Da próxima vez que for ao Japão e alguém ao seu lado receber uma mensagem de texto via telemóvel, a probabilidade de se tratar de mais um retalho de um romance é bastante elevada. Este fenómeno, que consiste na escrita de uma história mensagem a mensagem, geralmente por novos escritores e sob um pseudónimo, atingiu um nível sem precedentes no Japão. Segundo o Sydney Morning Herald, metade dos livros no top 10 nacional japonês são compilações em papel de romances originalmente escritos em mensagens de texto. Destinados a um público jovem, os romances abordam questões como as paixões durante o liceu, as drogas ou a SIDA.

Embora não pretendam ombrear com os grandes clássico da literatura, num mundo em que a tecnologia e a filosofia do fast food são dominantes, estas iniciativas podem ser um forte incentivo para que a juventude adquira hábitos de leitura. Muitos dos compradores destes livros são jovens que já tinham lido a versão original em mensagens de texto.

Por outro lado, os linguístas japoneses encontram-se preocupados pelo facto de que estes novos textos entregues por via electrónica estejam a toldar a aprendizagem por parte dos jovens dos kanji, os símbolos Chineses, intelectualmente mais desafiantes que o silabário usado no quotidiano japonês.

Tudo isto leva-me a pensar na aceitação e no impacto que este meio teria em Portugal. Se, por um lado, não há dificuldades no envio de mensagens, basta observar a forma como os jovens teclam nos telemóveis, para que nos apercebamos da velocidade com que a operação é realizada, por outro, há o dialecto que é “falado” nas mensagens escritas pelos jovens do nosso país, que pode levantar alguns problemas. Do ponto de vista do escritor ou escritora, se este optar por um português tal e qual ele é ensinado nas carteiras da escola, o livro está condenado à partida ao fracasso, pois nenhum jovem irá perceber o que está escrito no pequeno ecrã do seu telemóvel. Esta dificuldade irá, com certeza, levar a que quem escreve opte pelo dialecto comum ao meio. E daqui nasce o outro problema. Numa tentativa de levar os jovens portugueses à leitura, irão ser atirados para as estantes das livrarias textos escritos de uma forma exquixita que, com o uso, moldarão toda a gramática.

Mas nem tudo é mau. Com o tempo, não tardarão a aparecer reedições dos grandes clássicos como “ax pupilas do xr reitor” ou “ox luxiadax”.

Boa excrita e n s exqexam d exercitar ox polegarex!