Hawley go lightly…

Fevereiro 29, 2008

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É um bacano, este Richard Hawley… E são uns tipos porreiros, estes, da organização do Festival para Gente Sentada, de Santa Maria da Feira. Todos os anos prometi a mim mesmo – e a outros, que já não ouvem as promessas dos políticos, quanto mais as minhas – ir até lá, apreciar a boa música que eles oferecem sempre. Imagino estas estrelas do subsolo musical tentando pronunciar o insólito nome da terra onde vão actuar – “Senta Marria da Fieerra”. Any way, nunca cheguei a passar das intenções à prática. E tudo indicava que ainda não fosse este o ano do quebrar do enguiço. Mas o Richard Hawley chamava muito por mim, naquela voz à Barry White branco do Norte de Inglaterra, não só pela amizade com o (vénias) Jarvis Cocker, dos Pulp, como pelo último álbum, que tive a honra de comprar por uns módicos 19 euros. Como tinha companhia, lá fui. O homem tem realmente uma voz fantástica. Pensei nos tempos em que ele era apenas guitarrista dos Longpigs, uma banda da Liga de Honra da Britpop. Devia ser chato para o vocalista saber que tinha alguém mesmo ali ao lado com uma voz melhor que a dele. E depois as letras, as melodias, a pose e o cabelo à Elvis, conseguiram transportar-me para tempos que não conheci, quando tudo era mais natural e ainda havia oportunidade para inventar coisas novas. Foi um óptimo serão, sentado, sem dores nas pernas nem dormências nas traseiras, com a ajuda do virtuoso da guitarra Norberto Lobo e do virtuoso da treta – no bom sentido – J. P. Simões, que antecederam o senhor de Sheffield que canta “Valentine” como se o século XXI ainda não tivesse chegado – nem os messengers, nem os hi5’s, nem todas as bodegas virtuais.

Foi por isso que não resisti, no título, ao trocadilho com Holly Golightly, a personagem da (vénias e mais vénias) Audrey Hepburn em “Breakfast at Tiffany’s”. É o glamour, pura e genuína classe que voa…

(foto: site oficial de Richard Hawley)

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Taxi Driver

Fevereiro 28, 2008

Taxi Driver Taxi Driver

Se queremos falar de táxis em filmes (e eu quero) não podemos esquecer o filme Taxi Driver, realizado por Martin Scorsese e interpretado violentamente por Robert De Niro.

A história do filme conta-se de uma forma rápida. O solitário Travis decide conduzir um táxi durante o turno da noite e madrugada como forma de combater as insónias provocadas pelas memórias perturbadas de um marine. Enquanto vai recolhendo e largando os passageiros, Travis vai aumentando a sua raiva em relação às pessoas que o rodeiam e às suas atitudes para com ele. Procura, então, aplicar essa raiva, e adquire um pequeno arsenal que irá mudar a sua vida, mas talvez não tão profundamente como imaginaria.

No processo, acaba por tentar salvar uma jovem prostituta, interpretada por uma Jodie Foster prestes a concluir o seu 13º aniversário, mas já com as qualidades que comprovou alguns anos mais tarde.

Contudo, entender o filme e as suas subtilezas é muito mais do que apenas conhecer a sua história.

O mesmo se aplica à personagem de De Niro. Are you talking to me?

Pelo Mercado do Bolhão…

Fevereiro 27, 2008

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Lembro me de com a minha mãe apanhar o eléctrico nº 7 no Amial, que vinha da Ponte da Pedra e ia em direcção à baixa do Porto.

E lá ia, devagar, no seu compasso, pelos caris fora acompanhado com o seu som característico. Eram assim os lentos eléctricos que se moviam pela cidade, transportando gente de um lado para o outro, cada qual para o seu destino. Nós íamos em direcção ao movimentado mercado do Bolhão. Era uma algazarra. Um colorido. Um agitar de gente. Uma gritaria. Uma azafama. Uma alegria. Entrávamos sempre pela porta de Sá da Bandeira. A mãe já ia às bancas do costume, como boa cliente que era. Mas pelo caminho…

– Ó freguesa! Venha aqui que é fresquinha! Ainda está viva, vivinha…Gritava a mulher de xaile escuro pelos ombros, avental colorido e rodilha na cabeça.

A mãe abeirava-se da banca do peixe e lá estava ele deitado, cor prata. Enquanto o negócio dava o seu fruto. Eu corria para o lado dos animais, já naquele tempo lamentava ver as galinhas presas pelas patas, cada uma para seu lado, umas em cima das outras sem o mínimo cuidado. Ainda reclamava quando a mulher lhes pegava para mostrar a freguesa, como se fosse um molhe de espinafres, as pobres ficavam de cabeça para baixo enquanto a cliente não se decidia.

