Os Padrões Sociais…

Junho 3, 2008

A vida é vista no cinema. Encantador o papel que um filme pode ter em nossas vidas, nos faz pensar, repensar, mergulhar com os nossos “botões”, criticar em nossa mente, aceitar, transporta-nos para aquela vida que nos é apresentada a sacudir algo em nós. É o que acontece comigo e, acredito eu, com muitas das pessoas que conheço, que também dizem sair do cinema assim, digamos com aquela vontade de filosofar sobre a vida consigo mesmas ou com o outro, ou de quem sabe tentar entendê-la ou melhor vivê-la…

Dessa vez ainda não lhes vou revelar o nome do filme que me traz aqui a escrever por esse tema, até porque, com a correria típica da segunda-feira, quase não conseguia chegar a tempo de trazer algo para o nosso blog, mas é certo que o tal filme me trouxe um tema vasto Padrões Socias, aqueles esperados senão por todos, mas pela maioria da sociedade.

Será que a maioria das pessoas, como eu, questiona até onde são livres? Será que somos livres? Apesar de sabermos que temos o livre arbítrio para decidir sobre tudo aquilo que queremos fazer, acredito que nem sempre ele atua livre para o nosso desejo, porque vivemos em um mundo onde é necessário obedecer às regras, os padrões sociais que surgiram sabe-se lá a partir de quando e parecem terem sido criados para domar a liberdade do homem e muitas vezes frustra-lo pelas eminentes diferenças.

Somos submissos aos padrões sociais?

A sociedade espera que todos tenham filhos, constituam famílias, comprem a sua primeira casa e quem sabe acumulem o seu primeiro milhão. E se o indivíduo for feliz optando por não ter uma família, e se o casal não quiser filhos? Tudo isso pode ser muito bom, pode ser necessário para muitos dos humanos, mas não para todos – já pensaram nisso? Já pensaram numa publicidade que não mostra a família feliz ao redor da mesa a descobrir a margarina perfeita e ao invés disso anuncia um quarentão feliz, sozinho, tomando o seu café da manhã com um pão quentinho repleto da tal margarina, lendo o seu jornal na mesma mesa? Será que a apelação do padrão resiste a isso? rss

E se o casal padrão por acaso resolver tirar férias em separado? Talvez cada qual resolva aproveitar ao menos uma, dentre tantas férias que já tiveram juntos, para acompanhar um grande amigo ou amiga que há muito recorre aquela proposta de uma viagem cúmplice apenas entre amigos. 

E se a aquela mulher resolve sair para dançar sozinha?  E se aquele homem, num domingo qualquer, resolve ir ao cinema sozinho? E se um “senhor” ou “senhora”, acima dos 40 e poucos resolve mostrar as suas habilidades numa pista de dança? Será que tudo isso chegará a sociedade beirando o ridículo?

Aos 30 anos todos já devem ter uma família constituída, uma posição profissional de destaque, uma relação marital sólida e, talvez, dois lindos filhos concebidos?  Eu sou eu e minhas necessidades? Ou eu sou eu, as minhas necessidades e aquelas que todos esperam que sejam as minhas necessidades?

As vezes nos surge o renascer para um novo desejo, o da identidade de nós  mesmo, e nesse ciclo surge-nos o desejo de corresponder à imagem do “homem de bem” e da “mulher de bem”, aquelas imagens criadas na nossa sociedade, para que a rejeição não ocorra, e nasce junto aquele medo de não ser como os outros, o medo de não parecer de acordo com o que é considerado “bem” dentro dos padrões sociais esperados e essa apelação em nós em tão forte.

O medo da rejeição pelo grupo, do ostracismo,  da rejeição da sociedade por não seguir aquele padrão social esperarado, e surge o nosso conflito maior, pois muitas das vezes o homem se vê impelido á uma ação que não é propriamente a que queria, mas aquela que todos esperavam dele.

Hoje, para completar as idéias que me surgiram quanto ao padrão social  um amigo telefonou, contou-me do seu conflito ao decidir que vai separar e confessou que casou para cumprir um padrão social, quando a chegada dos 30 era iminente e com ela as cobranças de todos: família, amigos, todos esperavam dele o padrão do “homem de bem” e ele seguiu exatamente o padrão, casou-se com o padrão, mas não com a mulher que amava, atendeu o clamor social e seguiu o roteiro esperado, agora a separação é o caminho a ser perseguido, a condução  para a libertação daquilo que ele não desejou á época, mas o padrão foi cumprido.

De todo modo, mais uma vez ele disse: “sabe, até que não estou tão fora do padrão, pois agora a sociedade também anda a espera que o casamento não dê certo e as pessoas se separem” Será que com essa nova idéia estamos a construir um novo padrão social? Ainda disse-me ele: “serei eu o antônimo do padrão do bem ou a versão moderna de um antigo padrão social? rss”

De minha parte, continuarei a pensar sobre isso, quem sabe descobrir quais os padrões socias que almejo, sim, porque não estou aqui a dizer que eles nos sejam apenas daninhos – não! O que estou aqui a pôr em reflexão é o quanto a escravidão pelos padrões sociais pode ser negativa para um vida, pois se o roteiro da vida não seguir o padrão, homens e mulheres, todos terão mais uma razão para frustrar-se.

