Dezembro 31, 2007

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Feliz Natal

Dezembro 22, 2007

Os autores do livro desejam a todos os amigos, colaboradores e leitores, um Natal FANTÁSTICO e um Ano Novo cheio de dias bem-passados!

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A primeira vez. Aquela que define que, a partir de agora, podemos olhar-nos ao espelho e dizer, com alguma confiança, “eh pá, sou escritor”, seguido de “caraças”, “puxávida” ou outra qualquer expressão essencial como complemento ao “!”. A noite da passada quinta-feira, no Era uma vez no Porto, foi esperada meses – anos, por alguns, como eu, cujo desejo de publicar nada tem a ver com a recente moda de escrever livros. Como disse, na altura do meu direito de antena, foram muitos os ensaios desde que, há 12 anos, comecei a achar que era mesmo isto que eu queria. Numa cave, com um público restrito, brinquei com a coisa séria que é a vontade de pegar em palavras e atirá-las como berlindes para cima de um papel.

Quis o destino, a sorte – ou Deus ou Alá ou Anthímio de Azevedo – que o frio me pregasse uma partida concedendo-me a sensualidade de uma voz rouca e o estilo radiofónico anos 30 de uma voz anasalada. Talvez por isso, ou porque os nervos enchem a barriga, comi a lasanha de uma assentada, sem lhe sentir sabor nem odor. Bem-acompanhado pelos colegas Bruno e Elsa e pelos fantásticos abrilhantadores do lançamento, João Pedro e Vânia, sempre fui tentanto espirrar-lhes o nervosismo para cima para que não ficasse tudo para mim – sou muito generoso, o que querem?…

Quando chegámos ao Era uma vez, aguardavam-nos aquelas caras bonitas que sabem sempre bem em momentos destes – não, não me estou a referir a nenhum serviço de acompanhantes ou escort girls (como lhes chamam em homenagem àquele Ford dos anos 70 e 80), isso foi só dep… – estou mesmo a referir-me aos amigos. Os meus pais, em particular, nunca estiveram tão próximos. Literalmente. Se gesticulasse demasiado, era capaz de partir o nariz ao meu pai…

Após a apresentação do nosso editor, Rui Grácio, aquelas palavras que servem para nos sentirmos os maiores por uns minutos, cada um disse o que pôde e o que quis – e porventura, o que sabia – acerca de si e do seu conto. Fomos sendo generosamente interrompidos pelos nossos actores acima citados que, de uma forma imaginativa, interpretaram à sua maneira os excertos da obra de cada um de nós.

Confesso que só ficámos a saber o quanto custa verdadeiramente ser famoso na hora de inventar uma dedicatória para cada um dos milhares – centenas? Pronto, dezenas – de pessoas que esperavam a nossa valiosa assinatura (a longo prazo) na loja Gira-Discos, no andar de baixo do Era uma vez.

E pronto. Fomos para casa com a sensação de um parto difícil mas que valeu a pena. Afinal, não é todos os dias que cinco pessoas fazem um filho. E vá, não pensem coisas porcas de nós, que nós somos pessoas civilizadas. Fizemo-lo à distância, de forma limpinha – não venha a ASAE atrás de nós. Fomos embora com aquele bocadinho no bolso e a certeza de um pouco mais de realização pessoal. Esperemos que o nosso “miúdo” vos divirta.

O Passado

Dezembro 16, 2007

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Esse é o quarto livro do argentino Alan Pauls, premiado, que se tornou filme nas mãos de Babenco, e sem dúvida com razão de assim o ser. Rímini e Sofia vivem durante doze anos um amor tão perfeito que, para ser completo, precisa incluir, paradoxalmente, o momento da separação. O problema vem depois: como lidar com o que ficou para trás? O que fazer com as centenas de fotos – momentos congelados, mas ainda pulsantes, de uma história viva – que jazem em duas grandes caixas de papelão.


“Ficou para trás” é força de expressão, e das mais inadequadas no caso. Pois em “O passado” o passado não passa. Não é o remoto território proustiano a ser reconquistado com o poder da memória, mas o terreno de areia movediça em que se corre o risco de pisar a cada instante. É um pesadelo recorrente, uma corte de fantasmas, uma dívida irremissível.


Ao se transformar em “passado”, o afeto não desaparece, mas simplesmente muda de sinal: a ternura desanda em ressentimento, o que era doce se azeda, a pulsão erótica vira impulso de morte. Esse é o mundo em que o Rímini pós-Sofia tem que aprender a viver..


A leitura surge como uma grande valsa, é como montar e desmontar peças de um amor que se repete muitas e muitas vezes numa busca incessante do amor que não se cala, mas não se perfaz em si mesmo. A linguagem é extremamente metafórica, emblemática, sedutora, apaixonante. A sensação é como assistir o amor em muitas das suas assustadoras fases, fazendo-se e desfazendo-se, caindo e levantando, sem nos darmos pelo ponto de partida ou de chegada. A leitura é, ou melhor, foi, para mim, fascinante.


Vale a pena ler o livro, muito mais do que o filme, pois, ao meu ver, ainda não foi dessa vez que Babenco conseguiu demonstrar que filmes podem ser tão envolventes como o livro que os deu origem.

Confira a entrevista com o Babenco

Ah, esta é a nossa capa…

Dezembro 10, 2007

O trabalho dos autores não se limitou ao conteúdo; a capa é da nossa autoria, com um toque histórico do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.

