Um ano de vida do TAXICIDADE!

Dezembro 17, 2008

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Faz hoje um ano que o nosso livro, Taxicidade, se materializou. Foi um longo percurso, as ideias nem sempre se transportam facilmente para o papel.Era uma noite de ansiedade, uma noite fria que eu quase não senti tal era a ânsia que me dominava.

O bar, Era uma vez no Porto, esteve ao rubro. Cinco autores, um livro e muitos familiares e amigos. Os pais olhavam-nos babados pelo nosso glorioso feito. Para os autores do Taxicidade era a NOSSA GRANDE NOITE, a primeira de muitas, tenho a certeza.

 

No bar; o calor, o fumo, a confusão de vozes que se sobrepunham, a constante solicitação por uns e outros, os beijos de quem nos queria cumprimentar, e dizer, eu estou aqui.

Foi uma noite única, mágica para quem, como nós, a viveu intensamente.

Hoje, passado um ano, o nosso TAXICIDADE continua à venda nas livrarias deste país.

 

Embora na caminhada de cada um dos autores outros projectos tenham tomado a maior parte do tempo, o TAXICIDADE fará sempre parte das nossas vidas como o primeiro livro, como aquele sonho que se realizou.

 Nós continuamos a encontrar-nos, pontualmente, mas sempre que o fazemos o bom humor surge com aliado natural. Daríamos uns bons “gatos fedorentos. Lembro-me dos nossos encontros sempre com um sorriso nos lábios: das piadas que trocamos, do segundo sentido das frases, das conotações das palavras. Até os elementos mais tímidos se revelam naqueles encontros.

 

Mas o TAXICIDADE ainda tem muito para dar, sob outras formas de expressão, outras artes. O prezado leitor, pode ter a certeza que o TAXICIDADE está no início de vida. Parabéns pelo 1º aniversário!

Dezembro 17, 2008

É dia de dizer que ( apesar de também já está quase a fazer dois meses que estou ausente do nosso blog,  e portanto, quase um “aniversário” da minha ausência, que suprirei em breve quando tiver início as minhas tão esperadas férias)nesse momento a minha chegada até aqui é para CELEBRAR com vocês o nosso PRIMEIRO ANO de Aniversário do TAXICIDADE – sim, sim!!!

Foi no ano passada, proximamente a essa hora, na cidade do PORTO, que estavámos em preparativos para a primeira sessão de lançamento do Taxicidade…ainda com o coração aos saltos, preparando nas nossas mentes o que dizer ao nosso querido público que nos aguardava no espaço  “ERA UMA VEZ”.

Hoje estamos aqui para celebrar esse dia com vocês, aqueles que acompanharam o nosso projeto, que participaram dele de alguma meneira, que nos presentearam com palavras de incentivo e apreço, o nosso  – MUITO OBRIGADO!

Por certo a jornada prossegue para cada um de nós, e, sem dúvida, depois dessa nobre vivência –  de uma outra maneira vemos a vida, por sobre um taxi! lol

…Era uma vez cinco jovens companheiros de jornada na escrita criativa. Aventuraram-se pelas ruas do Porto, viajaram na imensidão inventiva das suas mentes criativas, e assim, entre o lúdico e  a fantasia, criaram as suas estórias. Ficções repletas de diversidades, mas, sobretudo, a vontade e o desejo de que essas “estórias”  um dia pudessem ser contadas,  quiça em algum dos quatro cantos desse nosso planeta… Ainda não sabemos mensurar o quanto os “nossos táxis” viajaram, mas de uma coisa tenho certeza – nosso táxi percorreu  bons quilomêtros, estes rodados na nossa imaginação para então chegar até vocês!

Um grande abraço a todos e em breve pretendo retornar ao blog!

Andréa Menezes

Recebi de um aluno um texto do Nelson Hoineff, cujo link é: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=508JDB002. O tema é algo que sempre e continuamente estou a refletir no meu inconformismo de quem espera chegar, quem sabe um dia, um tanto mais próxima de respostas; vim aqui “verbalizar” para vocês, convidando-os a pensar comigo, para que então cheguem as suas próprias conclusões, e se elas aparecerem, por favor, passem adiante, é o mínimo que podemos fazer para contribuir na chegada do dia em que, nós, seres humanos, compreenderemos que a nossa atitude pode mudar alguma coisa.

Aqui no Brasil, mais uma vez – “na terra do sempre e quase nunca”, o drama da vida real torna-se reality show frente as câmaras de telivisão, e a notícia é passada de modo tão sensacionalista e pleno que em dados momentos pensamos até ser ficção, diante de  produção tão bem montada e dos efeitos especiais que fazem flesh a nossa tão disputada visão, para muitos resta apenas conferir.

A “bola da vez” nesse momento, digamos assim, ilustrada pelas manchetes de televisão, jornais e revistas tem muitos títulos: “O sequestro de Santo André”, “A morte da jovem Eloá” “A tragédia que tirou a vida de uma jovem de 15 anos”, “O amor que leva a morte” e por aí vai… são inúmeras as denominações trazidas pela mídia diante de mais um caso, dentre tantos outros, tão cruel, tão violento, tão passional, tão inominado.A dificuldade maior para nós, ante todo o sensacionalismo posto pelas câmaras de televisão, antes, durante e depois do desfecho fatal, é que por falta de boas informações, somos compelidos a ver e rever, milhares e milhares de vezes, o mesmo “filme” trágico, as mesmas cenas, a mesma leitura sórdida de sempre, aquela que os meios de comunicação, visando atingir o seu lucro nos “vomitam”.

