O MODO LATINO DE SER…
Abril 21, 2008
Por que somos tão latinos? E qual seria o sentido da palavra “latino” que pretendo vos expor aqui? Poderia até seguir uma linha de raciocínio exposta por Néstor García Canclini no seu livro “Latino-americanos à procura de um lugar nesse século”, que ganhou o prêmio da Fundação Cardoza y Aragon em 2001, mas o que pretendo dizer aqui é da latinidade no sentido mais comportamental da palavra, digamos, naquele sentido do que captamos quando percebemos o modo de ser e agir que ditam as veias latinas.
A latinidade nasceu do Império Romano, conquistou a Grécia Antiga e depois vários outros povos. Evoluiu por meio da diversidade, da mistura de povos, raças e culturas. Por meio das conquistas, assimilavam-se e fundiam-se culturas diversas. A variedade, a diversidade e a tolerância são traços marcantes da latinidade, preservadas até hoje.
O modo latino pensado aqui encontra lugar comum no comportamento das pessoas, objetivando o poder na conquista das coisas. É no TER que resume-se o SER. O carro que aparece primeiro que a pessoa, e quantos carros importados há na garagem? Na marca de roupa que vestem, na quantidade de equipamentos eletrônicos que portam e no quanto raytec se consegue ser – Do you Know? E como há “brinquedinhos” materiais a disposição do “ser latino”.
Somos sociedades estratificadas, de desenvolvimento desigual, com pobreza e riqueza convivendo juntas, sendo esse um dos grandes fatores de propulsão do modo de ser latino. A forma com que a América Latina foi colonizada e as interferências de uma infinidade de elementos culturais importados desde os planos políticos institucionais até os planos dos objetos e imagens da cultura migrante, trazidas das mais diversas civilizações e misturados aos elementos naturais da América do Sul, trouxe-nos uma “salada de confluências”.
O choque cultural traduz a alta complexidade com que se constituíram os sistemas sociais e também os sistemas de comunicações, influenciados, sobretudo, pelo calor cultural decorrente da confluência de elementos, que particularizam o Brasil em comparação a outros países que não tiveram em sua história estas características de organização.
Brasil deixará de ser conhecido apenas como exportador de commodities? Será? O Brasil não sabe vender. Só sabe ser comprado. Os nossos empresários nunca tiveram a necessidade de sair para vender, e retrato disto reflete-se no nosso povo e na maneira pela qual somos vistos lá fora.
O modo latino avoluma-se em restaurantes caros, manobristas a porta, lojas de grifes, atendimento personalizado, sessões de massagem, muitos empregados a carregar as malas, muitas pessoas a servir. É para esse grand conforto que trabalha o povo, para conseguir o seu lugar ao sol, digo, o seu lugar aos topos do cômodo, do súperfluo e daí pode surgir uma pergunta: O que desejo é o que necessito?
Será que um dia seremos open mind, a exemplo dos holandeses? Será que um dia esqueceremos os importados na garagem de casa e iremos de bicicleta ao trabalho, porque, no caso do Brasil, também haverá um dia segurança suficiente no país? Será que deixaremos os manobristas a ver navios e os empregados domésticos a buscarem melhores trabalhos? Se tudo isso acontecer, será que haverá necessidade desse falso poder que os latinos compram com o suado dinheiro?
Um dia a latinidade deixará de precisar viver de fachada, e desculpe-me o trocadilho para aqueles que levam “FACHADA” como nome de família, mas o ar latino no seu ápice preza pela fachada, pelo modelo completo do que seria sobressair-se em meio a tantos que ainda não chegaram lá, nesse vasto mundo do TER, nesse vasto mundo do poder para SER, e nessa roda viva dos aprisionamentos materiais, não se pode dizer que Portugal esteja de fora, ao contrário, creio que anda de mãos dadas com o Brasil, afinal, tudo começou com os lusos em terras brasilis a explorar o material que lhes mostrava força e poder, o aprendizado então foi bem rico, e o pior, o Brasil não esqueceu do que serviu de exemplo, e com o passar dos anos aprendeu bem aprimorar – e como sabe bem pôr em prática!!

caro senor(a)
gostaria de saber informaçao sobre a forma redundade de falar dos flatinos ou algo relacionado, comparado com os saxãos
obrigado