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Já temos apresentação marcada na cidade (+/-) de todos nós… Acima de tudo, na cidade do nosso livro. Dia 20 de Dezembro, no espaço Era uma vez no Porto (Rua do Passeio Alegre, nº550, na Foz), pelas 22h, vão ter a oportunidade também de ouvir ler excertos de cada um dos contos na voz de um grupo de actores. E claro, vão poder ver e comprar o livro!

Da próxima vez que for ao Japão e alguém ao seu lado receber uma mensagem de texto via telemóvel, a probabilidade de se tratar de mais um retalho de um romance é bastante elevada. Este fenómeno, que consiste na escrita de uma história mensagem a mensagem, geralmente por novos escritores e sob um pseudónimo, atingiu um nível sem precedentes no Japão. Segundo o Sydney Morning Herald, metade dos livros no top 10 nacional japonês são compilações em papel de romances originalmente escritos em mensagens de texto. Destinados a um público jovem, os romances abordam questões como as paixões durante o liceu, as drogas ou a SIDA.

Embora não pretendam ombrear com os grandes clássico da literatura, num mundo em que a tecnologia e a filosofia do fast food são dominantes, estas iniciativas podem ser um forte incentivo para que a juventude adquira hábitos de leitura. Muitos dos compradores destes livros são jovens que já tinham lido a versão original em mensagens de texto.

Por outro lado, os linguístas japoneses encontram-se preocupados pelo facto de que estes novos textos entregues por via electrónica estejam a toldar a aprendizagem por parte dos jovens dos kanji, os símbolos Chineses, intelectualmente mais desafiantes que o silabário usado no quotidiano japonês.

Tudo isto leva-me a pensar na aceitação e no impacto que este meio teria em Portugal. Se, por um lado, não há dificuldades no envio de mensagens, basta observar a forma como os jovens teclam nos telemóveis, para que nos apercebamos da velocidade com que a operação é realizada, por outro, há o dialecto que é “falado” nas mensagens escritas pelos jovens do nosso país, que pode levantar alguns problemas. Do ponto de vista do escritor ou escritora, se este optar por um português tal e qual ele é ensinado nas carteiras da escola, o livro está condenado à partida ao fracasso, pois nenhum jovem irá perceber o que está escrito no pequeno ecrã do seu telemóvel. Esta dificuldade irá, com certeza, levar a que quem escreve opte pelo dialecto comum ao meio. E daqui nasce o outro problema. Numa tentativa de levar os jovens portugueses à leitura, irão ser atirados para as estantes das livrarias textos escritos de uma forma exquixita que, com o uso, moldarão toda a gramática.

Mas nem tudo é mau. Com o tempo, não tardarão a aparecer reedições dos grandes clássicos como “ax pupilas do xr reitor” ou “ox luxiadax”.

Boa excrita e n s exqexam d exercitar ox polegarex!

O Empório do Sr. Magório

Dezembro 5, 2007

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É bom ser criança, de vez em quando. Principalmente quando não está em causa a maturidade das nossas decisões perante problemas como o IRS, as taxas de juro ou a conta do supermercado. Ontem, deixei-me levar pela vontade cliché desta altura do ano e fui ver um filme desses, sem os dramas de Almodovar, as reflexões de Bergman ou a sexualidade do cinema francês. Só é pena que “Mr. Magorium’s Wonder Emporium” tenha sido re-baptizado, em português, como “O maravilhoso mundo dos brinquedos “, a fazer lembrar um slogan de Natal de um hipermercado. Os dois protagonistas são garantia de qualidade na representação: Dustin Hoffman tem um talento do tamanho do nariz, inverso à sua altura; Natalie Portman é… Natalie Portman e cada grande plano da sua cara vale pelas linhas perfeitas, mas também pela expressividade de uma bela actriz. E o resto… é sonhar, deixar-nos abraçar pelos bonecos nas prateleiras e brincar com as bolas saltitonas “sempre a tentarem escapar”. Bonito. Inocente. Bem-feito. Sem IRS nem colesterol nem processos sumaríssimos.

Todas as luzes do mundo

Dezembro 5, 2007

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Ainda não tinha experimentado. Talvez pela arrogância cultural europeia, talvez por manifesta ignorância, Amin Maalouf ainda não era um nome que chamasse por mim de forma a que eu dissesse, estendendo a mão para a prateleira, “agora é que eu te vou ler”. Dessa forma, demorei cerca de dois anos a pegar em “Os Jardins de Luz”, do autor libanês, para descobrir nesse livro uma agradável temporada de leitura. Demorei uma semana a lê-lo, o que é rápido para mim – e eu sou assim, gosto de saborear as letras aos bocadinhos. Encontrei nas palavras de Maalouf uma fluência bíblica, sem o peso do livro sagrado do cristianismo. É-nos contada a história de Mani, um profeta nascido cerca de 200 anos depois de Cristo, a quem chamam “filho de Babel”, cujo papel é reunir numa religião a tolerância e o respeito por todas as outras. Claro está que numa época de expansão do império romano, a sua tarefa não é fácil. A História diz-nos precisamente isso. Mani deu origem, por distorção do seu nome, ao termo “maniqueísmo”. E Maalouf faz-nos pensar que talvez o mundo tenha andado para trás em tolerância e civilização.