Os bandidos tornam-se “coitadinhos” e os tais “coitadinhos passam ao papel de marginais, tudo em questão de segundos; a polícia quer dar show para os espectadores ávidos por ação que estão a acompanha-los pela TV, e não só, aqueles que pretendem passar por estrela, ainda que em um breve estrelato, basta aparecer naquele limitado campo de ação e faz-se ali o seu momento de “glória” ! E  nós?

Muitos de nós estamos, como numa espécie de “deleite mórbido”, a contar presença e dar os pontos para que a audiência atinja seus picos, sem tempo para obter a informação e refletir, sem tempo de nos dar conta que ali não é ficção, mas realidade, mesmo que aquela imite a vida, estamos a espera de menos além do que o the end – o que está acontecendo com o ser humano? Podem me dizer, por favor!  Recordo-me nesse instante a conhecida frase de  Thomas Hobbes – “o homem é o lobo do próprio homem”. Como somos ferozes, ferocidade impressa de tantas formas, mas, sobretudo, posta nesse “mórbido prazer” em ser espectador de trágicas notícias, e a prova disso é o elavado indíce de audiência para aqueles programas sensacionalistas que passam o dia a mostrar os crimes ocorridos nas grandes metrópoles.

Somos os marginalizados do outro lado da cortina? Somos! Capturados por uma distorção de imagens e interpretações que ficam ao sabor do capitalismo selvagem a espera de bater os pontos de audiência e da vendagem de mais e mais revistas e jornais?  Somos! E como diz o Nelson Hoineff, nessa altura já passamos e muito de espectadores, somos, unicamente – consumidores passiveis, a espera do produto seguinte! Então vamos consumir coisas melhores, vamos ler as revistas que não são manipuladas pelos interesses políticos do nosso país, vamos assistir canais de TV que consideram que somos seres capazes de interpretar uma formação, que não somos debilóides.

Algo me causou ainda mais espanto ao terminar de ler essa matéria, foi o fato da pergunta final, que em verdade é uma resposta – A propósito: como era mesmo o nome completo daquela menina que jogaram pela janela?” Parei para pensar e como num sopro me veio – “Isabella Nardoni”. Lembram dessa outra bola da vez? Sim, a notícia já ficou velha, o show já foi transmitido, as bilheterias já lotaram, o lucro já foi auferido, e a com a mesma rapidez que toda aquela tragédia nos chegou, foi consumida. Outras também passaram e outras também chegarão, como essa do “Sequestro de Santo André”, não há tempo para processar nada, não há reflexão de nada, o importante é manipular a notícia!

Por tudo isso, penso que o texto do Nelson Hoineff, deixou de fora uma importante reflexão – e qual seria ela? Para um “jornalismo selvagem” também há um espectador que pretende ser apenas um consumidor, e esse espectador não faz parte apenas de classes sociais menos informadas, não! Vejo também nesses espectadores pessoas intituladas esclarecidas e escolarizadas, pessoas com a acesso a outras informações que não apenas essas, pessoas que poderiam utilizar do seu poder de discernir, que poderiam não colaborar para o aumento desses pontos de audiência, mas permanecem pacíficas, sentadas a assistir tudo isso como num delírio cego sem dar-se conta de nada.

Ficam as perguntas, e mesmo que elas não tenham uma imediata resposta, que nos sirva de reflexão: o que os nossos olhos, efetivamente, enxergam, são as informações que nos são passadas? Será que um dia aprendemos a ver ou desaprendemos sem nos dar conta?

 

Estou aqui, apesar de não ser o meu dia de postar no blog, exatamente para suprir a minha ausência de segunda-feira, mas creio que tenho algo interessante para lhes relatar.Essa semana li uma matéria na revista “Caros Amigos”, escrita pela jornalista Mayre Anne Brito, que muito me chamou atenção, certamente porque estive a viver por quase dois anos em Portugal, e apesar de legalizada, pude assistir um pouco mais de perto a atmosfera que paira, por exemplo, para os brasileiros, aqueles que vivem na triste ilegalidade, ao sabor da sorte, distanciando-se muitas vezes do propósito que os faz chegar ali.

 A matéria que pretendo dividir aqui com vocês é nominada - “Dos Indesejáveis Errantes” e noticia a polêmica “Diretriz de Retorno”. O que seria isso? Uma lei que já leva também um sinônimo – “Diretriz de Vergonha”, e para não deixa-los ainda mais curiosos, vamos lá saber do que estamos a falar.

Após três anos de debate, em 18 de junho, reunidos em Estrasburgo, os 27 governos do Parlamento Europeu, através dos seus deputados, com esmagadora maioria, 367 contra o “não” de 206 opositores, votaram a chamada “Diretriz de Retorno”, que contará com dois anos para ser implementada, e  multiplica os motivos para proceder à detenção e conseqüente expulsão dos imigrantes sem documentos, dos estrangeiros que entram ilegalmente para pedir refúgio político ou daqueles que, em primeira instância, não são reconhecidos como exilados e em função dessa decisão os Estados podem viabilizar pacotes específicos de medidas de segurança anti-imigração. E mais, esses  27 governos vão dividir 676 milhões de euros, algo em torno de R$ 1,7 bilhões para financiar a repressão aos imigrantes durante o período 2008 a 2013.

