Pare, escute e olhe!

Fevereiro 25, 2008

The Clocks

Originally uploaded by f/1.4

 

Cada vez mais há menos tempo. A vida corre num piloto-automático que dispara com o despertador, e termina com o botão de standby do comando da televisão, antes das voltas na cama a pensar no dia que se segue.

A era em que vivemos, da tecnologia, da inovação, das grandes descobertas, é, também, a era onde de cada um se espera que trabalhe tanto, ou mais, que uma máquina, e que despache o serviço de ontem há um semana atrás.

O telemóvel, o email, as mensagens instantâneas, em vez de se tornarem em ferramentas de apoio à produtividade, contribuem para o estado de stress, de alerta continuado, e de urgência, na maior parte das vezes ilusória.

Nos dias de hoje é esperado que o ser-humano suplante a lei de Moore, que prevê que a velocidade de processamento duplica a cada 2 anos. Acontece que isso é impossível, e com a incapacidade de acompanhar a velocidade tecnológica, a pressão dos pares e superiores, e o falso sentimento de culpa, vêm as depressões, a apatia, as doenças e, em não tão raros casos, o suicídio.

Sendo este um fenómeno que se tem vindo a agravar desde a última metade do século passado, eu pergunto se será que o ser-humano só existe desde essa altura? Como é que se conseguia viver quando as notícias demoravam semanas, e até meses, a serem difundidas?

É inegável que os avanços tecnológicos nos trazem uma esperança de vida maior. Mas para quê? Antigamente, podia-se viver pouco, mas o tempo parecia dar para tudo. Hoje, hoje não se vive. Corre-se para a meta passando ao lado de todos os pontos de interesse, e morre-se com o desgosto de não se ter feito metade do que era suposto. Mas será que há mesmo falta de tempo, ou serão os padrões estabelecidos altos demais? Será que vivemos pelo status quo e não pelo prazer? Será que vivemos de ordenado em ordenado, sem paragens pelo caminho?

Se se sente neste remoínho, altere a situação enquanto pode. Para começar, faça de conta que acaba de chegar a uma passagem de nível sem guarda e leia com atenção as instrucções: Pare, escute e olhe.

Pare! O mundo não vai parar se não responder a esse email agora, ou se desligar o telemóvel durante 15 minutos e for passear até ao parque ou jardim mais próximos; pare! de ouvir o que os outros esperam de si, e de se culpar por não ter completado o 28º relatório do dia.

Escute! As queixas do seu corpo que há muito lhe pede umas férias, ou dos seus entes queridos que lhe suplicam um pouco de atenção; escute! aquela música favorita, sentado no escuro da sala sem fazer nada.

Olhe! Para a natureza, veja uma árvore, uma flor; olhe! para o seu companheiro do lado, fale com ele; olhe! para aquele livro empoeirado sobre a mesinha de cabeceira; olhe! para o que realmente quer fazer e viva-o intensamente!

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