Nunca é tarde para descobrir qual é mesmo aquela escolha que estamos perseguindo, afinal, não há uma vida para ensaiar e outro para viver, há a vida de agora, aquela que clama por ser vivida.

Abaixo o padrão social! Será? Seremos mais livres assim? Seremos mais felizes? E se não, e se tudo que quisermos for mesmo seguir ou experimentar um padrão social? Se for isso – ótimo, ao menos a resposta terá sido encontrada, se não for, descobriremos em nós qual o próprio padrão, aquele que nos conduzirá por uma vida bem vivida…

A propósito, em breve virei aqui a revelar o filme que me deixou um par de horas a pensar no tal padrão social, acho que devo dividir isso com vocês – aguardem! rs :)

 

 

 

About these ads

8 Respostas para “Os Padrões Sociais…”

  1. castellan disse

    Acredito de uma certa forma somos condicionados a agir de acordo com padroes sociais. Penso tambem que quando questionamos certos conceitos feitos pela sociedade podemos notar o grau de distorcoes com a realidade natural do ser humano. Vivemos em sociedades grupos etc..e padroes socias existem e sao de uma certa forma beneficos, sem duvida, porem as vezes muito fora da realidade social do momento ou mesmo totalmente inorganicos . rsrsr Se posso usar esse termo…Acredito que sempre e’ saudavel questionar o que nos e’ exposto pela sociedade para assim podermos esperimentar e desfrutar nossas vidas com mais abrangencia.

  2. Sérgio disse

    Belo reflexão, andamos desejosos de deixar a “carneirada”! E o tal filme que aborda a temática por ti referida?
    Somos como queremos ser!

  3. Hilton Meirelles Bernardes disse

    Excelentes as suas ponderações. Temos que ter em mente que por mais surreal que possa parecer, não pode haver padrão algum a ser seguido. Cada alma é individual, com habilidades, missões e desejos próprios. A gama de variações que pode existir dentro do ser é enorme. No entanto, temos que pagar o preço da verdadeira liberdade e felicidade. Os padrões saudáveis são aqueles criados para facilitar a vida em sociedade e mesmo assim, questionáveis em sua concretização individual. Mas o que vemos é a tentativa de controle do ser humano, partindo do indivíduo até chegar ao Estado. Temos medo de tudo, pois esta é a cultura propagada. É mais fácil controlar e manipular quando padronizarmos tudo. Junto, aplicamos uma penquena dose de medo, erro e condenação para que sai da “linha”. Está feito o prato da infelicidade, depressão e remédios. Desta feita aplacamos a dor da alma presa em si. Não posso me estender mais, embora este tema seja caro a mim, pois aqui não é o lugar. Como dizia o poeta Cazuza” para que tanta educação para destilar terceiras intenções”. Parabéns pela escolha do tema !!!

  4. Andréa Menezes disse

    Agradeço pelos comentários de todos! Esse retorno de vocês, saibam, é extremamente importante para que a inspiração esteja ao nosso lado, sabendo que os interlocutores – vocês, sempre estarão por aí a fazer eco com as nossas palavras, nessa interação tão saudável.
    Desculpa a ausência das duas últimas semanas, mas estive afastada, numas mine férias, mas nessa próxima segunda-feira estarei de volta e espero contar com a companhia de todos, ok? :)
    Um grande abraço a todos! Ah, e para o Sérgio, prometo que a resposta quanto ao filme virá no próximo texto.

  5. De fato, este texto nos remete a outra questão umbilicalmente delicada.. querenos ser felizes ou apenas atender as expectativas que esperam de nós?
    Este texto nos convida a repensar o que desejamos.. eu já decidi o que quero e vocês já decidiram ??

    • Bianca Goulart disse

      Tenho 16 anos e concordo plenamente com o que você disse . Ás vezes chegamos ao ponto de não estar mais vivendo as nossas vidas e sim a sociedade que vive ela pra nóis. Meus amigos e alguns familiares me combram excessivamente que eu arrume um namorado ,porque pra eles 16 anos é a ‘idade’ de começar a namorar .Não quero ser só mais uma no meio de tantos que seguem os padrões sociais , quero ser livre para tomar as minhas decisões na hora em que eu achar que devo. E se eu quiser ficar solteira até 30 anos ? Boa parte da sociedade irá me julgar só porque não segui o tal desejado padrão social. É ai que entra a discriminação… Tenho uma amiga de 26 anos que mora sozinha e não é casada e não tem filhos , muitas pessoas julgam ela só por esse fato irrelevante. A sociedade é muito rigida com esse tipo de coisa.

  6. Gostei muito do seu jeito de pensar, sobre os padrões de vida social. Parabéns!!!!!!!!!!!!!!
    E não deixe de colocar o filme, pois irei fazer um trabalho, e acho que me ajudará um pouco.

  7. jose luiz disse

    concordo plenamente,acho que a vida no fundo gira em torno de padroes sociais,e quem não estiver nesses padroes è descriminado,ou visto como diferente jà aconteceu comigo diversas vezes,pessoas querendo dizer com que companias devo andar,como devo me vestir.acho isso uma grande bobagem,e se a pessoa gostar de sair sozinha?não vejo mal nenhum nisso,e afirmo gosto de sair sozinho sim!chega de padroes sociais!!!.quem quiser compartilhar comigo uma opinião meu nome è josè luiz

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: