir o programa no horário de transmissão, aqui fica a ligação à página do podcast, no sítio da RTP.

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Não deixa de ser curioso, com tantas situações urgentes que carecem de medidas legislativas, alguém se lembrar de apresentar um projecto de lei que proíbe a colocação de «piercings» na língua e no pavimento da cavidade oral. Isto tudo pela questão de saúde pública.   

Agora, não sei quem iria fiscalizar?

Imaginemos que a lei é aprovada e a ASAE, com ampla experiência em passar multas, é a entidade fiscalizadora.Os inspectores da ASAE saem à rua e simpaticamente abordam as pessoas e perguntam:

 – Posso ver a sua língua?

– Pode ssssim. Responde o transeunte desprevenido, enquanto fala com uma exagerada acentuação de ssss por causa do piercing recém colocado.

É um transgressor. Ousa passear com um piercing bem na ponta da língua, a roçar perigosamente nos dentes e a desgastar-lhes o esmalte. Por isso, é automaticamente autuado e com uma guia terá de se apresentar dentro do prazo estipulado no “ferrador” para retirar tão malicioso instrumento.  

De forma a controlar e a quantificar os utilizadores de piercings, todos devem registar-se nas autarquias, de modo, a serem notificados para que lhe seja extraído o dito instrumento.  

As coimas para quem não comparecer vão de 500 a 1500 euros. Ainda está contemplado na lei que quem se recuse a cumpri-la, o juiz poderá decretar a sua remoção compulsiva. Mas existe uma salvaguarda, quando for provado que a extracção do apetrecho pode afectar psicologicamente o seu utilizador.  

Nesse caso, uma comissão de acompanhamento constituída por uma equipa multidisciplinar incluindo: “ferrador”, psicólogos com a especialidade em piercingterapia e técnicos forenses avaliará caso a caso. Existindo um acompanhamento personalizado do individuo até estar preparado para o doloroso momento da separação.  Assim dentro em breve se erradicará esse inimigo público da sociedade, corruptor de jovens e destruidor de famílias.  

Até para a semana. Boa Páscoa!

O programa “À volta dos livros” anunciado ontem foi adiado para amanhã no mesmo horário, por motivos de transmissão do debate parlamentar.