– Cuidado que as magoa! Mas ninguém ligava, eram coisas de criança. Hoje cresci, mas continuo a achar, que quem nasce animal neste país está mal. Mas voltemos ao tema.

O mercado do Bolhão era e pode continuar a ser, um frenesim de actividade comercial, um ponto de passagem imperdível para os políticos em campanha eleitoral prometerem os impossíveis, local de passeio para o turística que fotografa, local de amizades entre clientes e vendedores, local com vida própria, com gente… Actualmente, o mercado do bolhão está velho, cansado, a precisar de uma requalificação, mas não está morto. Interesses meramente economicistas querem acabar com o que de mais autêntico existe na cidade, e transformar um mercado em mais um “shopping”.

A empresa TramCroNe, de origem holandesa, assinou um contrato com a Câmara do Municipal do Porto, em 23 de Janeiro que prevê a cedência do edifício por 50 anos.Descontentes com o rumo dos acontecimentos, surgiu um movimento cívico empenhado que tem levado a cabo várias iniciativas para travar a destruição do mercado do Bolhão.

Hoje, é entregue na Assembleia da Republica uma petição com mais de 50 mil assinaturas, em defesa da reabilitação do Bolhão.A minha voz junta-se assim a este movimento. http://www.petitiononline.com/ptratt/petition.html

Pare, escute e olhe!

Fevereiro 25, 2008

The Clocks

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Cada vez mais há menos tempo. A vida corre num piloto-automático que dispara com o despertador, e termina com o botão de standby do comando da televisão, antes das voltas na cama a pensar no dia que se segue.

A era em que vivemos, da tecnologia, da inovação, das grandes descobertas, é, também, a era onde de cada um se espera que trabalhe tanto, ou mais, que uma máquina, e que despache o serviço de ontem há um semana atrás.

O telemóvel, o email, as mensagens instantâneas, em vez de se tornarem em ferramentas de apoio à produtividade, contribuem para o estado de stress, de alerta continuado, e de urgência, na maior parte das vezes ilusória.

Nos dias de hoje é esperado que o ser-humano suplante a lei de Moore, que prevê que a velocidade de processamento duplica a cada 2 anos. Acontece que isso é impossível, e com a incapacidade de acompanhar a velocidade tecnológica, a pressão dos pares e superiores, e o falso sentimento de culpa, vêm as depressões, a apatia, as doenças e, em não tão raros casos, o suicídio.

Sendo este um fenómeno que se tem vindo a agravar desde a última metade do século passado, eu pergunto se será que o ser-humano só existe desde essa altura? Como é que se conseguia viver quando as notícias demoravam semanas, e até meses, a serem difundidas?

É inegável que os avanços tecnológicos nos trazem uma esperança de vida maior. Mas para quê? Antigamente, podia-se viver pouco, mas o tempo parecia dar para tudo. Hoje, hoje não se vive. Corre-se para a meta passando ao lado de todos os pontos de interesse, e morre-se com o desgosto de não se ter feito metade do que era suposto. Mas será que há mesmo falta de tempo, ou serão os padrões estabelecidos altos demais? Será que vivemos pelo status quo e não pelo prazer? Será que vivemos de ordenado em ordenado, sem paragens pelo caminho?

Se se sente neste remoínho, altere a situação enquanto pode. Para começar, faça de conta que acaba de chegar a uma passagem de nível sem guarda e leia com atenção as instrucções: Pare, escute e olhe.

Pare! O mundo não vai parar se não responder a esse email agora, ou se desligar o telemóvel durante 15 minutos e for passear até ao parque ou jardim mais próximos; pare! de ouvir o que os outros esperam de si, e de se culpar por não ter completado o 28º relatório do dia.

Escute! As queixas do seu corpo que há muito lhe pede umas férias, ou dos seus entes queridos que lhe suplicam um pouco de atenção; escute! aquela música favorita, sentado no escuro da sala sem fazer nada.

Olhe! Para a natureza, veja uma árvore, uma flor; olhe! para o seu companheiro do lado, fale com ele; olhe! para aquele livro empoeirado sobre a mesinha de cabeceira; olhe! para o que realmente quer fazer e viva-o intensamente!