As medidas vão mais além, como se não bastasse, a “Diretriz da Vergonha”, obriga os 19 países restantes da União Européia, que antes disciplinavam um tempo menor, a introduzir em seu sistema penitenciário, detenção forçada de imigrantes por 18 meses, a exemplo, na França, o estrangeiro sem documentos permanecia preso somente 32 dias; na Espanha, 40; em Portugal e na Irlanda, 60 dias. A Alemanha, que não quis perder tempo, com o seu governo social democrata já oficializou a prisão para 18 meses, e mais, agora quase que não existe nenhuma distinção entre o imigrante sem documento que foge da miséria e o refugiado político pobre. Todos ficam presos nos CPT’s à espera da sentença que, em 90% dos casos, agora, será sempre de expulsão por não ter documentos originais.

Diante das medidas previstas, somente o estrangeiro que entra nos países europeus com passaporte regular de turista e dinheiro, poderá apresentar o pedido de asilo político sem ser preso e usufuir da assistência jurídica gratuita. Por outro lado, para os imigrantes ou os refugiados políticos pobres, aqueles que para desembarcarem nas praias européias e enfrentam o mar em navios sobrecarregados até morrerem sufocados, vê-se um futuro ainda mais sombrio.

Em termos gerais, a “Diretriz de Retorno” coloca fora das regras da jurisprudência os 8 milhões de imigrantes sem documentos que vivem na Europa. Assim, aquele que estiver em situação irregular e se negar a deixar o país num prazo entre 07 e 30 dias, recolher-se-á a prisão por um prazo de 06 meses, podendo prorrogar-se a pena por mais 12 meses em casos específicos, inclusive a detenção de menores que não estejam acompanhados dos pais ou responsável, mas ao menos esses terão direito a educação e jogos lúdicos.

E a repercussão de tudo isso tem sido grande, por exemplo, em declaração a  Anistia Internacional divulgou um comunicado dizendo que: ”O texto aprovado pelo Parlamento Europeu não garante o retorno com segurança e dignidade dos imigrantes irregulares a seus países e estabelece um exemplo extremamente ruim para todos os povos”

Bem, passadas todas informações quanto ao objetivo de tal medida, é importante dizer que a matéria que li na revista “Caros Amigos” traz dois enfoques que não podem e nem devem passar despercebidos em meio a tudo isso. Primeiro a Europa, tão preocupada em transmitir ao mundo a sua bandeira de apoiante incondicional dos direitos humanos, aprova uma lei que vai muito a margem de qualquer proteção as diretrizes humanistas, sobretudo porque, apesar da nova medida, ainda assim, há “brechas” no texto que permitem que as autoridades tenham a liberdade de aplicar regras mais amenas a qualquer um, ou seja, de algum modo os privilégios podem ocorrer sem qualquer critério humano, que deveria ser o considerado.

Há um paradoxo em tudo isso, porque a Europa continua a importar conhecimento, buscando profissionais qualificados de países pobres e em desenvolvimento? Será que o melhor não seria reverter verba tão alta, que vai ser utilizada a mandar de volta esses imigrantes, para educação destes em alto nível ? Estão fora dos seus países de origem há anos, pátria que nem mais a eles pertence e que um dia sairam porque não queriam pertencer, pois assim poderiam encontrar, por fim, um lugar ao sol, e qual a razão de não colaborar para permitir esse possível lugar? A opção escolhida parece ser sempre aquela de olhar essa gente com desprezo e preconceito, dificultando-lhes a vida, trantando-os de modo desigual por razão de cor, de pele, sotaque, credo ou qualquer outra diferença que lhes pareça dar na vista, pois os imigrantes ”pesam” na atmosfera européia.

Outro ângulo dessa problemática toda e que também não pode ser desprezado é a parcela de responsabilidade desses imigrantes- o comportamento dessas pessoas lá fora, e me fez lembrar exatamente o que eu questionava e pensava, por exemplo, dos brasileiros que eu via em Portugal, assim como em outros países que estive, e que diz respeito ao modo, simplesmente, do “ser” estrangeiro.

Sem dúvida que a abordagem da jornalista Mayre Anne Brito é algo que merece aplausos, pois temos também de denunciar a postura desses brasileiros que mal pisam o continente europeu e reclamam do modo de “ser fechado” europeu, do frio, do povo que não sorri, da comida que lhes parece estranha, do idioma difícil de aprender, das mulheres que não depilam, em fim…as queixas são muitas, e assim, deixam-se dominar, também, pelos seus próprios preconceitos, não se deixam inserir nesse novo mundo, nessa nova cultura, que em contra-partida, para os que querem sair da pequenez dos seus mundos, tem muito a ensinar. Com essa postura esses imigrantes, sem dúvida, vão tornando-se cada vez mais marginais, sobretudo reféns dos seus próprios conceitos e preconceitos. E como isso acontece?

É verdade que os brasileiros se metem nas inúmeras comunidades verde-amarelo, passam a frequentar apenas bares e restaurantes brasileiros, vivem nos seus guetos, formados por uma imensa massa que, estando fora, vivem para dentro, e com isso esquecessem de viver o mundo lá fora, num movimento anti e que  ainda contam hoje com a ajuda do orkut, terreno fértil para a imaginação, participando de comunidades e afins, espaço que usam  para queixarem-se da vida lá fora. Falam mal muitas vezes dos países que estão a viver, que por vezes, com a ajuda social do governos até os sustenta.

Como também é citado na matéria, e também reservo-me o direito de informar aqui para vocês, na Inglaterra vivem mais de 160 mil brasileiros, estimando-se que mais de 50% detes estejam em situação ilegal, boa parte a sobreviver de faxina, e muitos dos graduados no Brasil, em situação um pouco melhor, trabalham como garçons e garçonetes, pois ao menos conseguem falar bem a língua e ganham salários melhores.

