A consciência do tempo
Maio 4, 2009
A própria Filosofia, vista como algo que tem como ponto de partida a vida, tal e qual ela é sentida e interpretada por cada um nós, nos últimos dias me remeteu a “impermanência” do nosso tempo, aquele que nos chega de modo ciclíco, sazional, apresentando-nos a vida de muitas e muitas maneiras…
Ao relacionar o tempo com a filosofia, recordei-me de Kant, filosófo que explicava que o espaço e o tempo pertenciam à condição humana sendo propriedades da consciência, e não atributos do mundo físico. Será mesmo assim? Será que fomos nós, simples mortais, que o criamos como modo de seguirmos uma rotação da vida? Platão a falar sobre o tempo, ainda a.C, nos disse que: “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel”. Já os físicos insistem em afirmar que o tempo não flui; ele simplesmente é. Shakespeare referiu-se ao tempo como “a ciranda do tempo”. E como esquecer de Santo Agostinho e a sua reflexão auto-biográfica sobre o tempo, expressa no Livro XI da obra “Confissões“ (recomendo a leitura) , lá os questionamentos dele, tão atuais quanto se hoje estivesse vivo, nos conduz a ver que o tempo nos escapa, que não podemos apreendê-lo, não há como medi-lo e nem mesmo como decifra-lo.
Nessa ciranda, apesar do tempo ser algo tão comum a nossa experiência de mundo físico, como pode ser ele algo tão difícil de definir?
Esses dias, em menos de 24 horas, vivenciei essa consciência do tempo, o tempo de chegar em uma cidade, realizar o trabalho que lá tinha por fazer, partir e chegar em outra cidade e, simplesmente, vivê-la na sua mobilidade. Isso trouxe-me a reflexão desse tal TEMPO – grande enigma da vida, horas é o nosso melhor amigo e horas é o nosso pior inimigo.
Quando estou em aeroportos não raro me vem essa reflexão, pois em um dado momento, quando seguimos como viajantes, a percorrer algumas cidades, por vezes chegando a cruzar outros continentes, perdemos um pouco a identidade desse tempo e de quem somos frente a ele, a noção flutua no senso de espaço e sentido, e flutuantes somos todos nós, ali, por entre as nuvens que vemos do avião.
Pensei sobre os ponteiros de um relógio que se segue a cada fração de segundo, levando consigo o nosso estado de ser, levando consigo cenas e situações que nos diz que nada poderá ser igual ao que vivemos minutos atrás, mesmo que venhamos a resconstituir a cena com o máximo de fildelidade ao quanto vivido no tempo anterior, nada poderá ser igual, simplesmente porque jamais estaremos iguais, nos também mudamos de muitas maneiras nesse TEMPO.
O nosso estado de ser, as nossas sensaçõesn- elas mudam de modo sublime, tão sublime quanto a vida, quanto toda a sua essência, que não raramente clamamos por respostas.
Mudamos em nossos estados de alegria e de tristeza, de buscas, de anseios, elegemos algo e depois, a seguir, já deixamos de o eleger, e tudo isso é belo, tão belo como saber que daqui a poucas horas, depois que tenha escrito aqui para vocês e que vocês me tenham lido, tantas e tantas outras coisas poderão acontecer a ponto de nem mesmo lembrarmos como estavámos nos tais minutos atrás desse tempo da leitura.
Já pensaram nisso? Pensaram como a impermanência da vida é algo belo e muitas vezes difícil de aceitarmos? Pensando sobre isso, para completar os cenários que vivenciei na minha imaginação de viagem através do tempo, uma música me chegou aos ouvidos – “The Scientist”, veio naquele instante em que refletia, através de um voz que gosto muito que é dos Coldply e nela um intrigante clamor: “Let´s go Back to the Start” e daí pensei – como seria voltar no tempo, como voltar ao início de algo? E na mesma música, mais a diante, há uma afirmação – “Nobody said it was easy”, não, não é mesmo fácil! O clipe dessa música é finalizado com um carro em marcha ré, o carro se desloca para o tempo passado como se fosse possível retornar a ele sob o ângulo em câmara lenta.
Como seria manusear o tempo, assim como fazemos quando acertamos um relógio? E vejam que mesmo nesse ato simples de acertar o nosso relógio, não podemos, simplesmente, registrar nele o nosso tempo, aquele que queremos – o que apenas podemos fazer é apontar o tempo cronológico da vida, aquele que nos faz mais velhos a cada aniversário.
Em meio a todas essas reflexões recordei-me da complexa e linda letra do Cateano Veloso – “Oração ao tempo”, a música é uma bela referência ao “Deus Kronos”, e para aqueles que não lembram, deixo aqui uma das minhas estrofes preferidas que diz:
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
O que seremos no amanhã desse tempo que já não terá sido? Realizaremos o “milagre” de segurar o tempo ou o tempo já nos terá tragado no que haveria de ter sido?
As reflexões do tempo, essas eu sei que sempre retornarão a memória do meu tempo, vez por outra me virá a chance de pensar melhor sobre ele, nem que seja apenas quando me perceba sentada no saguão de um aeroporto a espera de mais um vôo, na iminência de dentro de algumas horas me ver em outra cidade e perceber que o tempo passou tão rápido que não pude segurá-lo, mas na memória do tempo eu tudo terei sido e feito.
Finalizo então com a fala de Albert Einstein quando escreveu para um amigo e veio a expressar essa questão dizendo: “O passado, o presente e o futuro são apenas ilusões, ainda que tenazes”.
Agora, façamos o melhor do nosso tempo, pois ele não retorna as nossas mãos e não podemos segurá-lo, e nem guarda-lo numa caixinha, como possivelmente gostaríamos, assim como podemos, fisicamente, segurar os ponteiros de um relógio, então, para ele, nos cabe uma vida bem vivida, com o desejo e o comprometimento de sermos felizes; o fluxo pulsante realizará o melhor desse tempo, as vezes atentos a cada momento e as vezes relaxados, apenas sentindo-o passar e sabendo que, sem dúvida, ele nos trará e nos levará muito, mas, sobretudo, nos resta sempre a possibilidade de ser, ainda que não naquele tempo que gostaríamos que tenha sido…
Déa,
Prefiro a visão de Einstein… o ESPAÇO/TEMPO é uma ilusão. O passado “é uma roupa que não nos cabe mais” e o futuro? Quem saberá?. A nós, SAINDO DA MATRIX, vivamos o AGORA em sua plenitude.
A cada dia percebo, sinto, vivencio o quanto ele (o agora!) é poderoso.
Deixa o tempo pra lá!!!!! Fiquemos abertas às infinitas possibilidades que surgem quando nos entregamos ao GRANDE MISTÈRIO!
Beijos!!!
Adoreiiiii !!!!!!! estou sem palavras com as suas “palavras”…vc definitivamente me afeta..
O que é isso menina?
“”O nosso estado de ser, as nossas sensaçõesm- elas mudam de modo sublime, tão sublime quanto a vida, quanto toda a sua essência, que não raramente clamamos por respostas”"”
bjss
Claudia Sisan
tempo tempo tempo… o grande companheiro dos nossos dias!O tempo de ontem, o de hoje e o de amanhã…O que importa é viver o tempo de hoje, pois o de ontem passou e o de amanhã dependerá de como viverei o de hoje. Sejamos práticos e vivamos de forma consciente e plena o tempo de hoje, para que não fiquemos presos às lembranças e vontades não vividas do tempo de ontem, quando chegar o tempo de amanhã.