URSO DE OURO EM BERLIM

Fevereiro 25, 2008

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O fulgor do Tropa de Elite, filme de José Padilha, inspirado na obra literária “Elite da Tropa” de Roberto Pimentel e o sociólogo Luis Eduardo Soares, já passou aqui no Brasil, pois de algum modo apesar da violência ser algo que não se deva acostumar, infelizmente, com o correr dos nossos dias, nós, brasileiros, nos acostumamos a ela e ao filme também, já que o lançamento a nivel nacional ocorreu no Brasil em 12 de Outubro de 2007, mas no dia 16 de Fevereiro de 2008, para “orgulho” do Brasil, voltamos a sentir o peso do filme com o prêmio do Urso de Ouro do Festival de Berlim, que para surpresa de muitos, o filme não foi apresentado no circuito alternativo como se poderia imaginar, mas sim, no circuito comercial.

O orgulho vem um tanto quanto maculado pelo tema que ele nos denuncia nas telas, pois nenhum cidadão brasileiro tem orgulho do que ocorre no sub-mundo da cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro – uma guerra que vai muito além do que a nossa vãn imaginação pode alcançar, mas que Tropa de Elite vem nos “rememorar”.

Em meio a tantos encantos há o desencanto, esse com a mais pouca valia dada a vida das pessoas. O que Tropa de Elite nos revelou foi os bastidores da violência, tanto do tráfico como da polícia, da corrupção policial, a qual, até para nós, brasileiros, não deixou de surpreender pela realistica abordagem, e não só, denunciou mais – o papel da sociedade no tráfico de drogas, que muito fomenta o crime organizado no Rio de Janeiro, passando pela análise do contexto social que há em tudo isso.

A grande repercussão do filme aqui no Brasil ocorreu meses antes de chegar aos cinemas, pois o filme já flutuava no mercado da pirataria e na Internet, e até os atores do filme não chegaram a repudiar tal ato, pois houve um aspecto positivo em tudo isso, apesar do aspecto negativo da pirataria, foi por causa da pirataria que o filme chegou até o grande público que assiste televisão no Brasil, estimando-se que mais de 11 milhões de brasileiros viram o filme de forma ilegal, o que também não impediu que o filme brilhasse nas telas dos cinemas brasileiros com grande sucesso de bilheteria, alcançando mais de 1000 espectadores por sala na primeira semana, ainda que seu lançamento inicial tenha ocorrido apenas nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. E outra curiosidade que vale a pena lembrar é que, pasmem – em novembro de 2006, traficantes do morro Chapéu Mangueira, aonde as filmagens ocorreram, sequestraram parte da equipe de filmagem e roubaram as armas cenográficas, paralisando as filmagens por duas semanas e tudo isso culminou com a cópia pirata, que ainda não era a versão final do filme, mas já estava circulando antes da estréia do filme no cinema. E esse foi o cenário da movimentação do Tropa de Elite no Brasil!

Também há uma coisa que não posso esquecer de vos dizer aqui: algo vai muito mal com o nosso sistema, e como sabemos que o câncer é uma doença que instala-se sem pedir lincença e cuja a cura é uma luta diária, os policias, oficiais mal remunerados, estão instalados no nosso país nos cabendo torcer que na escolha entre se tornar corrupto, negligente ou entrar na guerra, eles escolham a dignidade do homem que assume um compromisso com a sociedade, ainda que essa sociedade muitas vezes não faça por merecer.

Vale a pena assistir. Não há dúvida que estamos diante de um bom filme, aquele que leva ao mundo a chance de começar a perceber como vai sendo deflagrada a “guerra” nas favelas do Rio de Janeiro. Mas é preciso dizer ainda mais uma coisa: a “guerra” que vemos no filme, aquela entre o tráfico de drogas e polícia do Rio de Janeiro acontece apenas nessa cidade, não vivenciamos isso nas demais capitais do Brasil, pois o que ocorre no Rio é algo particular, tão peculiar que o restante do Brasil assisti a tudo isso com a devida “distância”, sempre por indagar o que estão a fazer com os seres humanos dessa cidade – uma das maravilhas não apenas do Brasil, mas do mundo.


Venha daí esse abraço!

Fevereiro 22, 2008

 

O futebol é uma actividade plena de emoções fortes, momentos de lágrimas, – como ontem aquando do 2-0 do Nuremberga – momentos de raiva – como ontem, a partir do 2-0 do Nuremberga – ou de alegria – como ontem, ao minuto noventa, quando o Di Maria marcou o 2-2 e o Benfica passou. Mas convenhamos que uma ou outra vez, assim, de longe a longe, as emoções sobem à cabeça que, quando não tem juízo, – onde é que eu já ouvi algo parecido? – gera sempre consequências parvas.