Assim, muitas das vezes também nos perguntamos – vale a pena passar por tudo isso? A resposta talvez nem eles mesmo saibam dizer… o propósito quando saem de sua pátria, a maoria das vezes é um só – o sonho de uma vida melhor! Dependendo do ponto de vista e do que por lá possam encontrar, indagamos: melhor em que?

Muito tem de ser repensado, mas de parte a parte, as fragilidades são muitas e as posturas também, e continuamos a conjecturar entre nós o que vem primeiro e torna negro todo esse percurso – será o preconceito daqueles que recebem ou a inabilidade de adaptação daqueles que lá chegam?  As responsabilidades andam de mãos dadas, e medidas como essa da “Diretrizes de Retorno” servem, e muito, para aumentar toda essa bola de neve que faz de conquistas vistas nos direitos humanos, retrocessos para a nossa frágil humanidade.  

O Mistério do Samba

Setembro 29, 2008

 

 

Dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, a união resultou numa num projeto bem interessante e original – rememorar na tela dos cinemas as histórias peculiares da Velha Guarda da Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, formada por antigos integrantes da escola de samba Portela. O conjunto original da Velha Guarda era composto por Ventura, Aniceto, Alberto Lonato, Francisco Santana, Antônio Rufino dos Reis, Mijinha, Manacea, Alvaiade, Alcides Dias Lopes, Armando Santos e Antônio Caetano. 

 

O documentário fez parte da seleção oficial da 61ª edição do Festival Internacional de Cannes, conta em 88 minutos o cotidiano, a história de raiz da comunidade carnavalesca da Velha Guarda da Portela, rememorando sambas que estavam na história, praticamente esquecidos, garimpados através do filme na memória de pessoas que navegaram ao longo de todos os esses anos como um arquivo vivo do que representa um referencial de vida tipicamente brasileiro, genuinamente carioca.

 

À frente da pesquisa musical contamos com o encanto e talento de Marisa Monte, uma das mais importantes cantoras e compositoras da MPB contemporânea, que há 10 anos atrás teve a idéia do filme quando começou a resgatar junto a Velha Guarda da Portela os sambas esquecidos. O documentário assim, é o resultado da sua extensa pesquisa musical, que recupera composições dos anos 40 e 50 ainda não gravadas, muitas delas gravadas em 1999 no cd da cantora de título Tudo Azul.

 

Algumas músicas que aparecem no documentário já são conhecidas do público – como Esta Melodia, que Marisa Monte gravou no CD Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, por sugestão de Paulinho da Viola. Apesar de essa música ter um significado especial, a cantora declara não ter uma composição preferida e diz: “Esses sambas são fonte de sabedoria, de filosofia de vida. A gente aprende muito com as músicas. A experiência de vida que esse compositores passam pra gente por meio das canções traduz muito o que estamos querendo dizer num determinado momento e não sabemos como. É uma fonte de auto-conhecimento e isso ajuda a viver. ” E diz mais, que para ela “a certeza de que a vida seria melhor com esses sambas”

 

O documentário revela a poesia, a musicalidade e a intimidade de sambistas, senhores e senhoras, desvendadas por meio do cotidiano simples de um pequeno bairro da Zona Norte do Rio – Oswaldo Cruz, com o objetivo de recuperar canções perdidas. É a Marisa Monte que também conduz a maioria das entrevistas gravadas na casa dos sambistas e nas rodas de samba e na sua conversa com Paulinho da Viola vai revelando muito das suas descobertas. No transcorrer do filme os integrantes da Velha Guarda da Portela vão contando histórias que mesclam vida particular com a vida da agremiação, alegria e nostalgia daquele passado que não volta mais.

 

Os depoimentos dos sambistas que dedicaram a sua vida ao samba comovem. Pessoas simples, cheias de sentimentos, dotadas de amor pela vida e pelo samba. Nos vemos ali, como cada um deles, pessoas comuns, dotadas de sensibilidade, saudosos de tudo que já foi vivido e na ânsia de saber o que ainda há por viver. Num dos depoimentos, Argemiro, sambista simples, cujo documentário é dedicado a ele, já que faleceu antes mesmo de chegar as telas dos cinemas, confirmamos que independente de classe social a dor do amor foi e continuará sendo o grande combustível de inspiração do compositor da música brasileira, é o momento em que o homem “celebra” o sofrimento através da música como forma de resgatar o amor perdido, por vezes proibido, por vez apenas apenas esquecido, e na fala de Argemiro “o compositor passeia na imaginação.

 

Numas das conversas entre Marisa Monte e Paulinho da Viola, que me chamou atenção, esse sambista declara que o homem necessita saber a origem das coisas, e com o samba não seria diferente, o que é uma verdade, pois são nesses resgaste que podemos entender quais as motivações ideológicas de cada época. É a importância desse retorno as raízes do samba da Velha da Guarda da Portela, quiçá na tentativa de entender como o samba movimentou e movimenta até hoje a vida das pessoas, num ritmo tão forte, esfuziante, que sentimos uma das identidades do Brasil – o samba ; referência nacional propagada pelo mundo afora.

 

Para mim o documentário disse muito, quem sabe também diga algo para você - e viva a alegria do samba!

 

 

 

 

 

 

Feira do livra da Amadora

Setembro 26, 2008

Interrompemos a emissão para anunciar que os autores do livro estarão no próximo dia 28 de Setembro, pelas 18:00, na feira do livro da Amadora, Pavilhão da Contra Margem, para uma sessão de autógrafos.