Aqui há dias, via eu, mais do que ouvia, o resumo da jornada, quando me apercebo de, no final do Nacional – Vitória de Guimarães, um sujeito de boné e fato de treino atravessar o campo em direcção ao treinador do clube da cidade-berço, o sempre sábio Manuel Cajuda. Pensei que pudesse ser um adepto que tivesse saltado da bancada e invadido o campo – sem grande piada, uma vez que estava vestido e era claramente do sexo masculino. Até ao momento em que me apercebi de que ouvir às vezes dá jeito e deixei que o jornalista me dissesse de quem se tratava. Era Jokanovic, o treinador do Nacional. Pensei: “Bem, ou está a tentar mostrar que ainda tem pernas para jogar e quer mesmo é ir para o Guimarães, ou é o cúmulo da simpatia e foi a correr na direcção do Cajuda para o abraçar e, provavelmente, pegar nele ao colo e atirá-lo ao ar, enquanto grita «viva!»”. Mas não. Afinal, era mesmo para lhe bater. Justificação: segundo o técnico do Nacional, Cajuda teria dito, no jogo da primeira volta, em Guimarães, que lhe ia “partir a cara”. Quem conhece o algarvio, não consegue imaginá-lo facilmente a pronunciar estas palavras, passando ele metade das conferências de imprensa a elogiar o adversário. Talvez o Jokanovic se devesse ter metido com o José Mota ou o Jaime Pacheco. Esses sim garantiam espectáculo e emoção…

O motorista colateral

Fevereiro 21, 2008

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A vida de um taxista pode ser muitas vezes algo aborrecida, como a vida de um rato fechado num labirinto, continuamente à procura de uma saída. Muitas vezes o escape está numa boa conversa com os clientes, ou numa fuga repentina para o lugar dos seus sonhos. Contudo, as noites tendem a ser enfadonhas e aborrecidas. Esta noite não será, certamente, um desses casos.

Durante doze anos Max tem vivido uma vida vulgar, conduzindo um táxi pelas ruas de Los Angeles, imaginando atalhos e criando um ambiente propício a uma conversa sempre interessante… para quem estiver disposto a tê-la, claro. Quando as coisas dão para o torto, Max baixa o tapa-sol e perde-se numa imagem escondida de uma ilha, também ela perdida no meio de um mar limpo e calmo. Essa é a ilha que dará o nome ao seu sonho: a sua empresa de limusinas que será o seu verdadeiro emprego. O trabalho actual é apenas um part-time, para pagar as contas, que entretanto se vai prolongando indefinidamente.

Esta noite, após um bom momento com uma cliente bastante elegante, será marcada por um Crazy Tom Cruise, que encarrega Max de transportá-lo durante a madrugada a cinco locais onde tem de acertar uns negócios. Vincent é um metódico e frio assassino contratado e Max apercebe-se disso após a primeira etapa da viagem, quando uma subtil vítima de Vincent se despenha em cima do seu táxi. A partir deste momento, Max apercebe-se que a sua pacata vida está em jogo, e debate-se por sobreviver a uma louca noite na qual será difícil adormecer ao volante… e corre o risco de vir a tornar-se um dano Collateral.

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Quem gosta de passear pelas ruas íngremes e vielas estreitas desta cidade? Existem ainda congostas a fazer lembrar o burgo medieval.

Os telhados que se tocam, a roupa no verão a corar ao sol, os estendais nas janelas ou às portas, os vasos floridos nos parapeitos. Isto é o cenário que se encontra para quem passeia na zona história da cidade do Porto: Ribeira, Sé, Massarelos – antiga zona industrial –, S. Nicolau.

As origens mais remotas são anteriores a tempos pré-romanos. Designava-se Cale ou Portus Cale no período romano, alguns historiadores afirmam que deu origem ao nome de Portugal. Mas ainda é um tema muito discutido.

Decorria o ano de 868, quando Vímara Peres, fundador da terra portugalense, teve um desempenho importante na conquista do território aos Mouros, foi a restauração da cidade de Portucale. D. Teresa, mãe de D. Afonso Henrique, concedeu ao bispo D. Hugo o couto do Porto em 1111.

Aqui começa a história de uma cidade que tem muito para contar. A toponímia mais antiga faz referência a episódios importantes da vida do burgo. Mas nem tudo está descoberto, em cada esquina renasce um acontecimento na esperança que alguém o divulgue. E para isso, muito tem contribuído Germano Silva, autor de inúmeras obras sobre a cidade do Porto.

Aconselho, Porto: Da História e da Lenda, da editora Casa das letras. Já agora, se puder, em cada leitura percorra a pé os locais mencionados, irá apreciar de outra forma…vai ver.

Bons Passeios! Desfrute!

“Não sei se esta cidade existe, ou se é o meu coração a vai construindo…”  – Egito Gonçalves.

O dr. das armas

Fevereiro 19, 2008

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Para muitos, o nome Hugh Laurie é sinónimo de um médico simpático, bem-disposto, altruísta, IMTJ, que se dá pelo nome de Dr. Gregory House, e que pode ser visto em Portugal na TVI.

O que alguns não saberão é que este Sr., para além de fazer um sotaque americano excelente, é também escritor. Editado em Portugal com o nome de O traficante de armas, este livro é um retorcido conto de espiões, com espírito humorado e inteligente, digno de ser lido nas cortes de Charles, Príncipe de Gales.

Neste livro, Laurie conta as peripécias de Thomas Lang, um ex-polícia que se tornou mercenário. Mas não estamos perante um mercenário qualquer. Thomas Lang é um homem de escrúpulos, que perante a oferta de de 100 mil dólares para assassinar Alexandre Woolf, não só a recusa, como o tenta avisar de que o pretendem matar. A partir deste momento, Thomas Lang entra numa espiral de loucura, na qual não faltam mentiras, intrigas e mulheres fatais.

Laurie desenrola a trama do ponto de vista de Thomas Lang, personagem com uma visão cáustica do mundo, descrevendo assim as situações, já de si invulgares, de uma forma ainda mais distorcida e peculiar.

O traficante de armas, editado em Portugal pela Caderno, é uma agradável surpresa, ou talvez não, que, quase certo, agradará a muitos de vós.

O nosso isolamento!

Fevereiro 18, 2008

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Na arte de viver, me peguei pensando por alguns momentos na vida “isolada” dos dias de hoje, digo isolada no nosso próprio mundo, nas nossas casas, cercadas, ao menos aqui no Brasil, de segurança, porteiros eletrônicos, câmaras, cercas elétricas, essas últimas necessárias nas “casas  fortalezas”, aquelas que aqui os famosos põem e dispõe como se estivessem a seguir para qualquer supermercado da próxima esquina, rumo a compra de um novo utensílio doméstico que dão por falta em casa.

Perdemos a  poesia de saber como se chama o vizinho da porta ao lado, ou quem sabe do  prédio inteiro, ou para aqueles que moram em casa, de todos aqueles moradores do mesmo quarteirão; e dizem ainda que isso são os toques de modernidade e de globalização, dizem ainda que isso denota o nosso progresso e a nossa tecnologia agregante, não seria melhor dizer a prepotência estúpida daqueles que pensam que vivem no mundo como únicos?

A ilha que estabelecemos dentro dos nossos próprios limites é muito triste, é algo imposto por nós mesmos para não atravessar as fronteiras do outro, não conhecer, essencialmente, as pessoas, não trocar ou simplesmente aprender com elas – não que eu ache que todos os meus vizinhos ou de cada um de vocês, tenha algo de grandioso a ensinar, mas esse isolamento afasta sequer a possibilidade de descobrir, quem sabe um dia qualquer, assim meio que distraídos, que tem-se uma alma de artista bem na casa ao lado, quem sabe até uma mera encarnação de Jorge Amado a fazer fronteira com a parede do nosso quarto, ou seja lá quem for…

O fato é que perdemos o jeito e o rebolado de encontrar um aconchego num mero sorriso simpático de bom dia do vizinho que abre a porta do elevador e tudo isso me faz recordar a música do Zeca Baleiro que nos deixa em festa quando diz: “hoje eu acordei com uma vontade danada de bater na porta do vizinho e desejar bom dia e beijar o português da padaria…” Imagina que leveza seria!

»Bom dia, como vai? Será que hoje vai chover ou o serviço de metereologia já avisou que o tempo estará firme, com céu claro e muito sol?» Não sei o que isso poderia ajudar no seu ou no meu dia, mas de uma coisa eu sei, descobri que o meu vizinho é uma pessoa normal, que pode vir a ter influência no meu dia, mesmo que seja apenas dividindo a previsão climática comigo… quem sabe um dia, se a necessidade apertar, posso bater na porta ao lado e pedir que me “forneça” o açúcar, tão necessário para o meu café, aquele que hoje esqueci de comprar no supermercado antes de retornar para as redomas da minha casa.