Os autores convidam todos os leitores deste blog, e os demais, a comparecerem no evento.

 

Estamos em época de eleições municipais aqui no Brasil. No próximo dia 05 de outubro os eleitores brasileiros escolherão novos prefeitos e vereadores no primeiro turno das suas eleições municipais que “reinarão” por longos 4 anos.

 O momento é para todos eleitores, de todo o Brasil, refletirem sobre o papel dos prefeitos e vereadores, uma tarefa mais que árdua tendo em vista que somos eleitores de um país que, em outubro, na sua totalidade, irá às urnas para escolher entre um total de mais de 15 mil candidatos a prefeito e quase 350 mil candidatos a vereador.

 Diante de tais números, como se pode imaginar, vivemos aqui num momento de “lixo publicitário” propagado pelas rádios, televisão, autdoors, sem contar com os insuportáveis carros de som, que além de ensurdecedores, trazem os seus letreiros que atrapalham o trânsito no meio das avenidas.

 A  apelação é total, os candidatos a prefeitos e vereadores,  literalmente, atacam a população a qualquer custo e sem qualquer pudor, as vinhetas musicais das suas campanhas publicitárias assolam os nossos ouvidos dando lugar até mesmo ao “já embalou, já embalou, deixa João…” Imaginaram isso!

 

O que se pode esperar de um canditato que na sua campanha publicitária apresenta como razão para permanecer no poder um mero “já embalou deixa ficar…” ? Não há um projeto de mais valioso a rememorar, não há resultado a apontar. A gestão valiosa e posta a prova é apenas a do “já embalou” e pelo embalo, apela-se para que o povo deixe ficar.

Em nome da tão proclamada liberdade de expressão vale tudo, vale a poluição sonora, visual, vale toda e qualquer forma de publicade para chegar até o voto. Vale candidato mudar de partido, vale candidato atacar o partido e os antigos parceiros do mesmo partido, esquecendo-se que todos têm seus telhados de vidro, mas ainda assim vale jogar pedra no telhado do outro. Vale oferta de saco de cimento, de dentadura, e tudo mais que a imaginação possa criar para “cativar” o tão carente público.

 Isso tudo me lembra um trecho da peça de teatro do Millôr Fernandes – “Computa, computador, computa”, que diz: “A única nobreza do ser humano é ser esplêndido em cinzas, faustoso em túmulos, solenizando a morte com incrível esplendor, transformando em cerimônia e pompa a estupidez de sua natureza.”

O que fazer diante desse contexto é uma resposta que não é simplista. A política está norteada por valores, estes que decorrem dos homens, e ao meu ver toda a corrupção que age e atua no nosso país é decorrente de uma sociedade marcada por crises em virtude das multicorrupções que já ocorrem no dia a dia de cada indíviduo, que também não é diferente do seu governante, e as relações nos mais diversos âmbitos torna-se amoral, anti ética, pois vive-se uma “mentalidade da facilidade nas relações”.

O que dizer das pessoas que contestam as atitudes dos políticos nepotistas, quando elas mesmas, a cada dia, em doses pequenas e homeopáticas exercitam o seu ato corruptivo – e como?  E aqui peço licença a idéia esposada por Ana Carolina de Barros, cujas idéias vimos no Café Filosófico.

Qual a diferença daquele político que utliza o seu cargo para empregar um irmão para aquela pessoa que assina uma ficha de presença em nome de outra pessoa para beneficiar um amigo no curso que não está presente? E aquele que permite que um amigo que encontra em uma fila de cinema entre a sua frente? Será que há aí alguma diferença? Percebo nessas atitudes que as duas categorias utilizam a posição que estão em nome de interesses privados, pessoais, e assim são nepotistas do mesmo modo, apenas as proporções de quem se vai lesar que são diferentes.

Praticamos pequeno  e repetitivos atos no nosso dia a dia que saem de modo quase involuntário e que colidem com os interesses coletivos, pois se defendemos um particular, seja ele nosso amigo, um parente ou algo do gênero, consequentemente fazemos isso em detrimento da coletividade, o que compromete em contrapartida a nossa moral individual, aquela de cada um.

Se quisermos construir o Brasil, não será com a espera de um político ideal, que nunca se revela, mas façamos a cada dia uma reconstrução dos nossos próprios atos, da nossa própria conduta, essa sim, que tem que ser um ideal ético do que você deseja e espera do seu político e critica que ele não tem.

Não há como deixar de dar razão a Ruy Barbosa “De tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos MAUS, o homem chega a RIR-SE da honra, DESANIMAR-SE da justiça e TER VERGONHA de ser honesto!” 

Como também diria Aristóteles, o bem comum tão pregado por esse filósofo não é o que predomina na nossa mentalidade de aparentes democratas, mas sim o bem individual e pessoal, a qualquer custo e lesando quem quer que seja. A democracia não é algo que se possa manifestar senão em sua plenitude, e aqui, com as ações tão anti democráticas que vivemos, caminhado sempre para os benefícios próprios, a democracia passa ao largo da sua plenitude, e enquanto nós, individualmente falando, agirmos de modo nada coletivo não poderemos pensar em mudanças substanciais na sociedade.

Talvez seja uma boa pedida assistir o documentário  - “Crise é o nosso negócio” , título original – “Our brand is crisis”, dirigido por Rachel Boyton. É um relato surpreendente de como uma empresa de consultoria política americana (Greenberg Carville Shrum), com ampla experiência em campanhas de eleição,  é contratada para “salvar” a candidatura do ex-presidente Gozanlo “Goni” Sánchez de Lozada a um novo mandato à presidência da Bolívia.

Podemos até imaginar que não existam pontos de identifcação com a nossa política, já que o mesmo refere-se as eleições para a presidência da Bolívia em 2003, mas apesar dos pontos de identificação com a nossa política não serem imediatos, ele pode ensinar muito a nós brasileiros, sobretudo em tempo de eleições, basta um ar de sutileza, uma certa malícia e logo identificamos os “links” com a nossa política, os bastidores das campanhas, pois esse documentário é sim, um poderoso alerta de que, numa campanha política, nada é exatamente o que parece ser, e quem sabe os discursos e promessas ali apresentadas, venha a nos ajudar a identificar um possível bom representante em meio a toda essa salada mista política, desse vale tudo eleitoral.

Sejamos livres nos nossos propósitos, mas pensemos coletivo nos propósitos que envolvem o outro, em tudo que envolve viver em coletividade, pois fazemos parte de um todo que é também nosso e que diz de nós, de quem somos e para aonde iremos e o que queremos.  

Não esqueçamos das palavras de Aristóteles quando também dizia que o homem é por natureza um animal político. Pensemos coletivamente e escolhamos, dentre toda essa “salada mista” que nos vem sendo imposta, o que entendemos ser um melhor dirigente não apenas para uma classe minoritária e privilegiada, mas para todos, pois esse ideal, ao menos em cada um de nós, não pode morrer.

 

 

 

 

 

 

Ensaio Sobre a Cegueira

Setembro 15, 2008

 

Quando soube que o Fernando Meireles iria transpôr para a tela a obra de José Saramago, “Ensaio da Cegueira, lembrei imeditamente o que eu já havia lido quanto a opinião do autor sobre a adaptação da sua obra para o cinema, afirmou que: “o cinema destrói a imaginação”. Concordo com isso, embora as vezes pense que há algumas poucas exceções em que o cinema oferece um “norte” para algumas mentes que vagueiam sem percepção.

Ainda tinha na minha memória tudo que imaginei ao ler o livro, todas as inquietações, repugnâncias e incertezas que a ficção me causou, parecia que havia sido ontem. Hoje, após assistir o filme, aquelas imagens que levava comigo já se perderam, pois com as imagens vistas na tela, tudo que criei na minha mente pouco a pouco foi substituído pela leitura do diretor, que trouxe a sua “realidade” filmada e que ao ver o filme submetemo-nos a ela.

Por isso, ratifico a minha idéia – não vale a pena assistir o filme quando imagina-se tanto uma obra lida. Permaneçamos fiel a essa nossa imaginação, creop que ela sempre poderá ser melhor.

Foi em 1997 que aconteceu a primeira tentativa de Fernando Meirelles em comprar os direitos da obra do autor português e falhou. Naquela época Saramago havia dito que não quis porque “não havia muito sentido em transformar em imagens uma história sobre a cegueira“.

 

Bem, revista a decisão, foi uma produtora canadense (Rhombus Media) em co-produção com o Brasil, o Reino Unido (Potboiler Productions) e o Japão (Bee Vine Pictures) que escolheu o nosso brasileiro – Fernando Meireles, para dirigir o filme, e que no entender de Saramago assim o filme “não cairia nas mãos de um grande estúdio de Hollywood”. Depois de todo o tempo de espera, é nesse mês de setembro, que está nos chegando as telas, em circuito nacional por todo o Brasil, o esperado filme “Ensaio da Cegueira”, lembrando que desde maio deste ano o filme teve antiestreia mundial na abertura do Festival de Cinema de Cannes.

A dificuldade de transposição do livro para as telas é exatamente pelo que o livro nos conta: a cegueira incurável e inexplicável, que começa em um homem que está a conduzir o seu carro e, lentamente, se espalha pelo país como uma praga, levando pessoas a um confinamento, cujo convívio os leva a exaustão trazendo valores e sentidos mais excrecentes do ser humano. É uma sociedade desmoronando frente a perda de um sentido vital – a visão!

Perde-se tudo que poderia ser considerado como civilização.

Afinal, qual é a nossa cegueira maior como indivíduos que vivem em coletividade, quais são os valores mais sublimes que colocamos em cheque? O que há de mais primitivo nos homens? O que é ser bom ou mal? Será que poderíamos lembrar aqui de Aristóteles, em especial sua obra Ética a Nicômacos, quando nos mostra a bipartição da alma em excelência moral e excelência intelectual, sendo a primeira a parte irracional da alma e a segunda, a racional, entendendo que apenas a conjugação das duas excelências leva-nos à ética. E será que nos dias de hoje nos, seres humanos, ainda conservamos em nós a ética – a grande virtude, ou somos meros mortais a usar apenas dos instintos da sobrevivência?

Para quem não leu o livro – vale o filme. Para quem o leu – não recomendo que assista! Essa é apenas a minha opinião!

 

O apelo a estética

Setembro 8, 2008

Estava eu no meu horário de almoço, nada convencional para o habitual, já passava das 14:00 horas, intertida com o colorido que via no meu prato e com a fome que já estava quase ultrapassada, quando os meus ouvidos começaram a ser, literalmente, bombardeados pelas falas apressadas da mesa ao lado – cinco mulheres, cada qual defendendo a sua eloquente idéia feminina e tudo começava assim: »vocês sabem que meu sonho sempre foi ter um centro de estética, não sabem? Todas as minhas amigas sabem disso. Estética para mim é tudo!! Como disse outro dia uma dessas famosas em uma entrevista na Caras, que eu já nem me lembro quem foi, se me aparecer um assaltante digo a ele - « leve tudo, só não leve meu blash!!!«

Outra escolha não me restou que não olhar a mesa do lado para descobrir quem era a dona de tamanho sonho, e, confesso, não houve muita surpresa da minha parte – cinco mulheres juntas, estilos muito parecidos e iguais, uma apenas destoava daquele mesmo padrão.

A maioria delas mais pareciam sair da mesma forma, vestidas quase do mesmo modo, muito blash, calças extremamente justas, cabelos ultra escovados, possivelmente submetidos a uma das inúmeras  variações das escovas que começam por definitiva, circulam pela progressiva e aí seguem seu curso… bolsas quase iguais, modelos quase iguais, tudo “quase igual”, digo isso porque, certamente elas devem achar que possuem estilos diferentes e que  vestem-se diferente uma das outras, mas a verdade é que pareciam saídas de uma mesma forma, todas de um mesmo bolo.

Não me restava outra opção, como estava na mesa ao lado, não havia como não ser espectadora daquela “nobre” conversa que travavam.

O assunto seguinte foi a fixação por marcas e brilhos. Marcas para tudo: calças, óculos, sapatos, maquiagem, bolsas – a fixação pela etiqueta! O brilho, sempre e para quase tudo, mais uma vez o “quase”, pois uma delas confessava que até para uma praia ela quase veste algo que brilha mais que o sol, na variação do oncinha ao pink brilhoso.

Uma delas dizia: »Deus não dá mesmo asas a cobra, pois se ele me desse eu voava por aí comprando tudo! Ah, se eu tivesse dinheiro para tudo que quero!«

A que destoava e fazia a linha  consciente ou tipo “inquisitora- provocadora”, me dou o direito de assim chama-la ( afinal fui eu a espectadora da conversa), dizia a outra em tom de provocação: »mas essa coisa de você dizer aí que só compra a calça ou os óculos de marca pela durabilidade, fala a verdade, você só quer a calça de marca para sair exibindo a etiqueta, não é mesmo? Não engulo essa de durabilidade não pô!!!«  A ”estético-maníaca-declarada” respondia: «bem, penso nas duas coisas, mas é claro que é mais pela marca do que pela durabilidade, eu gosto mesmo é da marca, quero mesmo o que é caro, e daí? Desde pequena, sempre fui assim, quando minha mãe queria me dar mais de uma boneca que não estava na moda, eu preferia ter apenas uma, mas ter aquela que estava na moda e era a mais cara, e se não fosse assim eu não queria«

Me vi ali, presenciando o relato daquelas mulheres – escravas das marcas e da estética. Pensei sobre a fala delas. Não queria entrar no julgamento, mas foi inevitável para mim, como não pensar para aonde foram os valores delas. Em que momento perderam o trem da vida, o percurso natural das coisas? Será que no mundo que as cerca existe algo além da aclamada estética? Para além das roupas, dos quilos de maquiagem, para aonde estarão essas pessoas na apelação da moda, da beleza, do que o seu consumismo pode comprar?

Sinceramente, a comida foi quase indigesta, já que foi impossível para mim não refletir sobre essas coisas, pois também sou mulher, estou no mesmo  mundo que elas, e estava na mesa ao lado, embora sentisse que um oceano imenso nos separava naquele instante, os valores que vivemos também, e me bateu um sentimento nostálgico, pois imaginei as mulheres da década de 60, aquelas que tanto lutaram e clamaram pela liberdade feminina queimando os seus sutiãs em praça pública, frente as câmaras de televisão, e hoje nos podem ver assim, mulheres, reféns da estética que o dinheiro pode consumir em questão de segundos.

Uma mulher pode ser elegante, vestir-se bem, ter cuidado com a sua aparência, mas com fluência, sem ser escrava do que é ditado como padrão de beleza, pois o que a diferenciará será exatamente a sua postura frente aos tais “padrões”, não sofrer para acompanha-los, não tornar-se obsessiva por eles, pois cada uma de nós tem o seu próprio “que” individual que nos faz destinguir uma das outras, já que cada ser é único, não existe ninguém igual a ninguém, existem apenas pessoas querendo tornar-se o que não são e insatisfeitas porque não conseguirão essa meta, exatamente porque cada uma de nós somos - ÚNICAS!

As mulheres de hoje pensam que andam livre e mal sabem o quanto refém estão da imagem que necessitam exibir como realização do belo. Escravas da beleza e protagonistas de novos modelos e exigências que elas mesmas submetem-se sem saber a razão, e enquanto isso não pensam, não expõem idéias, ajudam a propagar o mundo do “eu quero” distanciando-se do mundo do “eu sinto”.

As mulheres andam levando a sério e para outros caminhos a frase do “poetinha camarada” – Vinícius de Moraes – “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

Vivemos o tempo das revistas como “Caras”, “Quem”, e todas as suas derivações… vivemos o tempo de tudo que vai sendo ditado pela moda, pelo o jet set que anda ditando padrões de beleza e consumismo, pelos rostos novos que surgem e que como relâmpago desaparecem. O tempo é de muito brilho e holofotes, e quem não o acompanha parece ficar para trás, talvez como alienígena do seu próprio tempo, mas que tempo é esse que nos mantém sempre na ansia de acompanha-lo? Que mulheres são essas, quase clones umas das outras, a perder seu estilo próprio em prol de um padrão de beleza ? Que mundo é esse que nos empurra para frente enquanto damos tantos passos para trás?

O que será de nós, mulheres?  Quem somos nós hoje?

 Vale uma reflexão!

p.s.: Desculpe-me pela ausência no blog, mas o acúmulo de trabalho e as aulas para ministrar me deixaram fora do ar por esse tempo – estou de volta! 

 

O Prêmio Camões 2008

Julho 28, 2008

O Prêmio Camões criado pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988 é o mais importante reconhecimento a autores da língua portuguesa, para os autores que, pelo conjunto de sua obra, tenham contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

Nesta 20ª edição do Prêmio Camões em 2008, no último dia 26, o eleito foi o escritor brasileiro João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, sendo ele o oitavo brasileiro a ganhar o prêmio mais importante da língua portuguesa.

Este ano o júri foi formado por Maria de Fátima Marinho (catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto), Maria Lúcia Lepecki (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), o brasileiro Marco Lucchesi (escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ), Ruy Espinheira Filho (escritor, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia, UFBA), João Meio (poeta e jornalista angolano) e Corsino Fortes (diplomata e presidente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos). Os jurados  destacaram “o alto nível da obra literária” do escritor, “especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil”.

Nascido na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 1941, João Ubaldo, portanto hoje com 67 anos,  passou a infância em Aracaju, Sergipe, retornando à Bahia na década de 1950. Em 1958 ingressou no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia, sendo que um ano antes, já havia iniciado sua carreira de jornalista no Jornal da Bahia e posteriormente em A Tribuna da Bahia.

Entre suas obras mais conhecidas estão os romances: Sargento Getúlio, de 1971, Viva o Povo Brasileiro, de 1984 e O Sorriso do Lagarto, de 1989, além do ensaio Política, Quem Manda, Por que Manda, Como Manda, de 1981.

O Prêmio Camões 2007 foi entregue ao escritor português Antonio Lobo Antunes, Antes de João Ubaldo, valendo destacar que outros escritores brasileiros receberam o Prêmio Camões. O primeiro foi João Cabral de Melo Neto, em 1990, seguido por Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998) – o primeiro ensaísta brasileiro a ser contemplado -, Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca ( 2003) e Lygia Fagundes Telles ( 2005).

Miguel Torga foi o primeiro autor distinguido, em 1989, e desde então o prêmio foi atribuído a: nove portugueses, Lobo Antunes foi o vencedor da última edição, – oito brasileiros, dois angolanos e um moçambicano.

Os portugueses já estavam a questionar a razão pela qual apenas brasileiros foram avaliados para essa 20ª edição do Prêmio Camões,  pois, fatalmente esqueceram-se de obter informações quanto ao prêmio, que cada ano traz uma das nacionalidades, ou seja, na edição passada, a 19ª edição, coube lugar a um português, e assim, esse ano, na 20ª edição, o júri estava voltado mais uma vez aos brasileiros,  portanto, necessário que seja dito, urgentemente, ao povo português a razão pela qual estiveram sob análise neste ano apenas os brasileiros, para que essa não seja mais uma razão para batalha de nacionalidades que vez por outra acontece entre Brasil e Portugal, pois tal prêmio não anda a margem dos preconceitos que existem na cabeça de muitos e que perduram ao longo dos séculos da nossa história entre esses países.

E como curiosidade, fica o fato de que “A Casa dos Budas Ditosos”, grande sucesso editorial no Brasil e diversos outros países, em Portugal, o seu lançamento causou polémica pelo fato de dois estabelecimentos comerciais terem proibido a venda do romance, em razão do seu extenso conteúdo erótico, mas a primeira edição, de 5.000 exemplares, foi vendida em poucos dias e novas edições estão no prelo. Já em janeiro/2000 o escritor brasileiro esteve em Portugal para ser homenageado pelos escritores portugueses com um desagravo a tal procedimento, foi quando participou da Semana de Estudos Lusófonos, na Universidade de Coimbra.

Não podemos esquecer que João Ubaldo foi, também, citado em diversas antologias, nacionais e estrangeiras, inclusive numa sobre futebol, publicada pelo jornal “Le Monde”, na França. Saíram várias reedições de seus livros na Alemanha, incluindo uma nova edição de bolso de “Sargento Getúlio”. “O sorriso do lagarto” foi publicado na França. “A casa dos Budas ditosos” traduzido para o inglês, nos Estados Unidos. 

Para esse distinto homem brasileiro, de talento único, só podemos reafirmar aqui o que foi dito por ele próprio – não foi surpresa! E são esses caros momentos que nos faz sentir orgulho do “ser brasileiro”, não pela vaidade, mas pela simplicidade, pois o SIMPLES é o seu retrato marcante – VIVA ESSE GRANDE BRASILEIRO!!!!!!!! E deixo-vos aqui um pouco de João Ubaldo, o que fala por ele:

 “Se não entendo tudo, devo ficar contente com o que entendo. E entendo que vejo estas árvores e que tenho direito a minha língua e que posso olhar nos olhos dos estranhos e dizer: não me desculpe por não gostar do que você gosta; não me olhe de cima para baixo; não me envergonhe de minha fala; não diga que minha fala é melhor do que a sua; não diga que eu sou bonito, porque sua mulher nunca ia ter casado comigo; não seja bom comigo, não me faça favor; seja homem, filho da puta, e reconheça que não deve comer o que eu não como, em vez de me falar concordâncias e me passar a mão pela cabeça; assim poderei matar você melhor, como você me mata há tantos anos”                 (VILA REAL)

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